2015, um ano perdido

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O cenário econômico brasileiro não poderia ser pior. Enquanto tenta administrar uma crise política que só tem precedentes no impeachment do ex-presidente Fernando Collor, na década de 1990, o Governo Federal convive com outra séria crise, talvez pior que aquela, uma crise econômica sem precedentes nas últimas décadas.
Para se ter ideia da situação, o agravamento da crise econômica nos últimos dias e a deterioração no quadro fiscal obrigaram o Banco Central a rever, para pior, suas projeções oficiais para a inflação e o Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2015. No Relatório Trimestral da Inflação, divulgado na quinta-feira, dia 24, a instituição prevê que a atividade econômica vai encolher 2,7% neste ano, uma queda bem mais acentuada do que a estimada no boletim anterior, de 1,1%.
A projeção do PIB, que, se confirmada, será a maior retração desde 1990, quando recuou 4,35%, acompanha a revisão também para baixo do desempenho de praticamente todos os setores da economia, a indústria, o comércio e a prestação de serviços.
De acordo com o relatório, a trajetória da atividade econômica interna “segue repercutindo o impacto, sobre os mercados de trabalho e de crédito, do ajuste macroeconômico em curso no país”. Além disso, a economia nacional sofre os efeitos negativos advindos do rebaixamento da nota de crédito do País pela agência Standard & Poor’s.
Essa recente reclassificação da dívida soberana brasileira por uma das principais agências de rating afeta diretamente as expectativas no curto prazo e custos no médio e longo prazos. Tudo isso, admite o BC, implica custos maiores para os agentes econômicos e acrescenta prêmios de riscos que tornam mais lenta a recuperação da confiança e, consequentemente, a retomada de atividade.
Para piorar tudo, o Banco Central também elevou a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), responsável por medir a inflação oficial, de 9% para 9,5%. Desta forma, a instituição reconhece que a inflação chegará a um patamar superior ao dobro do centro da meta definida pelo governo, de 4,5%.
Ou seja, nossa economia está no fundo do poço. Mas nada que não possa piorar. Basta lembrar que o dólar já ultrapassou a casa dos R$ 4,00, valor nunca alcançado. Em outra frente, o desemprego no País segue em trajetória de alta. A taxa de desocupação em agosto subiu para 7,6%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na quinta-feira passada No mês anterior, o índice estava em 7,5% e há um ano em 5%. Este é o maior porcentual para o mês desde 2009, quando o país sentia os efeitos da crise global de 2008. Na ocasião, a taxa foi de 8,1%.

Manoel Messias – Editor-substituto

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