“Não teria dificuldade nenhuma em apoiar Jayme Rincón”

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HENRIQUE TIBURSO-FOTO PAULO JOSE 19-08-15 211Tribuna do Planalto – Qual o balanço que o senhor faz desses primeiros oito meses na Segov?

Henrique Tibúrcio – É positivo. Apesar de nos estarmos vivendo um ano muito difícil no país, o governador fez um ajuste muito forte no Estado já desde o início o que ajudou muito a equilibrar as contas. Mas dentro desse cenário todos nós estamos conseguindo avançar muito. O pagamento da folha tem sido rigorosamente cumprido. Os programas da secretaria estão funcionando, como o Passe Livre Estudantil e o Governo Junto de Você. Nós temos certeza de que ano que vem a coisa vai ser melhor ainda.

A crise tem atrapalhado esse começo de mandato do governador e do sr.?
Tem. É claro que ela atrapalha porque você tem uma diminuição de arrecadação e você fica limitado, principalmente, em questão de investimentos, mas felizmente os programas do governo têm sido mantidos e isso é essencial.

Houve atrasos de pagamentos de repasses do valor do Passe Livre Estudantil, mas que geral está sendo cumprido. Qual a avaliação que o sr. faz sobre os dois programas que o sr. citou?
Alguns atrasos acabaram acontecendo mais por uma questão de fluxo de caixa do que por falta de recursos. Há determinado dias do mês em que a arrecadação se concentra, então a secretaria Ana Carla Abrão tem tentado fazer os pagamentos nesses períodos.

Durante o período de atraso, os alunos ficaram sem o passe livre?
Não. Alguns, talvez, podem ter tido algum atraso para receber o dinheiro da passagem, mas a quantidade de passagens não se modificou. Eventualmente ele teve que pagar do bolso um mês, mas no decorrer do mês ele pôde compensar aquilo.

Tem uma frase famosa do Warren Buffet que diz que “Não existe almoço grátis”, ou seja, sempre alguém paga por uma gratuidade. Alguém vai pagar por esse subsídio do Estado? Ele é cobrado pelas empresas no aumento da passagem?
O estudante já tem por Lei o direito à meia passagem e o governo faz o pagamento do restante. Então esse custo já era calculado pelas empresas. É preciso lembrar que o transporte público é uma concessão do município, não do Estado. O Estado até participa da Câmara Deliberativa, mas com o número de participantes menor em relação aos outros. Quando o governo faz o pagamento para as companhias, na verdade ele está contribuindo até para a passagem não subir mais.

Qual é o balanço que o sr. faz do Governo Junto de Você?
Nós já tivemos 40 edições desse programa. Eu considero que esse talvez o mais importante programa de alcance social que o governo tem. Porque você imagina o seguinte são 2,6 milhões de pessoas atendidas nessas 40 edições. A última edição ocorreu em Santa Helena que não é uma região tradicionalmente carente como é o Entorno de Brasília. Mesmo assim, nós tivemos um recorde de atendimentos. Foram 78 mil atendimentos lá. O custo é muito baixo pra você levar um programa desses. Nós estamos falando em algo de R$ 5 cada atendimento.

O governador tinha determinado a união do programa Ação Cidadã (da secretaria de Cidadania) com o Governo Junto de Você, mas ele ainda está ocorrendo está sendo feito separadamente. Como é que o sr. observa isso?
Eu posso responder pela secretaria. Nós estamos aqui com o Governo Junto de Você e vamos começar junto com a Câmara Municipal um projeto muito interessante, muito parecido. O que vem acontecendo com o Ação Cidadã, pelo que a própria secretaria tem me dito, é um programa que vai a localidades menores. É um evento bastante menor do que é o Governo Junto de Você. Faz também um papel social importante de atingir locais que muitas vezes o Governo Junto de Você, por ser uma estrutura muito grande, acaba se concentrando em pólos maiores.

No início do seu período à frente da secretaria, houve a reforma administrativa. Dentro da Assembleia, houve muitos deputados que reclamaram que perderam cargos, perderam espaço dentro do governo. Como o sr. lidou com isso?
Ouvi reclamações, mas reclamações muito respeitosas. Reclamações que eu reputo absolutamente naturais dentro de um ambiente que é político e que cada um procura seu espaço. Não tivemos nenhum problema mais sério ou problema de relacionamento, porque ficou muito claro para os deputados que o problema não é do governo de Goiás, não é pontual em relação a algum deputado ou a algum partido. Eles compreenderam isso à medida que viram que o tratamento era igualitário. A base do governador é muito leal.

Outra reclamação que tivemos no início do ano foi por conta do desconto no repasse de ICMS aos municípios. Alguns prefeitos, inclusive aqui da Região Metropolitana como Misael Oliveira, reclamaram bastante. Eles também chegaram a reclamar com o sr.?
Até que comigo não, porque como os convênios vieram para mim só agora, então o relacionamento com os prefeitos começou agora e essa questão já estava resolvida. Mas eu sei que a secretária Ana Carla tratou disso com eles e hoje o relacionamento está muito bom.

É uma preocupação a mais para o sr. assumir os convênios no momento em que o Estado atravessa uma crise?
Não, porque eu que pedi (risos). Em uma conversa com o governador eu tinha pedido que gostaria de ter os convênios. O governador gostou da idéia, o secretário da Casa Civil também gostou e nós acertamos que viria pra cá. Eu gosto desse tipo de desafio. Administrar com dinheiro sobrando é muito fácil. Então é você fazer o que é possível com o dinheiro que é disponibilizado.

A secretária Ana Carla, muitas vezes, sofre alguns ataques aqui dentro do próprio governo por conta dos cortes de gastos. Como está o relacionamento do sr. com ela?
O melhor possível. Eu tenho com ela um relacionamento de muita compreensão, até pelo tamanho do problema que ela enfrenta diariamente. Ela tem se desdobrado muito, mas eu sempre deixei muito claro que ela pode contar comigo para o que for preciso. Essas críticas são naturais dentro desse ambiente político, mas é preciso ter compreensão de que ela não faz milagres, de que ela e uma profissional altamente qualificada a lidar com esse recurso financeiro. Então ela sabe o que está fazendo e ela tem nos passado com muita abertura e muito dialogo qual é a realidade.

Entrando nessa área de política partidária, no próximo ano teremos eleições. O sr. acredita que o candidato natural do PSDB em Goiânia é mesmo o presidente da Agetop, Jayme Rincón?
Eu nem gostaria de falar em nomes. Acho que nós temos muitos bons nomes dentro do PSDB, com muita condição de vencer a eleição. Acho que o PSDB, o governador Marconi Perillo, a executiva do partido já deixaram claro – nós vamos ter candidato a prefeito em 2016. Jayme Rincón, se for mesmo candidato, tem plenas condições de administrar muito bem Goiânia. Ele é um grande administrador, tem feito um trabalho na Agetop muito bom em Goiás. Eu não teria dificuldade nenhuma em apoiar Jayme Rincón. Acho que é um grande nome e agora, dizendo objetivamente, é o nome que tem maior destaque hoje para ser o candidato a prefeito.

A Operação Compadrio foi deflagrada na semana passada. Ela chega a prejudicá-lo?
Eu acho que não. Não conheço a investigação, não tive acesso aos autos e não tenho maiores detalhes, mas em momento algum o nome dele foi veiculado como tendo participado de alguma irregularidade, nem como indício e nem como suspeita. Eu acredito na verdade e confio nisso. Não há qualquer envolvimento em irregularidade por parte do presidente da Agetop.

José Eliton é o nome natural para 2018 na base?
É um nome natural, primeiro pelo espaço que ele tem hoje dentro do governo. Isso é uma demonstração que o governador confia plenamente nele e vê nele uma capacidade gerencial muito grande. Ele tem se mostrado um bom articulador político. Então isso tudo credencia ele a ser o candidato natural. Acredito que ele venha para o PSDB, há tempo pra isso. José Eliton é uma pessoa que conta com a minha simpatia e meu total apoio para ser o candidato.

O sr. acredita que José Eliton vai conseguir unir a base em torno dele? Ele tem essas condições? A ida dele para o PSDB já é um passo para isso?
Sem dúvida nenhuma. O governador, ao contrário do que a gente via em Goiás, abre oportunidade e possibilita o surgimento de novas lideranças. José Eliton e um exemplo disso. Se mostrou leal nos momentos mais difíceis. É uma pessoa muito determinada em ajudar o governador. Ele tem toda condição, com o apoio do governador, de ser essa liderança que pode continuar mantendo a base unida.

Falando sobre esse voo nacional do governador, o sr. acredita que como ele poderia superar Aécio Neves, José Serra ou Geraldo Alckmin dentro do PSDB?
É claro que é difícil, mas eu digo que liderança você não impõem, você não toma a força. Liderança você conquista. O governador Marconi Perillo tem feito isso. O seu posicionamento sereno e determinado tem mostrado isso. É muito fácil sair falando em impeachment da presidente Dilma, mas é preciso ter cuidado. O país pode sofrer muito com isso. É melhor que nós consigamos ter uma retomada de uma governabilidade com a presidente Dilma cedendo em determinados pontos e fazendo correções que ela precisa fazer. Eu não tenho dúvidas, por exemplo, que se eventualmente Aécio Neves venha a ser o candidato a presidente, não teria dificuldade em ter o governador Marconi Perillo como um vice-presidente na sua chapa. Nesses próximos três anos e pouco, o governador vai demonstrar para o restante do Brasil que tem condição de liderar essa grande retomada de rumo que o Brasil precisa.

Temos hoje três candidatos para as próximas eleições da OAB. Como o senhor avalia os três nomes?
Eu não tenho dúvida nenhuma de que são bons nomes. Apesar de afastado hoje da Ordem, tenho um carinho muito grande por aquela instituição e pela minha profissão. Não vou interferir na eleição. Só quero que o candidato que venha a vencer honre a instituição, tenha o mesmo cuidado que eu tive, que as gestões passadas tiveram. Agora, falando como advogado puramente, assim como eu sou uma pessoa de partido, eu sou uma pessoa que tem um carinho muito grande pela OAB Forte. Então, evidentemente que eu teria um sentimento de muita satisfação que o candidato da OAB Forte vencesse as eleições.

Quando o sr. deixou a presidência da OAB, o seu vice Sebastião Macalé teceu muitas críticas ao sr. Falou da questão de rombo que o sr. teria deixado dentro da Ordem. Como que o sr. recebeu essas críticas?
Eu até não vi críticas do Macalé à minha pessoa. Ele pretendia ser presidente e o tesoureiro também queria. Macalé, acho que de uma forma até ingênua, acabou criticando a gestão do tesoureiro, dizendo que havia irregularidade pra conseguir com isso a simpatia do Conselho. O efeito foi reverso, porque ali se entendeu o que existia, na verdade, contratos de empréstimo como todas as gestões fazem para fazer investimentos em obras infraestrutura, sala para advogados, enfim, uma série de investimentos que precisavam ser feitos. Todos os financiamentos estavam rigorosamente em dia pagos até o dia que eu saí da OAB. E mais: Sebastião Macalé, inclusive, assinou esses contratos como diretor que era. Então eu vi aquilo como uma questão de campanha eleitoral, de campanha que deve surgir agora nessa campanha que se aproxima. O fato é que a Ordem continua respeitada, a Ordem continua sendo uma instituição que é protagonista das maiores conquistas da sociedade.

O seu nome foi lembrado no ano passado para concorrer ao governo pelo PSDB. O sr. tem pretensões políticas no futuro?
Eu costumo dizer que eu não faço planos de longo prazo e nem de médio prazo. Eu acho que as coisas têm que ir acontecendo. Não acredito em você brigar, passar por cima das pessoas tentando denegrir alguém pra ocupar um espaço. Eu acho que se você fizer um bom trabalho, onde você esteja, esse trabalho acaba sendo reconhecido. Se a oportunidade vier e se precisarem que eu me lance candidato – eu falo com muita tranqüilidade, não penso nisso hoje – é claro vou sentar, vou conversar com minha família, vou avaliar e vou dizer sim ou não.

 

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