“Ninguém tem dúvida de que Gilberto Naves é o melhor nome”

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A7 01Tribuna do Planalto – Qual é o balanço que o senhor faz desse primeiro semestre e qual é a expectativa que o Sr. tem nesse segundo semestre?

Renato de Castro – O primeiro semestre foi um período de aprendizado. E o segundo semestre eu espero que nós possamos cada vez mais ajudar o Estado a fazer leis para que possamos crescer. A gente está vendo uma crise econômica que o Brasil está enfrentado e nós como agentes políticos temos a obrigação de ajudar os executivos a colocar o Brasil e Goiás fora dessa crise o mais rápido possível e continuar crescendo, gerando empregos.

Muitos deputados, principalmente da oposição, reclamam que a Casa é muito engessada, principalmente por conta do regimento interno e também pelo pequeno número de opositores. O sr. tem essa impressão, de que aqui na Assembleia há pouco o que fazer?
Nós dessa 18ª legislatura temos essa particularidade. Nunca na história de Goiás nós tivemos um governo com uma supremacia tão grande. Sempre, nos governos do PMDB e nos governos anteriores, tivemos uma situação mais próxima do equilíbrio. Dessa vez, nós temos 11 deputados da oposição e 30 deputados da situação, de modo que a diferença fica muito grande. Então, mesmo aqueles deputados que às vezes não concordam e mesmo aqueles deputados que não estão satisfeitos na base acabam não tendo a coragem de romper com o governo e até mesmo pressionar. Dessa forma, a posição do governo fica confortável aqui dentro e isso engessa os trabalhos. Isso naturalmente atrapalha muito.

Há também muita gente de primeiro mandato na base do governo, enquanto a oposição tem mais líderes experientes. Isso ajuda?
Muito. Se você pegar o pessoal mais experiente com certeza eles tem uma expertise de pressionar mais o governo. Não tenho dúvida. O Ernesto Roller (PMDB) já está no terceiro mandato, o próprio Jose Nelto (PMDB), o Adib Elias (PMDB), Luiz Cesar Bueno (PT), Humberto Aidar (PT) têm postura realmente muito firmes. Esses são deputados que estão aqui há mais tempo. Então, os novatos realmente não têm a expertise, mas devagarzinho nós estamos aprendendo.

O presidente Hélio de Sousa (DEM) é do grupo adversário do sr. lá de Goianésia. Qual que é a avaliação que o sr. faz da presidência até o momento?
O dr Hélio é um homem de bem e ele, até onde eu sei, sempre conduz da melhor maneira possível. Além de ser um homem de bem e ter essa boa intenção no coração, é muito inteligente. A característica pessoal dele é a inteligência e flexibilidade. Então, até aqui avalio que tem atuado muito bem. Não podemos aqui ressaltar pontos negativos e nem positivos. Eu prefiro dizer que ele está indo bem na condução dos trabalhos./

Um dos pontos é a questão da transparência. Pelo que o sr. tem acompanhado, realmente a transparência aumentou aqui na Casa?
Sim. Ainda não está no nível que deveria estar. Mas ele conseguiu evoluir bastante no sentido de futuramente chegar na transparência que o povo goiano quer, precisa e merece.

Hoje a gente vê uma descrença muito grande da população com a política. Como é esse contato direto com o povo?
É engraçado, o povo goiano e brasileiro parece que está muito descrente com a política. Com qualquer pessoa que você falar em relação à política você vai ver uma reação adversa. Mas é interessante que quando um agente político chega perto, o povo vem e abraça. Então é uma disparidade isso. Quer dizer, eu não gosto da política, mas no dia em que o prefeito faz uma coisa boa o povo está lá abraçando ele. O governador, aonde ele chega, tem muita gente para poder recebê-lo. Nós como deputado também, todo lugar que a gente vai o povo vem, bate nas costas, nos recebe muito bem. Então eu não sei o que acontece. Porque o povo não gosta da política, mas gosta dos políticos. A prova disso é que o governador está aí tem 20 anos. Aqui em Goiás tem deputado que está indo para o quinto mandato. Será que o povo está tão desanimado com a política que continua votando nos mesmos? É só uma reflexão que eu acho que o povo deveria fazer.

O sr. acha que essa falta de renovação também é uma característica do Estado de Goiás?
Exatamente. Você deve ter acompanhado as pesquisas que foram amplamente divulgadas nos jornais. Antes da eleição de 2014, naquela época das manifestações de rua em 2013, começou-se fazer pesquisas e as pesquisas diziam que 78% do povo goiano queria renovação. Em seguida, essa pesquisa perguntou qual o nome preferido para governador e Iris Rezende (PMDB) e Marconi Perillo (PSDB) apareceram com cerca de 35% cada um. Quer dizer, os dois já tinham 70% de intenção de votos. É o mesmo cara que responde a pesquisa e fala que quer renovação. Que renovação é essa que o cara esta dizendo que quer? É muito fácil falar que quer renovação, mas quando nomes novos são colocados para disputar eleição eles dificilmente crescem na pesquisa. Nós tínhamos vários nomes novos para governador, mas dois nomes destacados – Vanderlan Cardoso (PSB) e o Antônio Gomide (PT). Na hora da eleição, porém, o desempenho dos dois foi pífio.

Mas não isso também não esbarra no aspecto financeiro, por conta das regras do jogo que limitam muito as pessoas de concorrerem de igual para igual?
Com certeza esse é um fator que pesa, mas se esses nomes começam a crescer nas pesquisas essas dificuldades financeiras vão desaparecer. À medida em que o cidadão vai crescendo na pesquisa, o dinheiro vai aparecendo.

Em Goianésia, há dois grupos que há muito tempo disputam a prefeitura. Essa dualidade vai se repetir nas próximas eleições?
Nesse período pré-eleitoral, a gente vê muita coisa acontecendo. A gente vê outros nomes se colocando. Na realidade, a gente vê que a eleição vai ser bi polarizada novamente com esses dois grupos, cada um com o seu representante disputado a eleição.

O grupo dos Lage, do prefeito Jalles Fontoura (PSDB), praticamente já decidiu pelo vice-prefeito Róbson Tavares (DEM) para concorrer à eleição. E o grupo de vocês, quem deve ser o candidato?
Nosso grupo ainda tem muita conversa e pouco resultado em termos de decisão para saber que será o nosso candidato.

Mas além do sr. e do ex-prefeito Gilberto Naves (PMDB), há outros nomes?
Sim. O grupo político é muito forte. Tanto é que nós saímos em primeiro lugar na eleição de 2014 para deputado estadual. Nosso grupo ganhou do grupo do prefeito lá dentro. Nós já ganhamos duas eleições e todas as eleições são muito equilibradas. Então o grupo com essa força política naturalmente tem que ter nomes e o nosso grupo tem nomes.

O sr. toparia uma candidatura?
Acho que não (risos).

Por quê?
Acho que pelos compromissos pelas cidades vizinhas que nos apoiaram. Pelo menos eu espero disputar a eleição em 2020. Cumprir esse mandato, disputar a reeleição de deputado. A campanha começa em julho de 2016. O mandato começou em fevereiro. Nós estamos falando de 17 meses. Então quer dizer, eu teria que praticamente deixar minhas bases com 17 meses de mandato. É uma situação complicada. A gente não pode descartar porque política nem sempre a gente faz aquilo que tem vontade de fazer, mas eu acho muito difícil disputar essa eleição.

E o Gilberto, o sr. vê que ele pode ser um bom nome?
Olha, ele seria. Ele é, na realidade, o melhor pré-candidato de todos. Ninguém tem dúvida disso. Mas ele tem dados sinais de que não disputará a eleição. Não só o Gilberto, como nós teríamos a Mara Naves (PMDB, ex-deputada estadual) que seria hoje uma candidata fortíssima se quisesse disputar a eleição, mas a gente tem notado que eles não estão com o gás para disputar.

Houve muita desilusão na última eleição?
Uma eleição que se perde sempre tem, né? Mas eu acho que mais que isso também, tem a sensação de dever cumprido. Chega num momento da vida que você já fez, já participou. Enquanto prefeito, pôde fazer muito. Enquanto oposição também.

Caso se confirme a candidatura do vice-prefeito, disputar com alguém que não seja da família Lage é uma situação menos complicada?
Muito, infinitamente melhor. Quando o nome da família Lage entra, a responsabilidade que eles têm de vencer a eleição é infinitamente maior. E até a questão financeira mesmo, você gastar muito dinheiro para eleger alguém da família é uma coisa. Você gastar muito dinheiro para eleger alguém de fora é diferente. Além do poder do dinheiro na eleição, ainda tem o poder da expectativa. A militância, sabendo que o sobrenome é Lage, sabe que eles vão gastar o que for preciso.

Como o sr. vê o PT? Há um desgaste grande de imagem com todas essas investigações. Qual é o objetivo do partido nas eleições de 2016 aqui em Goiás?
É o mesmo de todos os partidos. Vencer as eleições. Mas em situações adversas igual está enfrentando hoje, vai ter que se contentar com bem menos. A gente vê uma situação complicada. Uma situação que o PT talvez esteja sendo até injustiçado, porque o fato de se investigar se descobriu muita coisa ruim, não tenho dúvida, agora, como antes não se investigava, na cabeça do povo tem-se a impressão de que a corrupção nunca foi tão grande no país. Mas isso é simplesmente uma impressão, porque antes não se investigava. Então, como que a gente vai saber se era maior ou menor se não temos parâmetro de comparação? A Polícia Federal nunca trabalhou tanto quanto nos governos do PT e hoje está pagando um preço por ter alguns nomes do partido que estão envolvidos. Eu não sei como a história vai julgar o PT daqui a alguns anos, se como o partido que permitiu as investigações ou se como o grande vilão que estava envolvido com tantos escândalos.

Diante desse cenário, o Sr. acha que o partido deve lançar candidato aqui em Goiânia?
Eu acho que um partido político tem sempre que disputar as eleições. Até porque durante o período eleitoral é quando se tem a maior oportunidade de se falar ao povo. Eu acho que o PT tem que disputar a eleição para ter o tempo de televisão, ter palanque, para poder dizer: “Olha gente, o nosso partido tem muitos membros que estão envolvidos, mas também foi o nosso partido que permitiu as investigações” e mostrar os outros avanços sociais que o PT trouxe. Na campanha política é que você tem a oportunidade de fazer isso.

Quem seria hoje o nome do PT aqui em Goiânia?
Nós temos bons nomes aqui dentro. Eu gostaria de citar os três deputados estaduais – Adriana Accorsi, Luis Cesar Bueno e Humberto Aidar – e citaria também o professor Edwar Madureira. Eu acho que esses seriam os melhores nomes hoje do partido. Há outros nomes também, como o vereador Carlos Soares, mas esses a meu ver estão na frente.

O sr foi vice-prefeito de Goianésia pelo PTB e agora está no PT. O sr. está feliz no partido ou pensa em mudar?
A nossa bancada aqui na Assembleia é uma bancada muito boa. Deputados comprometidos. Eu digo sempre que a bancada do PT aqui dentro, em termos de média, é uma das melhores. Agora, eu não estou feliz com a situação do PT no Brasil e nem com a imagem que o PT hoje tem. Isso aí com certeza prejudica qualquer pessoa vinculada à sigla.

Mas o sr. pensa em mudar, caso tenha a janela?
Isso fica no campo na especulação. Nós não sabemos nem se vai ter a janela.

Qual é avaliação que o Sr. faz em relação à Reforma Política discutida no Congresso? Avançou-se muito pouco?
Minha avaliação da Reforma Política? Uma piada. Não dá pra falar em Reforma Política. Reformou nada. Não houve, não tem jeito nem de avaliar. Se tiver que avaliar o que foi feito até agora não mudou nada na essência.

 

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