“A escolha do candidato do PSDB passará pela Câmara”

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A5 02Tribuna do Planalto – Qual o balanço que o senhor faz do primeiro semestre como presidente da Casa e quais as perspectivas deste segundo semestre?

Anselmo Pereira – No primeiro semestre, fizemos um processo de amortização das forças. Quando assumimos, havia muito conflito entre Executivo e Legislativo. O que houve foi uma mudança de comportamento. Viramos parceiros de trabalho, independente de cor partidária. Trabalhamos aparando as arestas e a coisa frutificou. As crises estão desaparecendo ou desapareceram. Esse estreitamento de relações foi o maior ganho. E isso foi percebido em toda a cidade. Agora estamos acelerando o processo legislativo, também em consonância com o poder Executivo. Estamos colocando em pauta a discussão dos grandes temas de Goiânia. Você acabou de ver o projeto dos estacionamentos (reserva de uma parcela dos estacionamentos de estabelecimentos onde não haverá cobrança). Queremos aprovar uma série de matérias neste semestre, como a reforma do Código Tributário, a reforma do Código de Posturas… Queremos discutir nos próximos dias a Lei de Parcelamento do Solo de Goiânia. Vamos entregar também a Lei Ambiental da cidade. Mais de 80 anos e Goiânia não tem Lei Ambiental, isso é um absurdo. Também o Plano Diretor de Arborização, concluir a Lei de Resíduos Sólidos e nos preparar de maneira definitiva a revisão do Plano Diretor da cidade. Em 2016 nós temos que entregar para Goiânia um novo Plano Diretor.

Quando começam estas discussões?
Vamos começar logo depois que aprovarmos a Planta de Valores do município, que é um outro tema extremamente sensível e que temos que ter responsabilidade. Veja que o segundo semestre é o semestre das grandes definições.

Há clima para discutir Planta de Valores a um ano das eleições?
Perfeitamente. Nós vamos encontrar uma nova equação. Primeiro, nós queremos uma planta real, o valor real dos imóveis. Mas também teremos que ter o cuidado de fazer com que o Código Tributário – que é arcaico, dos anos 70 – ele e as suas alíquotas adéque de forma racional o valor atualizado. Quando falamos em discussão da planta, o cidadão pensa que é só para aumentar. Não! Tem avenidas em Goiânia que terão os valores venais diminuídos. Sobre esse valor venal real, vamos fazer uma espécie de gatilhos.

Nos últimos anos se discutiu muito Planta de Valores e não se conseguiu chegar em um consenso. O que leva o sr. a estar mais otimista este ano?
Estavam com a visão equivocada. Você só pode aprovar certas questões se você tiver o discernimento pleno. Planta de Valores é um instituto. Não tem nada a ver com o valor dos impostos. É a base. Agora, essa base tem que ser real. Aprova-se a Planta de Valores e então se discute o que se vai cobrar de imposto em cima da capacidade contributiva do goianiense. Essa é a equação correta. Até mesmo porque a prefeitura de Goiânia errou nos últimos anos – deixou de convocar a Planta de Valores e agora quer aplicá-la em sintonia com as alíquotas de uma vez. Impossível! E, conversando com o prefeito Paulo Garcia, ele também está sensível a encontrar uma equação racional.

Como o sr. disse, há alguns setores que valorizaram, outros desvalorizaram. O saldo, para o contribuinte, há expectativa de que o imposto aumente?
Evidentemente vai aumentar pelo menos o índice inflacionário. Agora, além desse, pode ser que venha também alguns outros aditivos, já que vamos ter que atualizar o valor venal em consonância com as alíquotas lentamente. Por que você também tem que pensar na prefeitura. Ela também precisa tornar exequível a sua administração. As coisas aumentam, o que queremos é que esse aumento seja racional. Não se pode extorquir o bolso do contribuinte.

Quando o sr. foi eleito presidente, houve comentários de que o prefeito estaria perdendo a presidência para um opositor, já que o sr. é do PSDB. Até agora o que vemos é uma sintonia de poderes. Como tem sido este diálogo? Havia uma expectativa de mais oposição por parte do sr., por que esta sintonia com o prefeito?
Goiânia. A Câmara e Paulo Garcia, nós só temos uma obrigação. Pensar em Goiânia e pensamos como gente grande, gente séria. Eu estou vendo no prefeito uma nova visão de administração. Ele está empolgado. Também a Câmara está propiciando um campo fértil para isso.
Essas 60 obras da prefeitura, R$ 1 bilhão aplicado, se deve também a essa harmonia na Câmara?
Sim, mas é lógico. Tudo que ele tem pedido aqui e tudo que nós vemos que é benéfico para Goiânia nós fazemos num rito sumaríssimo. Vamos agora aprovar para ele mais R$ 350 milhões para recapeamento asfáltico. Olha a questão do Macambira-Anicuns, nós estamos abraçados com o prefeito Paulo Garcia na questão da preservação ambiental do município de Goiânia. Tanto é prova que nós fomos parar em Roma para discutir a encíclica verde para o mundo.

O prefeito Paulo Garcia sofreu muitos desgastes nos últimos anos. Pesquisas diziam que a população não aprovava a sua administração. Qual a tendência agora, com a inauguração dessa obras?
Nós estamos no mês de agosto. Faço um desafio. Vamos fazer uma pesquisa com o prefeito próximo ao aniversário de Goiânia. Você vai levar um susto, toda administração vai estar bem reabilitada. Nós vamos desafiar agora o Plano Diretor de Iluminação de Goiânia. Vamos fazer com que Goiânia esteja inserida tecnicamente num programa sério de iluminação moderna. O prefeito está implantando o BRT que é uma realidade que o goianiense espera há muitos anos para que ele possa deixar o carro em casa. Vamos fazer agora a Câmara Itinerante e a prefeitura será parceira, assim como o governo do Estado também será. Vamos discutir todos os problemas da nossa cidade.

O relacionamento do prefeito também melhorou com o governador. No ano passado, o prefeito chegou a declarar que havia um cerco contra sua administração e hoje eles até fazem agenda conjunta. Como foi esse desenvolvimento e no que o sr. ajudou?
Quando você tem um espírito de convergência, quando você tem o espírito de diálogo, da conciliação, isso contamina. Não adianta A, B, C, D chegar aqui na Câmara de Goiânia e mandar que bata na prefeitura de Goiânia pelo bel prazer. A Câmara de Goiânia não será usada de chicote para ninguém. A Câmara vai defender todo tempo o interesse público. Se tiver que ir com o prefeito em 200 lugares, nós vamos. Estamos discutindo tudo em sintonia – prefeitura, governo e Câmara. Agora, quem está na Câmara é um conciliador. Pode ser que você vai entender que o marco na minha entrada nesta Casa representou a mudança dos acirramentos. Mudou a vontade de querer intrigas por ser intrigado. Isso não existe aqui na Câmara. Todas as vezes que chega esse ou aquilo projeto nós defendemos o interesse público.

Aquele núcleo de vereadores que faz uma oposição mais dura e que o apoiou para presidência – Elias Vaz (PSB), Geovani Antônio (PSDB), por exemplo – eles não reclamam dessa posição de conciliador do sr.?
De jeito nenhum. Eles entendem perfeitamente. Aliás, quero fazer uma ressalva. Há uma interpretação errada. Esses vereadores não são oposição.

Não?
São vereadores que detestam erros e mexem na ferida. Esse é o problema. Todas as vezes que o Elias Vaz vai para a tribuna, o Geovani, o próprio Djalma Araújo (SDD), eles vão com propriedade. Aqui não tem essa oposição desenfreada, irresponsável. Todas as manifestações que tiveram aqui, pelo menos na minha gestão, foram com fundamentos.

O PSDB vai ter candidato à prefeitura?
Ah, vai! Nós achamos o seguinte. Três pleitos. Tivemos três companheiros de outros partidos. Não lograram êxito. O PSDB abraçou a causa. Agora é a hora do PSDB oferecer o seu nome e dos companheiros apoiados devolverem essa participação conosco.

Isso dá uma preferência ao PSDB em relação aos outros aliados da base?
Sim. Como eles estão notando que administração do Marconi está indo bem em Goiânia e também o Marconi é uma pessoa que se preza aos seus companheiros, significa que todo mundo quer ficar com quem é vitorioso. Ninguém quer ficar com perdedor.

Quem será o candidato do PSDB?
O nome não é importante nesse momento. O importante é o perfil dele. Qual é o perfil que nós vamos alinhavar colocando de baixo para cima? E essa é minha crítica. Eu falo para o governador: “Governador, o candidato tem que vir de baixo para cima, não vamos colocar candidato no bolso do colete”. Ninguém aceita mais isso. Vamos construir a imagem do candidato a prefeito de Goiânia. Nós estamos agindo. Nós já fizemos o dever de casa no PSDB. Nós reorganizamos todas as zonais. Agora vamos desenhar o perfil. Qual é o perfil? É aquele que tem o conhecimento de Goiânia e da grande Goiânia. É aquele que assimila o pensamento do goianiense. Quais os problemas de Goiânia? Mobilidade, trânsito, saúde básica… Eu acho que a saúde básica tem que ser terceirizada. Eu gosto de falar a verdade. Pega os Cais, terceiriza. O candidato à prefeitura de Goiânia tem que ter esse conhecimento. Tem mais: tem que ter um conhecimento urbanístico. Tem que ter capacidade de planejamento. E ele tem que ser sempre um bom gerente. Ele tem que ter pulso forte e gerência.

Comentou-se muito o nome do presidente da Agetop, Jaime Rincón (PSDB), como um possível candidato. O sr acha que a Operação Compadrio – deflagrada na semana passada pelo MP-GO e que investiga a Agetop – pode enfraquecer o nome dele?
Não. São coisas pontuais que acontecem em toda administração pública. O nosso companheiro Jayme Rincón não tem nada a ver com isso. Nesse momento eu não vejo. É lógico que ele como bom gestor, ele vai elucidar todos os problemas e levar para a sociedade. Ele não é homem de se acovardar diante das causas complexas que precisam de um raciocínio rápido e de uma decisão rápida. Ele é um dos nomes. Agora, a Câmara vai pedir uma atenção muito especial ao governador. Então nós entendemos que a escolha para 2016 precisa passar pela Câmara.

Os vereadores querem participar ativamente dessa escolha do nome?
Querer não. Vai participar. Vai participar da escolha do candidato a prefeito e a vice-prefeito do PSDB. Nós temos cinco vereadores do PSDB aqui e, sobretudo, bons vereadores. São todos de sucesso. Nós temos que ouvir esse pessoal.

Tem o Anselmo Pereira também. É um projeto do sr.?
Anselmo Pereira já tem seus 38 anos de mandato. Tem oito consecutivos, e um de deputado que ele não quis executar – mais uma prova que ele ama Goiânia. Eu sou o único político de Goiânia que renunciou a um mandato de deputado para servir a cidade. Você pode pegar as grandes leis aqui de Goiânia, todas têm a participação significativa minha. Absolutamente ativa. Agora, a nossa experiência em Goiânia também não pode ser descartada.

A CEI das Pastinhas convocou o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB) para dar explicações. Ele vai ser realmente chamado?
Na verdade, eu tive o prazer de, na minha gestão de presidente, aprovar todas as contas de 2006 do Iris Rezende Machado sem nenhuma ressalva. Isso se comprova que aqui se trabalha sem a cor da ideologia partidária. Então o ex-prefeito ele apenas foi citado. Não foi convocado. Os membros da CEI citaram que, para tirar dúvidas, poderia ser convocado.

Não está convocado?
Não está. Foi apenas citado.

 

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