“A sociedade não pode ser omissa”

0
1592

A9 - MARCO VINICIUS-CENTRAL DO BRASIL-FOTO PAULO JOSE 36Tribuna do Planalto – Como surgiu o Fórum Goiânia 2020: a cidade que queremos?

Marcus Vinícius Queiroz – Esse ano eu resolvi criar uma forma de debate, para a sociedade participar do processo de discussão da Goiânia que queremos em função de uma necessidade de fazer com que temas da nossa sociedade seja debatido com antecedência ao processo eleitoral. Existe uma apatia muito grande da sociedade com relação à participação nos debates eleitorais. Eu tenho uma relação muito forte com a Colômbia porque já morei lá, inclusive trabalhava lá com    agências, fazendo um debate no horário eleitoral. Eles não tinham nenhuma preocupação, nenhuma profundidade e planejamento para as suas administrações. Nós assistimos isso calados. Então eu resolvi dar um grito e convocar os amigos, os formadores de opinião, os empresários para fazermos uma discussão com mais profundidade e trazendo experiências que funcionam fora daqui para ilustrar que tudo é possível.

Como é o Fórum?
O primeiro Fórum, nós abrimos com o ex-prefeito de Goiânia Nion Albernaz, que foi um prefeito que deixou uma marca muito importante em Goiânia. A marca da necessidade, de autoestima. Para contrapor o Nion, eu trouxe o prefeito de Palmas que é um colombiano, Carlos Amastha (PP), que está mostrando que é possível fazer bons planejamentos e cumprir. Ele tem um perfil diferente de administrar. No segundo Fórum, eu trouxe referências internacionais e foi muito interessante. No terceiro, teve uma participação da professora Raquel Teixeira, secretária de Educação, onde debatemos temas da educação como fator principal de mudança. Esse ultimo Fórum a gente trouxe uma experiência muito interessante. A essência do Fórum é promover um debate onde o próximo prefeito de Goiânia não seja um representante de um feudo político e sim representante de uma vontade, de uma necessidade da cidade. Para isso os agentes que têm que promover essa discussão estão dentro da sociedade. Não adianta a sociedade ficar esperando que alguém com muita boa vontade resolva os problemas da cidade, se ela não participar.

Quais os principais problemas da cidade?
Nós assistimos, nos últimos anos, que quem assumiu o comando da cidade nunca teve uma preocupação de promover nenhum planejamento e nenhum debate sobre os principais problemas de Goiânia. O problema do transporte coletivo está sendo discutido há mais de 20 anos. Toda campanha apresenta soluções de que no próximo ano o problema  vai estar resolvido  e já tem 20 anos isso. E ninguém cobra nada depois. O problema da saúde pública, com o aumento da população, a expansão da cidade fazendo uma divisão geográfica hoje praticamente de rua com os principais municípios… Então Goiânia virou uma Grande Goiânia, só que a visão da administração pública parece que ficou míope porque não enxerga isso e joga essa responsabilidade para o Estado. Sabemos que muitas pessoas saem das cidades vizinhas para buscar atendimento aqui. Nós não estamos tendo condição de atender nem a própria prioridade local. Mas não tem um debate sobre isso, não tem uma visão administrativa de saúde, não tem um planejamento. Então estamos arrastando essa epidemia de deficiência nesse segmento sem nenhuma solução para isso, por falta de debate e planejamento, por falta de visão política. O problema de Segurança Pública a mesma coisa. Então tudo isso, além de falar do planejamento urbano que hoje nós temos uma desorganização, o acúmulo de veículos sem vias de escoamento dos estacionamentos.

Quais as falhas do planejamento urbano?
Hoje, uma rua que foi desenhada há mais de cinquenta anos, como no alto do setor Bueno, não tem gerenciamento na cidade nem regras claras. Se estacionam dos dois lados e a rua, que já não tem capacidade para atender a demanda natural, ela fica praticamente inviável. O goianiense, por falta de debate e visão administrativa dos comandantes e líderes, criou uma cultura que é a pior cultura que um ser humano pode ter – a de levar vantagem em tudo e do eu sozinho, o egoismo da vaidade. Parece que a cidade foi desenhada para quem tem carro, parece que a cidade não foi desenhada para quem quer andar. A cidade não foi desenhada para ter um ordenamento. E hoje nós vivemos um estrangulamento em todos os sentidos por uma falta de debate, uma falta de discussão para gerar planejamento que seja de verdade e viável em uma administração. E aí os candidatos querem fazer uma campanha maquiada de três, quatro meses que é o período que permite o processo eleitoral, jogando todas as necessidades da cidade em formatos que não são viáveis para tentar enganar o eleitor. E a cada eleição, estamos vendo nossa cidade se depreciar.

Qual a missão do Fórum?
O  Fórum nasceu com essa proposta: de promover um debate na sociedade e de buscar experiências que funcionam em outras cidades, em outros países, que é muito viável na nossa cidade. A missão do Fórum é que o próximo prefeito ou próximo candidato, ou a próxima pessoa que quiser ser prefeito de Goiânia vai ter que debater com sociedade propostas de soluções mais inteligentes, mais realizáveis e mais coerentes com o momento que estamos vivendo. A sociedade não pode ser omissa. Ela precisa participar de debates que buscam melhoria para a cidade. Isso é democracia. Qualquer preço é caro se você não tem um benefício. Se você não recebe por aquilo que pagou você está sendo enganado, então nós temos que gerar debate onde possamos sinalizar para quem quer ser um administrador de uma cidade como Goiânia que ele vai ter que ser mais coerente e competente, porque todos os seguimentos da nossa cidade evoluiu.

Houve evolução?
Hoje os empreendedores são mais capacitados, os empresários são mais preparados, os estudantes estão tendo acesso a informação universal. E os políticos estão vivendo na pré-história, ou seja o embate político é o mesmo de cem anos atrás. É dando que se recebe, promessas que não se cumprem, promessas vazias e falta de planejamento com administração. Não se faz mais nada sem planejamento e a sociedade não está cobrando. Então nós precisamos fazer uma discussão ampla disso, democrática que é a função do Fórum “Goiânia 2020: a cidade que queremos”. Uma das coisas que me chamou a atenção nesse quarto fórum foi de ver que nós temos na frente da secretaria de Segurança Pública de Goiás uma pessoa muito competente, muito inteligente e muito preparada. Isso me deu um orgulho muito grande de que muitas vezes ficamos só julgando pelas manchetes, pelos resultados ou pelos fatos que acontecem e você tem uma pessoa tão competente em uma frente que tem carências grandes. Porque a política nossa de investimento na Segurança Pública é atrasada  e distorcida ou seja não valorizada por uma falta de valorizar o policial. Esse cara é importante para o dia a dia da cidade e para nossa vida. Ele precisa ser tão valorizado quanto um professor, que também não é valorizado na nossa sociedade. Então nós queremos formar cidadãos de bem. Ter estrutura sem valorizar os profissionais é um absurdo. Um político ganhar o salário que ganha e um professor ganhar o salário que ganha.

Como foi a discussão da Segurança no Fórum?
Então você vê um Joaquim Mesquita que tem inteligência, competência e preparo e que o Fórum deu a oportunidade de ele se manifestar. Porque até então quase ninguém conhece de verdade quem é Joaquim Mesquita, que está dentro da secretaria pública. Essa é a ideia do fórum. Porque aí você passa a ter um seguimento empresarial, um seguimento formador de opinião debatendo sobre a cidade reconhecendo aqueles que podem de verdade transformar a cidade. Nós temos que fazer um pacto com o governo de Goiás, de quem quer que seja o próximo governador, de manter o Joaquim, poque nós temos pessoas de inteligência e temos a frente da secretária uma pessoa como esse senhor. Isso é que me gratifica, o Fórum é um exercício muito difícil de ser realizado principalmente quando não queremos ter nenhum apoio de instituições viciadas. O Fórum quer ter independência, quer ter uma relevância no debate mas, sem perder a característica de que ele é  suprapartidário. Então podemos falar aquilo que a gente pensa, podemos debater aquilo que é a verdade e não atendendo a interesses diversos. Porque tem uma série de conveniências que o Fórum não quer ter. O debate com o tema “Goiânia 2020: A cidade que queremos” vai continuar mesmo após as eleições. As pessoas questionam por que 2020 e não 2050? Mas se a gente não esta dando conta de fazer política de curto prazo imagina de longo prazo? Então fica uma coisa utópica.

Como será a relação do Fórum com as eleições?
Nós vamos ser vigilantes com o próximo administrador da cidade, não podemos ser um Fórum de críticas. Vamos acompanhar os trabalhos. O Fórum vai debater uma série de planejamento das campanhas eleitorais, mas a forma de campanha eleitoral cada candidato vai apresentar uma. Agora, eles vão ter que ser inteligentes para saber que vai ter um debate, questionando aquilo que for apresentado. Por exemplo, não adianta o candidato chegar com propaganda enganosa que vamos questionar. Se vir alguma promessa, como já houve em eleições passadas como o problema do transporte que vai ser solucionado nos primeiros seis meses, o Fórum vai debater porque sabe que isso não é verdade. Isso está sendo falado em mais de dez eleições e nunca foi resolvido, por falta de planejamento, infraestrutura e uma série de outros fatores. Não se resolve o problema do transporte coletivo em seis meses e ninguém é mágico. Isso é propaganda enganosa, vamos alertar a população. Isso não quer dizer que somos contra o candidato. Eles é que vão precisar de ter mais competência e experiência para fazer propostas mais viáveis. O Fórum tem uma visão  que primeiro a população precisa ter consciência e mostrar o que quer, porque não vamos criar uma cultura cidadã. Sobre os administradores, daqui para frente vão ter que pensar como planejam uma administração para o bem estar da sociedade. Mas dentro de um princípio. Temos que fazer um novo pacto entre administrador e sociedade para recomeçar o processo.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here