O Alienígena

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Jorge de Lima –

Uma historinha de um indivíduo. Ele era conhecido no meio social como o ser que vive no mundo da lua, apático, “alienígena”, “goiaba”, “pastel” estranho. Vivia em outra galáxia, distante, abduzido por pensamentos diversos e aleatórios”, a morte da bezerra nas terras do além. Excêntrico, de poucos amigos, calado e quieto, um ser meditativo e estranho. Qual o diagnóstico desta figura?
O problema cognitivo de “estar alienígena” pode servir de base para muitos tratados de psicopatologia que vão dos estados de ansiedade acentuados ao déficit de atenção e hiperatividade. Todavia tais rótulos e estigmas perdem-se em uma visão na qual toda dinâmica de vida de uma pessoa é renegada. E de quem é o relato do primeiro parágrafo?
Divagar com frequência tem vários sentidos e uma complexidade ampla. Muitos dos gênios da história da humanidade eram típicos alienígenas, Einstein, Mozart e Frank Zappa, por exemplo. sociedade de consumo pelo contexto da neuro psicopatologia. A cultura do biológico explica tudo de forma positivista. Nosso personagem do primeiro parágrafo retrata Fernando Pessoa. A inteligência elevada mostra um dos primeiros fatores de divagação pela alta capacidade de abstração típica dos gênios. Desdobrar percepções e pensamentos é algo superior a média humana e, por isto, fora de uma convencionalidade massificada.
Se um indivíduo tiver alta crítica social, provavelmente sofrerá da angústia, sentindo-se um peixe fora d´água, mesmo em ambientes aos quais tenha familiaridade, especialmente quando estes o relegarem à vida instintiva, coisificada e vazia. Voltamos ao sentir-se alienígena.   Angústia,   tristeza,  sentir-se  deslocado,  sozinho no meio de muita gente é o comum
atualmente para quem pensa e tem um mínimo de moral e ética.
A vida religiosa é outro fator de ruptura com a convencionalidade, a mística (conceito da teologia) impõe a vida religiosa, a busca da individuação, a estranheza com a convencionalidade, gerando o estado “alienígena”. Todo místico é um grande peixe fora d’água. Isto por que desdobra com facilidade sua percepção por meio da intuição. E ai de quem pedir a um “normal” entender isto!
Por fim, digo: se você se sente sozinho, deslocado, apático, como um “alienígena” por pensar e ter valores, fique tranquilo. São pessoas como você que fazem a grande diferença neste mundo. Por favor, continue assim.

Jorge Antonio Monteiro de Lima, analista e psicólogo clínico, pesquisador em saúde mental, escritor, cronista e músico

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