A importância do planejamento educacional

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Marcelo Ferreira de Oliveira

O ato de planejar é intrínseco à ação humana. Há registros que remetem à pré-história narrando atividades articuladas com o objetivo preciso de se alcançar, com êxito, as necessidades de subsistência. Se nossos antepassados longínquos se dispuseram a estabelecer relações no intuito de conquistarem suas metas, o que seria de nós, no mundo contemporâneo, se assim não procedêssemos?
O século XXI é permeado por uma dinâmica temporal cada vez mais intensa, por uma série de inovações tecnológicas, por princípios jurídicos a serem seguidos, por uma rede complexa de subjetividades e pela emergência de identidades tão acentuada pela lógica da diferença que faz a histórica Torre de Babel parecer singela. Sem nos organizarmos no tempo, sem pensarmos nossos objetivos com expertise, sem planejar com responsabilidade nossas ações, o caos, em seu sentido mais negativo, se instaura. Pensando nessas necessidades que nossa atual sociedade exige é que a Secretaria de Estado da Educação vem promovendo, entre várias de suas ações e estratégias motivacionais, um conjunto de medidas com o intuito de fortalecer nas escolas a cultura do planejamento.
Não há gestor que não precise acompanhar, juntamente com a coordenação pedagógica, o plano de aula de seus professores. Não há professor que desmereça essa ação pedagógica. Não há aluno que não reconheça sua importância. Inocência daquele profissional da educação que acredita que nossos alunos não fazem a distinção entre uma aula previamente planejada das improvisações imediatistas que fogem, na sua essência, dos objetivos. Essa necessidade não se dá apenas pelos princípios jurídicos presentes na legislação estadual que versa sobre as atribuições do professor. Mais do que isso: ao se organizar a atividade pedagógica no tempo e espaço, pensando na melhor estratégia de ensino, nas metodologias e recursos que melhor atendam às demandas do corpo discente, é que a escola efetivará seu compromisso como instituição mediadora do conhecimento acadêmico e do conhecimento humanístico, promovendo assim uma formação cidadã de fato.
É nesse sentido que o plano de aula deve se configurar como documento de referência para a ação educacional de qualquer unidade de ensino. Esta, ao se preocupar em promover as potencialidades e competências de todos envolvidos nas relações que se realizam a partir do sistema educacional, não pode depender exclusivamente de uma criatividade instintiva. O ato de planejar, de forma continua e sistêmica, dá um ritmo à ação pedagógica que, ao contrário de se configurar como uma burocracia vazia de sentido, proporciona ao profissional da educação a possibilidade de organizar seu tempo e otimizar seu trabalho.
Uma aula devidamente planejada, inclusive, minimiza de forma precisa um dos grandes desafios que as unidades escolares apontam: a indisciplina. Com o desenvolvimento do conteúdo organizado num tempo previamente definido, com as expectativas de aprendizagem bem articuladas a uma metodologia coerente com a realidade da escola, a regência da sala segue um fluxo mais harmônico e contínuo.
Uma das tarefas da Secretaria de Estado da Educação é promover as condições para que a ação pedagógica devidamente planejada se efetive da melhor forma possível. Ao se planejar uma aula é possível garantir maior eficácia na mediação dos conteúdos, proporcionando ao aluno alcançar as expectativas de aprendizagem de antemão pensadas.
É nesse movimento que o programa Reconhecer também busca incentivar essa cultura da construção do plano de aula: como uma ação comprometida com o desenvolvimento do sistema educacional.

Marcelo Ferreira de Oliveira é professor efetivo da rede pública estadual, especialista em Estudos Regionais e Gestão de Empresas e subsecretário Metropolitano de Educação

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