Mostras competitivas do II Fronteira movimentam o cinema em Goiânia

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O filme La nuit et lenfant é um dos que participa da mostra de longas - comunidades - culturaAs mostras competitivas do II Fronteira – Festival Internacional do Filme Documentário e Experimental começam na segunda, 24 de agosto, no Cine Goiânia Ouro. Competitiva Internacional de Longas traz uma programação múltipla que busca dar conta de diversas experiências e formatos de cinema, propondo novas formas de apreensão da realidade.

Foram selecionados oito filmes: “Mais do Que Eu Possa me Reconhecer”, de Allan Ribeiro e Douglas Soares (Brasil); “Crónica de un Comité”, de Carolina Adriazola e José Luis Sepúlveda (Chile); “La Nuit Et L’Enfant”, de David Yon (França/Qatar); “Machine Gun or Typewriter”, de Travis Wilkerson (Estados Unidos); “Devil’s Rope”, de Sophie Bruneau (Bélgica/França); “Videofilia (Y Otros Sindromes Virales)”, de Juan Daniel F. Molero (Peru); “Ruined Heart”, de Khavn (Filipinas/Alemanha); e “Sueñan los Androides”, de Ion de Sosa (Espanha).
  “Mais do que eu Possa me Reconhecer” traz o registro do desejo de recriar o mundo, da ânsia de extrair dele suas belezas pueris, cotidianas, de dar forma ao plasma psíquico do artista, de transformá-las em imagem, em poesia. O filme retrata um embate, um corpo a corpo entre o artista retratado, e o realizador que retrata; uma ânsia pela reafirmação de dois olhares, e mais tarde a consciência de uma construção contaminada por ambos, indissociável e única. “Crónica de un Comité” narra as atividades de um grupo de vizinhos e parentes que se organizaram em um comitê que luta para alcançar a justiça na morte de um jovem atingido por uma bala disparada por um policial chileno em 2011, durante uma marcha estudantil.

“La Nuit Et L’Enfant” é uma ficção-científica que transita sobre um Algéria perdida no tempo e no espaço. Após as guerras, em uma terra onde a ameaça ainda ecoa, o passado resurge das sombras por meio das histórias do jovem Lamine e dos rituais únicos que ele encena ao longo das ruínas, que voltam a florecer. Travis Wilkerson faz uma espécie de desabafo e acerto de contas com o mundo e com a arte em “Machine Gun or Typewriter”. O filme retrata a história de um homem assombrado que usa a transmissão ilegal de uma rádio pirata para procurar por seu amor perdido.

Em “Devil’s Rope”, Sophie Bruneau retrata a história de uma ferramenta universal e familiar que tornou-se integrada à história política com a ajuda do crescimento do capitalismo: o arame farpado. O filme remonta aos primeiros colonos do oeste norte-americano, o espírito da conquista, técnicas de vigilância e o controle da natureza. A narrativa expõe o mundo de cercas e o cercamento do mundo. “Videofilia (Y Otros Sindromes Virales)” narra os primeiros dias de escola de uma adolescente desajustada, que conhece virtualmente um traficante de pornô amador. Uma vez que eles se encontram no ‘mundo real’, coisas estranhas e personagens bizarros de uma Lima cheia de decadência espiritual, psicodelia e ruínas pré-Inca começam a aparecer.

 “Ruined Heart”, de Khavn de la Cruz, traz uma metáfora sobre o terceiro mundo, globalizado, que fagocita, reprocessa todos os elementos da cultura pop, ocidental colonialista, criando um universo mítico e onírico do submundo de Manilla, nas Filipinas. É a história de um chefão do crime que governa com punhos de ferro, usa a religião e a violência para permanecer no poder. A Espanha em 2052 é retratada em “Sueñan los Androides” . Uma ficção-científica, que enquanto arqueologia do futuro, revela o presente a partir de costuras narrativas inspiradas no conto Do Androids Dream of Eletric Sheep? de Philip K. Dick.

Curtas

Para a Competitva Internacional de Curtas-Metragens foram selecionados 21 filmes, nos mais diversos formatos. Segundo Rafael C. Parrode, a ênfase recai sobre o próprio cinema, sobretudo, sobre sua capacidade de reinventar-se quando tudo já parece ter sido feito e refeito.

Participam da Competitiva Internacional de Curtas-Metragens produções da França, Reino Unido, México, Bélgica, Chile, Estados Unidos, Colombia, Brasil, China, Suécia e Tailândia.

A curadoria das duas mostras foi realizada por Rafael Parrode, que é crítico e programador, Ewerton Belico (BH), pesquisador e curador e Toni D’Angela (Itália), professor e editor da revista multilíngue La Furia Umana.

Premiação

Os vencedores das duas competitivas, de longas e curtas-metragens, serão indicados por um júri oficial. Uma novidade deste ano é a separação dos júris oficiais de longas e de curtas. Participam do júri de longas-metragens Andrea Tonacci, um dos grandes nomes do cinema brasileiro,Aaron Cutler, crítico e programador americano, e Guile Martins, cineasta, montador e editor de som.

O júri de curtas é formado por Oona Mosna, artista e escritora canadense, diretora de programação do Media City Film Festival; Juliano Gomes, crítico de cinema brasileiro, diretor e professor; e Lis Kogan, brasileira, diretora geral da Semana dos Realizadores e uma das fundadoras do Cachaça Cinema Clube, projeto voltado ao curta-metragem brasileiro que ocupou a grande sala do Odeon, no Rio, por 10 anos. Outra novidade dessa edição é o júri popular, que irá premiar o melhor longa e melhor curta na perspectiva do público.

Serão seis premiações para as melhores produções: três para longas-metragens e três para curtas-metragens: Melhor Filme (Júri Oficial), Prêmio Especial do Júri (Júri Oficial) e Melhor Filme (Júri Popular) nas categorias longas e curta-metragens.

A premiação acaba por conferir um peso especial para os realizadores brasileiros. Ao contrário da maioria dos festivais internacionais no Brasil, o Fronteira não distingue a premiação nacional da internacional. Desta forma, os filmes brasileiros acabam entrando na mesma disputa que os estrangeiros, e o vencedores conseguindo uma chancela internacional.

O Fronteira é realizado pela Barroca, co-realizado pela UFG através do Frestas – Programa de Artes Integradas (apoio do Proext MEC/SESu). Tem apoio institucional do Governo de Goiás, Secretaria da Educação, Cultura e Esporte de Goiás por meio da Lei Goyazes. Conta com a parceria da Prefeitura de Goiânia, da Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia, do Centro Cultural Goiânia Ouro, do Sesc Centro e do Cine Cultura – sala Eduardo Benfica. O apoio da Cinemateca da Embaixada da França, do Institut Français e a colaboração da Balaio Produções Culturais também são fundamentais para realização do festival.

Confira a programação das mostras competitivas:

24/08 – SEGUNDA 
17h – COMPETITIVA INTERNACIONAL DE LONGAS

La Nuit et L’Enfant, França/Qatar, 60’, David Yon

19h – COMPETITIVA INTERNACIONAL DE CURTAS

Occidente, França, 15’, Ana Vaz

O’ Persecuted, Palestina/Reino Unido, 11’, Basma Alsharif

Si Muero Lejos de Ti, México, 9’, Miguel Labastida Gonzales

I Comme Iran, Bélgica, 50’, Sanaz Azari

21h – COMPETITIVA INTERNACIONAL DE LONGAS

Mais do Que Eu Possa me Reconhecer, Brasil, 72’, Allan Ribeiro

25/08 – TERÇA

17h – COMPETITIVA INTERNACIONAL DE LONGAS

Crónica de un Comité, Chile, 96’, José Luis Sepulveda e Carolina Adriazola

19h – COMPETITIVA INTERNACIONAL DE CURTAS

Calgon, EUA, 15’, Stephanie Wuertz e Sasha Janerus

Nelsa, Colômbia, 13’, Felipe Guerrero

Pen Up the Pigs, EUA, 12’, Kelly Ghallagher

A + B = C, Brasil, 21’, Steffi Braucks

Dream Enclosure, China, 18’, Xin Ding

Wayward Fronds, EUA, 13’, Fern Silva

21h – COMPETITIVA INTERNACIONAL DE LONGAS

Machine Gun or Typewriter, EUA, 73’, Travis Wilkerson 

26/08 – QUARTA
17h – COMPETITIVA INTERNACIONAL DE LONGAS

Devil’s Rope, Bélgica/França , 88’, Sophie Bruneau

19h – COMPETITIVA INTERNACIONAL DE CURTAS

All That is Solid, Reino Unido, 15’, Louis Henderson

Quintal, Brasil, 18’, André Novais

Hillbrow, França, 32’, Nicholas Boone

Aluguel: O Filme, Brasil, 16’, Lincoln Péricles

The Hummingbird Wars, EUA, 11’,Janie Geiser

21h – COMPETITIVA INTERNACIONAL DE LONGAS

Videofilia (Y Otras Sindromes Virales), Peru, 112’, Juan Daniel Molero

27/08 – QUINTA

17h – COMPETITIVA INTERNACIONAL DE CURTAS

Detour de Force, França, 29’, Rebecca Baron

The Dragon is the Frame, EUA,15’, Mary H. Clark

Värn, Suécia, 14’, John Skoog

Under the Atmosphere, EUA, 14’, Mike Stoltz

Night Watch, Tailândia, 9’, Danaya Chulphuthiphong

Cyan, EUA, 7’, Julia Murray

19h – COMPETITIVA INTERNACIONAL DE LONGAS

Ruined Heart, Filipinas/Alemanha, 73’, Khavn de La Cruz

 

28/08 – SEXTA

18h – COMPETITIVA INTERNACIONAL DE LONGAS

Sueñan los Androides, Espanha, 61’, Ion de Sosa

29/08 –SÁBADO

21h – PREMIAÇÃO

Serviço
II Fronteira – Festival do Filme Documentário e Experimental
De 20 a 29 de agosto
Centro Cultural Goiânia Ouro e Cine Cultura – Sala Eduardo Benfica
Atividades de formação: Sesc Centro
Entrada franca
www.fronteirafestival.com

 

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