Associações sumiram

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Altair Tavares, rádio 730AM

Altair Tavares, Rádio 730

O tão falado movimento comunitário de outros tempos hoje resume-se a uma expressão que perdeu sentido e força política no contexto das cidades, em especial, em Goiânia. Um termômetro para avaliar é a ausência das lideranças de associações de moradores nos grandes debates feitos na cidade e que passam pelos meios de informação. Em tempos anteriores, líderes de grupos de associações comunitárias eram muito respeitados.
A atuação, é fato, se dá em alguns raros momentos de debates na Câmara Municipal de Goiânia, mobilizados por vereadores que tem algum tipo de articulação política com as associações comunitárias.
Neste período, é comum aparecerem lideranças comunitárias dentro do processo de escolha dos novos Conselheiros Tutelares. A disputa mobiliza diversos interesses e, inclusive, tem a participação de vereadores.
Já foi falado, há algum tempo, do importante papel articulador e de liderança que o antigo Conselho Consultivo das Associações de Bairro (CCAB) tinha na década de 80 e 90, na capital. Hoje, praticamente, uma entidade fantasma que vive apenas na memória.
O movimento comunitário foi base para o nascimento e consolidação de diversas lideranças. É o caso do ex-vereador Maurício Beraldo, entre outros. Ocupado por integrantes de partidos de esquerda ou mais “progressistas, principalmente, nas referidas décadas, não havia como ignorar a força mobilizativa que era conseguida, à época.
Foi, exatamente, no cargo de Assessor para Assuntos Comunitários do governador de Goiás Henrique Santillo (1987-1990) que o atual chefe do Executivo, Marconi Perillo, deu um pontapé para eleições posteriores.
No governo do ex-prefeito de Goiânia, Darci Accorsi (1993-1996) o apelidado projeto Goiânia Viva, em que o orçamento da capital era discutido e decidido com a cidade, foi dado um espaço para maior participação das lideranças nas definições sobre obras. Ele valorizava as lideranças, mas causou mal-estar com os vereadores que ganharam, junto, uma parcela do orçamento para suas prioridades.
Hoje, são escassas as aparições de lideranças comunitárias, talvez, inclusive, pela perda de prestígio que a função detém. Apenas, ganham reforço em períodos eleitorais quando, com articulações políticas, são integrados a campanhas eleitorais.
Em síntese, a expressão “movimento comunitário” está enterrada na história da cidade. Sem movimento, muito menos comunitário.

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