“Eu quero distância do PT”

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Vereador - Tayrone di Martino

Ex-petista confirma filiação ao PSDB para a próxima quinta-feira, dia 24, em solenidade que contará com a presença do presidente nacional do partido, senador Aécio Neves, em Goiânia. Em entrevista exclusiva ao Tribuna do Planalto, Tayrone Di Martino explica os motivos da sua filiação ao PSDB e diz que conversou bastante com o governador  Marconi Perillo para tomar a decisão. Faz críticas à direção do PT e ao prefeito Paulo Garcia, afirma que quer “distância” do seu antigo partido e que chega ao ninho tucano como “soldado” para ajudar a sigla nos seus projetos para Goiânia, para Goiás e para o Brasil. Sobre o governo Dilma, ele não sabe o que é pior: o impeachment da presidenta ou deixá-la, mesmo sem governabilidade, comandando o Brasil.

Ronaldo Coelho e Manoel Messias

Tribuna do Planalto: Vereador, a sua filiação ao PSDB já está definida?
Tayrone Di Martino: Sim,
conversei com as pessoas ligadas a mim, a gente fez uma avaliação muito grande sobre qual partido eu deveria me filiar. Quando aconteceu a expulsão por causa da votação do IPTU eu tinha a certeza que queria continuar fazendo política de projeto, de grupo, e não política individual. Se eu quizesse fazer política individual eu iria para um partido pequeno, ia comandar esse partido e pronto, eu fazia a minha atuação política. Mas eu sempre achei que a gente não deve construir projetos pessoais na vida política, a gente deve construir projetos públicos e coletivos. Com esse intuito eu gostaria de ir para um partido grande. Fui convidado também para ir para o PMDB, cheguei a conversar com o ex-prefeito Iris Rezende. Só que eu fiz uma avaliação de que se eu queria uma independência depois que sai do PT, o PMDB tem a sua proximidade com o PT e vai que na eleição o PMDB e o PT voltam a estar juntos. Então, para  eu ter tranquilidade de construir um projeto da forma que eu acredito que tem que ser, independente, eu fiz opção por filiar ao PSDB.

O senhor citou que conversou com o PMDB, mas pelo fato de o partido estar próximo do PT o preferiu o PSDB. Isso significa que o senhor quer distância do PT?
Quando eu estava no PT eu fiz um trabaho para não ser expulso. Eu fui para as reuniões internas e apresentei as minhas defesas. Inclusive recebi uma proposta antes da última votação do IPTU, em dezembro. Veio um interlocutor do prefeito e disse para mim o seguinte: ‘Se votar  aqui pelo IPTU Tayrone nós vamos garantir a sua permanência no partido, virar a página e aí está tudo resolvido’. Eu falei assim: ‘Não, o que estou discutindo aqui não é isso. Estou discutindo aqui um projeto para que eu possa desenvolver no partido’. Se eu permanecesse no PT, quando o Paulo Garcia terminasse o mandato, pela gestão ruim que Goiânia tem passado, e por mais que ele tente agora fazer algumas ações já está consolidado que essa gestão foi muito ruim, as pessoas iam falar dentro do PT que eu estava correto, que no momento que precisou ser coerente e defender as bandeiras do partido eu defendi. Só que o partido me expulsou e eu segui minha trajetória. E isso significa o quê? O partido que falou que tinha coerência, que era responsável e a gente vê fazendo totalmente diferente daquilo que sempre pregou obviamente eu não quero proximidade com esse partido e não quero proximidade fazendo política com as pessoas que, de fato, estão no PT, tanto em Goiânia, como em Goiás e no Brasil, porque não é o princípio e o jeito que eu quero para a política. Eu não admito, por exemplo, fazer injustiça conforme as
injustiças que eu sofri dentro do PT. Então, eu quero distância do PT.

Ficou decepcionado…
Fiquei. Tenho amigos. Quero deixar muito claro que às vezes a gente cria relação de amizade que extrapola a relação de política. Se você falar comigo: “Tayrone, todas as pessoas do PT te decepcionaram?” Não. Aliás eu tenho muito amigos dentro do PT que quero continuar mantendo contado pela amizade, não pelo partido. Agora, a direção do partido, quem comanda o partido, quem dá a linha do partido em Goiânia me decepcionou e mostrou que não sabe fazer política e que a política para eles é um bem próprio e não um bem comum.

O prefeito, os assessores dele na administração municipal também o decepcionaram?
Na verdade, a direção do PT hoje não tem autonomia. Ele segue a orientação do prefeito Paulo Garcia. Então, quando eu disse do PT, eu estou dizendo do PT e sua representação máxima no executivo municipal, que é o prefeito Paulo Garcia. Infelizmente, o partido, ao invés de ter autonomia, inclusive fazendo críticas, podendo ponderar e podendo ajudar a adminsitração municipal no caso de Goiânia, o PT virou um apêndice do prefeito que fez o que quis nesse momento da minha expulsão. Ele tomou a decisão da minha expulsão e as pesssoas só cumpriram a decisão que ele tinha tomado.

 O governador Marconi Perillo teve papel decisivo na sua decisão de se filiar no PSDB?
Quando fui expulso do PT, em janeiro deste ano, no dia seguinte o governador Marconi Perillo me ligou.  Ele ligou para falar que estava me desejando solidarieadade, que tinha visto a minha movimentação e tinha respeito pela minha atuação. Depois recebi convite para ir para o PTB, para o PROS, para o Solidariedade, para o PMDB, para o PP, para o PSD, para  PPS, para o PSB. Cheguei a conversar em dois momentos com o Vanderlan Cardoso. Fiquei analisando qual o melhor projeto e o melhor partido para me filiar. Na festa de Trindade desse ano estive novamente com o governador. Lá ele reafirmou o convite de dialogoar comigo e para eu realmente me filiar ao PSDB. Depois disso algumas pessoas do próprio PSDB entraram em contato comigo para dizer que o governador tinha interesse na minha ida. Num almoço o governador fez a defesa daquilo que eu poderia representar para o PSDB e eu disse para ele que tinha total interesse de filiar e a partir disso a gente estreitou os laços sem nenhum tipo de barganha. Não fiz nenhum tipo de pedido de cargo ou de qualquer ação para me filiar ao PSDB. Estou me filiando ao PSDB como soldado.

Como petista militante que foi o senhor teve embates históricos com o PSDB e fez muitas críticas ao partido e aos seus dirigentes. O senhor mudou o seu ponto de vista?
Para ser coerente a gente precisa ter críticas em todo ambiente que a gente esteja. Por exemplo. Na minha própria família eu tenho críticas de posturas de familiares meus. Todos nós temos possibilidade de acertar e de errar em todos os momentos da vida. Eu tenho uma atuação efetiva na igreja e faço críticas dentro da igreja. Indo para o PSDB não significa que eu não vá fazer críticas. Vou fazer as críticas, mas vou ajudar o PSDB a fazer aquilo que acredito e amadurecer e alguns aspectos do mesmo jeito que o partido vai me fazer abrir o olhos, avançar e amuderecer em inúmeros outros aspectos. Aqui estamos criando uma relação em que eu vou dar um pouquinho da minha caminhada, mas vou aprender muito também com os outros grandes líderes que tem dentro do PSDB, que já têm uma caminhada, uma história. Eu defendo a tese que diz o seguinte: existem pessoas boas e pessoas ruins em todos os lugares. E eu quero dentro do PSDB, junto com as grandes lideranças que já existem lá, e são pessoas boas, ajudar a fazer uma atuação política para a gente fazer o bem.

O seu projeto político permanece em Goiânia?
Sou vereadore em Goiânia, mas estou entrando para o PSDB como um soldado. Hoje nesse momento não sou candidato nem a vereador. Não estou no ônibus e querendo ficar na janela e nem numa classe nova e querendo ficar o primeiro lugar. Lá quero mostrar minha capacidade e conquistar meu espaço. Eu quero continuar na vida pública e para continuar na vida pública voce precisa de conquistar espaço. Não chego no PSDB exigindo ou impondo nada. O partido vai entender qual o melhor caminho para que eu possa ajudá-lo.

O Padre Robson  tem influência na sua atuação política?
O Padre é um amigo que eu prezo muito. Muito do que aprendi na minha vida profissional, muito do que sou eu devo e dependo do padre.

Ele teve paticipação na sua escolha pelo PSDB?
Não. Nenhuma. Ele não participou de nenhum tipo de negociação. O padre sempre foi assim: ‘Tayrone, o melhor caminho para você é esse e tal. Ele ajuda a ampliar a discussão. Em nenhum momento ele impôs alguma coisa. O Padre Robson diz “eu acho que você precisa seguir esse caminho que é melhor para você do ponto de vista espiritual, do ponto de vista da sua fé, do ponto de vista da igreja. ‘ Ele sempre cita muito: ‘A igreja pensa assim nesses assuntos sociais, nesses assuntos de impostos. O que ele me ajuda é na minha coerência para defender o que a igreja sempre defende.

Ele tem papel importantre na sua carreira política…
Ele tem papel importante na minha vida. Ele é uma pessoa muito sábia, um orientador espiritual muito impotanrte na minha ida. Abriu minha mente, clareou cenários. As vezes eu pego um assunto da política e converso com as lideranças da política. Com o Padre Robson, sem quer fazer qualquer interferência na política, ele consegue ampliar aquele quadradinho em 10, 15 vezes para a gente ver cenários diferentes. O Padre Robson é uma pessoa muito sábia.


Renúncia da vice de Gomide

A sua candidatura a vice-governador foi um erro também?
O Gomide é uma pessoa coerente, fez uma excelente gestão em Anápolis e tem história perfeita na política. aquela conjuntura você tinha o Gomide sendo candidato, o Tayrone que foi indicado para a vice e você tinha outro grupo do PT que eram as pessoas ligadas ao prefeito Paulo Garcia, à Aticulação, e ao Iris Rezende, que cruzaram os braços e não fizeram campanha em nenhum momento para o Gomide. Isso era público e notório. O Paulo Garcia ia em enventos que o Gomide esta, pedia votos, à vezes, para os candidatos a deputado da chapa, mas citava o Gomide por protocolo. Não tinha empenho e não colocou as pessoas para apoiar a candidatura do Gomide. Quando veio a votação do IPTU eu me posicionei claramente contra o aumento abusivo e aí eu recebi todas as sanções negativas do partido. Por exemplo. Pessoas que tinham me apoiado para vereador foram demitidas no momento em que eu votei contra o IPTU. Além disso, fui suspenso pelo partido. Para piorar, nos eventos que eu comecei a ir depois da votação do IPTU passei a ser hostilizado dentro do próprio partido. Então, essa ação e a omissão da tendência do Gomide de não me defender publicamente, nada mais sério, mais correto, de caráter, do que naquele momento ter renunciado e ter dado o recado para o partido.


Impeachment ou continuidade do governo Dilma?

O senhor está falando de aspectos internos do PT. O senhor acha que depois de tudo o que  agente vê no cenário nacional, com tanta gente do partido presa, o PT resiste como partido ou é apenas mais uma sigla?
A minha avaliação é de que o partido nasceu com um propósito e o perdeu totalmente. Você pode falar hoje que o PT é diferente dos outros partidos? Se alguém falar que é diferente, ele é diferente para pior. Não é diferenerente igual foi lá atrás, quando era para melhor. Tinha um discurso de que era um partido ético. Hoje você não tem nem a posssibilidade de falar que o PT é um partido ético. Antes você podia falar que era um partido que defendia o social. Acabei de mostrar para vocês que os programas sociais efetivos do governo Lula foram copiados de outras gestões e aí ele tem o mérito de pegar boas ideias e implementá-las, mas de outras gestões, inclusivie do governador Marconi Perillo, que é não é do PT. O PT sobrevive enquanto partido? Ele sobrevive enquanto partido. Mas você pode dizer que o PTé um partido de ideologia, é um partido de esquerda? Isso jamais. Jamais alguém pode falar que o PT é um partido de esquerda, que é um partido que teve conceito diferenciado. Eu tenho aboluta certeza que hoje, não só em Goiânia, mas no cenário nacional também, que o PT perdeu todas as suas características para as quais foi criado.

E a Dilma nessa corda bamba. O que o senhor acha?
Eu acho que o impeachment é uma coisa muito ruim para a nação, tenho muita clareza disso. Passar por esse processo é uma coisa que pode afetar a economia, como já está afetando, o social, a estabilidade política. Pode afetar uma série da coisas. Mas agora eu também vejo que a Dilma, nesse momento, não governa mais o País. Ou seja, ela já perdeu o controle nacional. O que a gente precisa avaliar no cenário nacional é: o que vai ser menos pior, porque os dois são ruim. O que vai ser menos pior? Mesmo a Dilma sem governabilidade e sabendo que ela tem poucas chanes de retomá-la, continuar com esse governo ruim até o seu final ou ceifá-lo agora e tentar outra possibilidade: Hoje nós estamos, como diz o ditado popular, entre a curz e a espada. A gente precisa fazer essa avaliação. O que vai ser menos pior para o Brasil.

 

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