Base terá divisão certa em 2016

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Os diálogos em torno das eleições municipais de 2016 já estão a pleno vapor e a base aliada do governo estadual deve ter embates nas principais cidades do Estado. A luta por viabilização tem sido maior na Região Metropolitana de Goiâ­nia, onde o inchaço de candidatos na maioria dos partidos indica que a decisão final será selada apenas no ano que vem.

Por outro lado, no interior do Estado, o cenário é mais claro. Algumas cidades já têm confirmadas quais serão as disputas, enquanto que em outras, o embrião da luta interna da base começa a crescer. Em levantamento realizado pela Tribuna na última semana, alguns dos presidentes de agremiações evitam citar nomes. O argumento é que eles ficariam expostos, o que aumentaria o assédio de outros partidos sobre o propenso candidato com diálogos aprofundados com determinado partido.
Com isso, em especial nas cidades onde algumas agremiações da base não possuem no­mes consolidados, a guerra por novos quadros está a pleno va­por. No primeiro semestre deste ano, a Tribuna revelou que o po­sicionamento de alguns partidos, como PP, desagradaram al­guns aliados, pois prefeitos so­freram assédio dos progressistas para trocarem de partido.
Aliás, dos partidos da base, o PP é o que está mais incerto nes­te momento, já que o seu presidente regional e vice-go­vernador, José Eliton, está se­guindo para o PSDB. Com isso, muitas cidades não têm mais a certeza de candidaturas.
Em termos de eleição, a frase “cada um por si” nunca fez tanto sentido quanto em eleições municipais. “O desgaste entre correligionários é praticamente inevitável nesta época do ano onde faltam pouco mais de 30 dias para terminar o prazo de filiações”, revela um membro da base aliada.
Se não houver mudança na legislação eleitoral com a Reforma Política, o prazo para novas filiações termina um ano antes da próxima eleição, isto é, no final de setembro. Assim, cada prtido vai querer se fortalecer sobre o outro e o troca-troca partidário certamente gerará conflito entre partidos.

Região Metropolitana
Entretanto, em algumas cidades isso não deve ocorrer, pelo menos entre os principais partidos da base. Goiânia é o exemplo clássico. Por aqui, a briga deve ser outra. O inchaço de candidatos entre os principais partidos da base já tem confrontos por viabilização. Ao menos 11 nomes governistas são concorrentes para o Paço.
Briga que, inclusive, ultrapassa os limites da base e adentra ao universo interno dos partidos individualmente. O PSDB, por exemplo, são seis nomes com interesse em pleitear à cadeira da prefeitura de Goiânia. Já no PSD, são quatro os postulantes. O PTB quer lançar o nome do deputado federal Jovair Arantes ou o do deputado estadual Henrique Arantes. O PP, apesar de ter alguns nomes, não definiu candidatura na capital, assim como outros partidos da base (confira o quadro).
Em Aparecida de Goiânia e Anápolis, o cenário aponta para lançamento de candidaturas em separado. União, apenas caso haja segundo turno. O PSDB não deve abrir mão de uma candidatura própria na grande parte dos grandes municípios. O PSD tem trabalhado o nome de quatro de seus correligionários, além de PTB e PP que também alimentam o desejo de comandar uma das três maiores cidades do Estado.
Aparecida, talvez, seja dos maiores municípios o que mais reúna condições de agregar a maio­ria dos partidos. O PSDB tem como pré-candidatos na­que­la região os dois vereadores do partido: a delegada Dr.ª Cy­belle Silva e Manuel Nasci­men­to, além do Comandante Geral da Polícia Militar de Goiás, Sílvio Benedito (PSDB).
O PTB ainda espera um aceno do deputado Marlúcio Pereira. O parlamentar tem o total apoio do deputado federal e presidente do PTB, Jovair Arantes, para pleitear novamente à prefeitura de Aparecida. Ele, porém, estuda migrar para o PRB.
O PSD não tem nomes em Aparecida, mas, segundo o de­putado estadual Lincoln Tejota (PSD), não terá dificuldades em apoiar uma dessas duas alas. O PDT, segundo o presidente re­gional George Morais, terá candidato por lá. Será o vereador Waldemar Suldamérica. “É o nosso nome”, diz George.
Em Anápolis, o PSDB tem como nome principal o deputado federal Alexandre Baldy (PSDB). Na semana passada, surgiu a informação de que o ex-deputado Frederico Jayme (sem partido) pudesse se filiar ao PSDB e predispor a buscar a prefeitura de Anápolis.
O PTB de Anápolis, segundo Jovair, está consolidado e deverá ter candidato. Dois nomes se destacam: o dos vereadores Frei Valdair (PTB) e Jean Carlos (PTB). Assim como em 2012, no PDT o ex-deputado estadual José de Lima tem o desejo de concorrer, mas a posição por enquanto não é assegurada pelo presidente do partido George Morais. O PP terá um nome: o do ex-deputado federal Pedro Canedo.
Na capital da fé, Trindade, o PSDB tem candidato certo. O atual prefeito Jânio Darrot tem a simpatia da direção do partido e é pré-candidato. Só não concorrerá se não quiser. No local, o PDT também busca candidatura própria e já conta com seis pré-candidatos. Os demais partidos ainda tem rumo incerto.

Indefinições
Partidos como PSD, PDT, PPS e PR ainda não têm posições definidas na maioria das maiores cidades do Estado. Exceção cabível ao PSD, que nos maiores centros do Entorno tem candidato, os demais estão com diálogos em curso pelo interior. Até aqui, evitam citar nomes, mas garantem que a movimentação é constante.
Há uma preocupação em termos de composição com as eleições de 2018. É o que garante o deputado federal Marcos Abrão (PPS), para ele, esse mo­mento tem relação direta com 2018 e que o partido trabalha nesta direção. “Nós não trabalhamos com aliança só em eleições municipais. Estamos trabalhando também para 2018”, revela.
Sobre o seu partido, segundo ele os diálogos de agora preveem uma analise individual de cada um e as composições ainda não estão claras neste momento. “Nós vamos analisar cada município, situação por situação. Devemos realizar uma reunião da juventude agora no dia 29 e conversar sobre isso”, declara Abrão.

Outros
No Sudoeste goiano o nome certo e mais consistente da base é o do deputado Heuler Cruvi­nel (PSD) que deve ser candidato a prefeito de Rio Verde. O PSDB ainda não definiu, mas segundo o presidente do partido Afrêni Gonçalves (PSDB) não deve ter dificuldade em apoiá-lo. Apoio certo a Heuler é do PR. Ainda na cidade de Rio Verde, o PDT tem o nome do em­presário Francisco do KGL como pré-candidato.
Em Itumbiara, a maioria dos partidos ainda estão indefinidos. Até aqui, apenas é certo que o deputado estadual Álvaro Gui­marães (PR) tem o total apoio do partido e já foi colocado como pré-candidato pela cúpula. O PTB tem o atual prefeito Chico Bala que poderá se candidatar à reeleição, além do ex-prefeito Zé Gomes, que tem candidatura incerta, pois enfrenta problemas junto à Justiça.


Base seguirá dividida na maioria do Entorno de Brasília

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A base governista domina as maiores cidades do Entorno em termos eleitorais. Luziânia, Água Lindas, Val­paraíso e Formosa são os maiores municípios respectivamente daquela região. Três deles têm como prefeitos membros de partidos da base como PSD – dois prefeitos – e PTB – um prefeito. Apenas Valparaíso é administrada pela oposição ao governo.
Em Luziânia, a decisão passa pelo deputado federal Célio Silveira (PSDB) que vai apoiar o ex-deputado Marcelo Melo (PMDB). Marcelo deve se transferir para o PSDB e confrontar-se com Cristovão Tor­min (PSD) num duelo de base governista. “Eleições municipais é não tem nada a ver com união para o Estado”, disse Célio so­bre o confronto. O PSD ainda po­derá lançar o deputado estadual Diego Sorgatto, já que Tormin anda com baixa aprovação.
A cidade de Águas Lindas tem como principal nome o prefeito Hildo do Candango (PTB). Ele confirmou à reportagem que é pré-candidato à sucessão e disse acreditar que pelo menos o PSDB deve se unir a ele. “Acho que nessas eleições, pelo menos o PSDB se una com nosso grupo”, disse Hildo. Seu adversário da base será o ex-prefeito Geraldo Messias (PP), para a disputa de 2016. Messias, porém, negocia com o PMDB e poderá disputar o pleito pela oposição.
Formosa e Valparaiso possuem cenários distintos. Em Formosa, o prefeito Itamar Barreto (PSD), bastante desgastado em sua administração, pode concorrer novamente ao cargo por escassez de nomes da base. O PSDB não garante apoio a ele, apesar de ocupar a vice na prefeitura com Argentina Martins (PSDB). “Se fosse hoje apoiaríamos, mas tudo pode mudar”, garantiu Célio Silveira.
Os demais partidos ainda não se definiram sobre possíveis composições em Formosa. Em Valparaíso, o nome mais cotado da base é o da secretária da Cidadania Leda Borges (PSDB), tem o apoio do partido, mas não de­fi­niu se vai ou não concorrer. En­quanto isso, o vereador Pablo Mos­soró (PSDB) pode ser bancado pelo partido. O PP pode ter o nome do vereador Afrânio Pi­mentel, que poderia se candidatar caso Leda Borges não concorra. Já no PDT, o presidente do diretório municipal do partido Ricardo Viana é nome certo. (M.B.)

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