Professor da rede estadual desenvolve projeto de inclusão por meio do esporte

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Na cidade goiana de Aragarças, na divisa dos estados de Goiás e Mato Grosso, bem às margens do Rio Araguaia, adolescentes de baixa renda encontraram nos treinos de atletismo uma nova perspectiva de vida. A oportunidade que transformou a vida de dezenas de meninos e meninas chegou através da iniciativa do professor Sivirino dos San­tos Souza, ex-maratonista, que  após 20 anos de carreira, trocou as pistas pelas aulas de Educação Física.
Professor da Escola Estadual Mercedes Zétola, Sivirino criou em 2004 o projeto “Vivendo o Atletismo”, um ano depois de graduar-se em Educação Física pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). Além do atletismo, a iniciativa também oferece aos alunos a opção do futsal. “Nossa filosofia é oferecer o esporte como uma opção a mais na vida do adolescente e assim melhorar questões como desempenho educacional, comportamento e relacionamento humano. Aqui trabalhamos com jovens de grande potencial esportivo e nossa meta é descobrir e lapidar esses talentos”, explica ele.
Para todos eles, segundo o educador, a pista de treinos é a continuação da sala de aula. De origem muito humilde, Sivirino, 47 anos, conta que se inspirou em sua própria história de vida para criar o projeto há 11 anos, logo após 20 anos de dedicação à prática do atletismo. O professor faz questão de deixar claro que desenvolver o potencial físico dos alunos é um viés importante de seu trabalho, mas o cunho principal de sua ação é contribuir para que os adolescentes tenham sua autoestima elevada e maior compromisso com os estudos e, em consequência, com o futuro.
“A maioria desses estudantes não tinha interesse por nada, muito menos pela escola, mas como o re­quisito principal do projeto é ter boas notas no colégio, eles passaram a es­tudar mais e melhoraram em todos os sentidos. Minha meta não é formar campeões olímpicos, mas campeões para a vida, que saibam en­frentar as adversidades e vencê-las”.

Determinação
Esforço, disciplina, dedicação. A partir do momento em que o aluno entra no projeto, ele passa a vivenciar, na prática do dia a dia, o verdadeiro sentido de cada uma destas três palavras. Conforme o educador, de segunda a sexta, são quatro horas de treino diário, no contraturno das aulas. Como forma de incentivo, os atletas contam com recursos do Programa de Desporto Educacional Complementar (Prodec) da Secretaria de Estado da Educação, Cultura e Esporte (Seduce) e com o apoio da prefeitura de Aragarças, que garante o transporte dos jovens, uma vez por semana, até a pista oficial de atletismo da Vila Olímpica, em Barra do Garças (MT).
É na Vila Olímpica que fica a Casa do Atletismo, construída para abrigar alunos de baixa renda com maior potencial na modalidade. Na residência de 650 metros quadrados estão hospedados 24 atletas, sendo 18 homens e seis mulheres. A grande maioria de Barra do Garças. A única goiana no local é Karine Lopes da Silva, 16 anos, que há três mora no espaço.
Revelação do Programa de Des­porto Educacional Complementar (Prodec) da Seduce, a garota foi campeã na prova dos 3.000 metros do Campeonato Brasileiro Juvenil de Atletismo, disputada em São Paulo em abril deste ano, passando a ser a líder nacional na categoria Sub 17.

Japão 2020
Natural de Aragarças, Karine Silva é uma das maiores promessas do atletismo brasileiro para as Olimpíadas de 2020, em Tóquio (Japão). “Acredito que até lá teremos pelo menos cinco atletas de alto desempenho para representar o Brasil nesta modalidade”, diz Si­virino. Além de Karine, a lista inclui Ana Karoline de Campos Silva, 18 anos; Vítor Vinícius Alves da Silva, 20; Joseilton Costa Cunha, 22; e Ademilson de Morais Santana, 25. Os quatro últimos do Mato Grosso.
Em julho do ano passado, logo após a inauguração da Casa do Atletismo, o professor foi convocado para integrar a comissão técnica da Seleção Brasileira de Atletismo, que levou uma delegação de 17 atletas para os Jogos Olímpicos da Juventude, na China. “Como técnico já recebi 13 convocações para representar o Brasil em competições internacionais”, resume ele. Com todo esse know-how, o ex-atleta também já recebeu diversos convites para trabalhar no eixo Rio-São Paulo. Recusou todos por ter consciência de seu papel como agente de transformação social.
“Sei que lá fora eu ganharia muito mais do que ganho aqui em Aragarças como professor da rede pública, mas eu plantei muitos sonhos na cabeça desses jovens atletas e agora não posso simplesmente virar as costas e ir embora”, justifica.

Canal Futura
No dia 14 de setembro, o Brasil inteiro poderá conhecer melhor a contribuição que tem dado Sivirino de Souza Santos ao esporte brasileiro. Ele é uma das 20 personalidades selecionadas pelo Canal Futura para uma série de entrevistas alusivas às Olimpíadas 2016, no Rio de Janeiro.
O professor também já teve seu trabalho reconhecido em diversas reportagens veiculadas em jornais, revistas e emissoras de televisão, entre elas a Revista Veja, Rede Re­cord e Rede Globo, que destacou a im­portância do projeto às margens do Rio Araguaia nas trajetórias de Jo­seil­ton Cunha e Ademilson de Mo­raes Santana, ambos recordistas em grandes competições nacionais. (Seduce)

 

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