PT e PMDB: distantes no interior

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CAPAAliados desde 2007 na capital e em várias outras cidade do Estado, PT e PMDB caminham cada vez mais em linhas opostas. E não é só em Goiânia. Em levantamento feito pela Tribuna, das dez maiores cidades do Estado, os dois partidos devem seguir caminhos diferentes pelo menos em oito (seguirão juntos apenas em Aparecida e Formosa – veja o quadro). Em Goiânia, apesar do esforço de algumas lideranças para que os dois estejam unidos para uma nova disputa da prefeitura da capital, hoje o quadro é de que os partidos sejam adversários. Pelo interior, a divisão entre PT e PMDB é ainda mais visível.

A separação de PT e PMDB na capital influencia outras cidades no interior e pode ser visto como um fator de desunião dos dois partidos. Há cidades em que os dois partidos possuem candidatos fortes, o que impossbilita a união. A proximidade do PMDB com o DEM em alguns municípios, como em Goiânia e Itumbiara, por exemplo, também afasta cada vez mais a possibilidade de união entre ambos, já que o DEM é arquirrival nacional do PT.
Das cinco maiores cidades, apenas em Aparecida de Goiânia há uma situação clara de aliança entre PT e PMDB. Lá, o prefeito Maguito Vilela (PMDB) é o articulador do processo. Não podendo se candidatar, Maguito deve escolher seu sucessor sem ter que enfrentar desgastes, já que possui uma administração bem avaliada e será um bom cabo eleitoral em 2016.
O PT tem o vice-comando de gestão de Aparecida com Ozair José (PT). Ele, porém, já anunciou que vai se desligar do partido até outubro para se filiar ao PMDB e tentar ganhar espaço para concorrer à prefeitura. Mesmo com o desfalque de Ozair, o presidente regional do PT, Ceser Donisete, manifestou o seu desejo de permanência na base do prefeito. “Em Aparecida nós queremos continuar na base do Maguito”, confirmou.
Em Aparecida de Goiânia, o PT conta com um vereador na Câmara Municipal. Lideranças internas avaliam que não há como brigar por muito espaço uma vez que o partido não tem grande representatividade na cidade. Por isso, permanecer na base e garantir espaço uma futura administração é o mais importante para a agremiação.
O ‘problema’ do PMDB de Aparecida é que lá há vários nomes no partido. Até este momento, ganham destaque os nomes do vereador e presidente da Câmara Gustavo Mendanha (PMDB), da secretária de Projetos Especiais Valéria Pétersen (PMDB) e do secretário de Governo e Integração Institucional Euler Moraes, que até o momento não se filiou a nenhum partido.

Rompimento
Em Goiânia, a capital do Estado, a expectativa de união é cada vez menor. A proximidade do PMDB com o DEM tem sido fator predominante por parte do PT, que não aceita estar na mesma aliança do partido adversário. O presidente Ceser Donisete já disse que não há possibilidade de aliança com quem estiver com o Democratas.
Dentro do PMDB, porém, há uma afinidade constante com o Democratas desde de a última corrida eleitoral em 2014. De lá para cá, o senador Ronaldo Caiado (DEM) tem estado muito próximo do ex-prefeito Iris Rezende (PMDB). Caiado foi um dos primeiros a declarar que o nome de Iris seria o ideal para a corrida pela prefeitura de Goiânia em 2016.
As lideranças peemedebistas não dizem abertamente, no entanto muitos não veem vantagem em compor com o PT. O deputado estadual José Nelto (PMDB) é um dos principais articuladores dentro da legenda e coloca em dúvida a aliança. “Ainda temos que conversar sobre a união em Goiânia”, disse José Nelto que sempre afirma que o DEM é o maior aliado. Alguns peemedebistas acreditam que o desgaste nacional do PT – com a baixa aprovação da presidente Dilma Rousseff (PT), além dos escândalos que envolve o partido – pode se transferir para o candidato peemedebista. Tanto que hoje a ordem no PMDB é a articulação de uma chapa pura.
Do outro lado, uma composição com DEM, PT e PMDB é completamente descartada por petistas. Caso não aceitarem a coligação, o caminho dos petistas poderá ser o lançamento de um nome para o Paço Municipal ou apoiar um outro candidato. O PT tem o nome dos deputados estaduais Luiz Cesar Bueno (PT), Adriana Accorsi (PT) e Humberto Aidar (PT), com Adriana sendo a mais comentada para a missão.
No PMDB não se cogita outro nome a não ser Iris Rezende. O histórico peemedebista já foi prefeito de Goiânia por três vezes, governador do Estado por duas ocasiões e goza de apoio de todo o partido.

Nome próprio
Terceiro maior colégio eleitoral do Estado, Anápolis, pelas palavras de lideranças do PMDB, já está definida. Embasado no desejo de lançar candidato nos principais municípios do Estado, o partido tem o nome do vereador Eli Rosa (PMDB) como pré-candidato na cidade.
Pelo lado do PT, o atual prefeito João Gomes (PT) é o indicado pelo partido para tentar a reeleição. Gozando de boa aprovação popular, João Gomes e o PT não devem ter dificuldades para lograr êxito na disputa pela reeleição e continuar a gestão petista na cidade.
Com chapa pura no último pleito em 2012, Antonio Gomide (PT) e João Gomes encabeçaram chapa majoritária e venceram disputa em Anápolis. Desta vez, o vislumbro é o mesmo, mas apesar disso João Gomes observa que os partidos devem colocar seus nomes. “O PMDB com certeza vai trabalhar um nome. Assim como todos os partidos”, acredita.
A possibilidade de composição entre PT e PMDB num cenário de primeiro turno na cidade de Anápolis é considerada zero pelo deputado José Nelto. Para ele, a candidatura do PMDB em Anápolis já é consolidada e união com PT só em segundo turno. “Chance de compor com PT é zero, só no segundo turno”, diz Nelto.
Assim, Anápolis é mais uma cidade aonde pestistas e peemedebistas não devem encaixar os diálogos, pelo menos em primeiro turno. Desta maneira, dos 13 partidos que compõem a base do PT na terceira maior cidade do estado, pelo menos o PMDB, deve lançar candidatura própria e desfalcar o campo de apoio dos petistas.

PT+PSD
Na principal cidade do sudoeste goiano, a união que ocorreu em 2012 não deve se repetir em 2016. À época, o PT e PMDB formaram juntos a chapa que logrou o segundo lugar com uma gama de aproximadamente 25% dos votos. O PT com o ex-deputado Karlos Cabral (PT) encabeçou a chapa que teve José Hen­rique (PMDB) como vice.
A boa performance do empresário Paulo do Vale (PMDB) para deputado federal no município, em 2014, colocou um basta na aliança. Durante a campanha, PMDB e PT não se entenderam e o rompimento para 2016 ficou formatado. Hoje, o PMDB não abre mão de lançar Paulo do Vale para prefeito da cidade e o PT é bem claro ao dizer que não apoiará o peemedebista.
É o que, inclusive, diz o ex-deputado Karlos Cabral. Para ele, o cenário indica ruptura entre PT e PMDB. Para ele, candidatura própria é um caminho. “O plano do PT é lançar candidatura própria. Nós temos nossa candidatura e o PMDB também tem. Então é difícil (união)”, aponta. Nas últimas semanas, cresceram os boatos de que o PT pode se aliar ao PSD para uma chapa conjunta na capital. Karlos Cabral poderá, assim, ser candidato à vice do deputado federal Heuler Cruvinel, que já se prepara para ser candidato. PT e PSD são aliados no governo federal, o que facilitaria a união.
Pelo lado do PMDB, ex-vereador José Henrique perdeu força para Paulo do Vale (PMDB). Segundo o presidente do diretório do PMDB de Rio Verde Osmar Ponce (PMDB), Paulo do Vale já tem o apoio do PMDB. “O Paulo é pré-candidato, o José Henrique é pré-candidato a vereador” revelou Osmar.
O presidente Osmar Ponce acredita ainda que em Rio Verde não há outro cenário a não ser a união com o DEM. “O DEM é o único parceiro na cidade de Rio Verde. Ronaldo Caiado já hipotecou que vai apoiar Paulo do Vale. O PT já tem candidato aqui na cidade”, revela Ponce.

Trindade e Itumbiara
Trindade e Itumbiara são duas localidades onde o PT ainda está indefinido. Para o PMDB, apenas em Trindade há a definição. O candidato à prefeitura pelo partido é o ex-prefeito do município Ricardo Fortunato. Ricardo foi candidato à reeleição na eleição passada, mas foi derrotado pelo atual prefeito Jânio Darrot (PSDB). Mesmo assim, os desgastes da atual administração de Darrot dão forças para o resurgimento de Fortunato.
O PT de Trindade deve se­guir o grupo da deputada federal Flávia Moraes (PDT), já que a apoiou na última eleição ficando em terceiro lugar na disputa. Em Itumbiara, a situação petista é a mesma -  deve seguir o PTB que lançará o ex-prefeito José Gomes da Rocha como candidato. “Ainda estamos conversando. Podemos até juntarmos com o PTB, que faz parte da base da presidente Dilma”, mostra Ceser Donisete.
O PMDB em Itumbiara deve apoiar um nome do DEM. Na cidade com pouco mais de 70.240 eleitores, o partido não tem um nome próprio. Entretanto, na região não há tantas opções e o caminho do partido pode ser o de apoio ao nome do agropecuarista Dione Araújo (DEM). “Trabalhamos para apoiar um candidato do DEM em Itumbiara. Vamos estar no lado inverso do Álvaro Guimarães e José Gomes”, garante Nelto.


Entorno de Brasília: união apenas em um município

Nas três maiores cidades do Entorno de Brasília, apenas em uma delas a composição entre PT-PMDB promete ocorrer. Na cidade de Formosa, o pré-candidato e deputado estadual Ernesto Roller (PMDB) é a força do partido e deve ter a seu lado o PT como parte integrante da sua coligação.
Na cidade, o PT tem o vereador Wenner Patrick (PT) que seria uma possibilidade, entretanto, não deve ser fator preponderante na hora da composição. Na últimas eleições, o PMDB saiu na cabeça de chapa ao lado do PSB com Genedir Ribas na vice. Em Formosa, a discussão sobre a vice ainda é tímida. “É natural que se faça uma composição com o PMDB”, mostra Ceser Donisete, presidente regional do PT.
Em Luziânia, o PT tem a vice da prefeitura e não deve sair da base do prefeito Cristovão Tomin (PSD). O petista Didi Viana (PT) ocupa a vice e deve repetir a chapa eleita com 70,89% dos votos na última eleição. O PMDB tem como pré-candidato o nome do ex-candidato a deputado Marcelo Mello (PMDB).
Caso Marcelo Mello saia do PMDB, o partido elegeu o nome do suplente do senador Ronaldo Caiado, o advogado Eládio Carneio (PMDB) para ser candidato. Sobre a saída de Marcelo Mello do partido, o deputado federal Pedro Chaves (PMDB) afirmou que Mello deve continuar. “Marcelo não vai sair mais. Vai ficar no PMDB. É o nosso candidato”, revelou.
Em Águas Lindas, os petistas têm proximidade com o PTB, partido que comanda a cidade com o prefeito Hildo Candango (PTB). Na última eleição, o PT saiu em chapa pura e conquistou o terceiro lugar, enquanto o PMDB apoiou a candidatura de Hildo.
Desta vez, o PMDB dá mostras de que vai lançar candidato. O nome certo é o do ex-prefeito Geraldo Messias (PP). Geraldo deve se filiar ao PMDB e concorrer novamente à prefeitura da cidade. No PT, segundo seu presidente, há dois caminhos: “Temos proximidade com PTB, mas pode ser que saiamos em chapa pura”, revela.
Na cidade de Valparaíso, a prefeitura está sob o comando do PT. A prefeita professora Lucimar (PT) concorrerá novamente ao cargo com um vice ainda incerto. Na última eleição, Edson Varejão foi eleito vice-prefeito pelo PMDB na chapa petista, mas até aqui o nomes de Roberto Martins (sem partido) e do ex-vice prefeito Adolfo Lopes (PMDB) são contados para encabeçar a chapa majoritária peemedebista. (M.B.)


Aliança PT e PMDB nas dez maiores cidades do Estado

1º Goiânia
Número de Eleitores: 938.481*
Como deverão marchar PT e PMDB: Separados
Pré-candidatos do PT: Adriana Accorsi, Luis Cesar Bueno e Humberto Aidar (deputados estaduais)
Pré-candidato do PMDB: Iris Rezende (ex-governador )


2º Aparecida de Goiânia
Número de Eleitores: 265.015*
Como deverão marchar PT e PMDB: Unidos
Pré-candidato do PT:  nenhum (Deve apoiar o PMDB)
Pré-candidatos do PMDB: Gustavo Mendanha (vereador – foto), Valéria Pétersen e Euler Morais (secretários)


3ºAnápolis
Número de Eleitores: 250.769*
Como deverão marchar PT e PMDB: Separados
Pré-candidato do PT: João Gomes (prefeito – foto)
Pré-candidato do PMDB: Eli Rosa, vereador do partido (verador)


4ºRio Verde
Número de Eleitores: 118.460
Como deverão marchar PT e PMDB: Separados
Pré-candidato do PT: Karlos Cabral (ex-deputado estadual)
Pré-candidato do PMDB: Paulo do Vale (suplente de deputado federal)


5ºLuziânia
Número de Eleitores: 113.032*
Como deverão marchar PT e PMDB: Separados
Pré-candidato do PT: apoiará o prefeito Cristóvão Tormin (PSD)
Pré-candidatos do PMDB: Marcelo Melo (ex-deputado ) e Eládio Carneio (suplente de senador)


6ºÁguas Lindas de Goiás
Número de Eleitores: 78.914*
Como deverão marchar PT e PMDB: Separados
Pré-candidato do PT: pode apoiar o PTB
Pré-candidato do PMDB: Geraldo Messias (ex-prefeito da cidade )


7ºItumbiara
Número de Eleitores: 71.420*
Como deverão marchar PT e PMDB: Separados
Pré-candidato do PT: possível união com PTB de José Gomes 
Pré-candidato do PMDB: Deve apoiar um nome do DEM, como o agropecuarista Dione Araújo


8ºValparaíso de Goiás
Número de Eleitores: 73.336*
Como deverão marchar PT e PMDB: Separados
Pré-candidato do PT: Professora Lucimar (atual prefeita )
Pré-candidatos do PMDB: Roberto Martins (sem partido) e Adolfo Lopes (ex-vice-prefeito).


9º Trindade
Número de Eleitores: 73.258*
Como deverão marchar PT e PMDB: Separados
Pré-candidato do PT: apoiará o PDT
Pré-candidato do PMDB: Ricardo Fortunato (ex-prefeito)


10ºFormosa
Número de Eleitores: 68.726*
Como deverão marchar PT e PMDB: União
Pré-candidato do PT: nenhum (Deve apoiar o PMDB)
Pré-candidato do PMDB: Ernesto Roller (deputado estadual )

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