“A partir de agora eu sou oposição”

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Ozair José, vice-prefeito de Aparecida de Goiânia
Ozair José, vice-prefeito de Aparecida de Goiânia
Ozair José, vice-prefeito de Aparecida de Goiânia

Vice-prefeito de  Aparecida de Goiânia, Ozair José afirma, em entrevista exclusiva à Tribuna do Planalto, que não se filiou ao PMDB porque não tinha espaço no partido para se candidatar a prefeito no ano que vem. Convidado pelo governador Marconi Perillo e pelo vice-governador José Eliton, foi para o PSDB, passando a integrar a oposição ao prefeito Maguito Vilela no município. O vice-prefeito confirma que já conversou com o prefeito e expôs a ele os motivos dessa guinada política e que espera ter boa convivência no governo já que Maguito tem espírito “democrático”. Ozair declara ainda que sonha ser prefeito de Aparecida, mas que chega ao ninho tucano como soldado. Caso seja confirmada sua candidatura fará companha propositiva, mas garante que vai bater onde achar coisas erradas no governo municipal.

Ronaldo Coelho e Manoel Messias
Tribuna do Planalto: Vice-prefeito Ozair José, a que se deve essa decisão radical de deixar a base do prefeito Maguito Vilela e passar a integrar a oposição em Aparecida?
Ozair José: Toda a população conhece a nossa luta desde de 2008 quando o Maguito foi para Aparecida. Eu era pré-candidato a prefeito pelo Partido Progressista e minha intenção era sucedê-lo em 2012. Como ele era contra a reeleição eu achava que não ia disputar a reeleição. Mas ele disputou entendendo que haviam ficado algumas coisas a serem realizadas no município. Fui candidato a vice dele e ganhamos a eleição em 2012 e, naturalmente, o nosso projeto continuava pensando na sucessão de 2016. Agora está chegando esse momento eu estava no PT e dentro do PMDB são vários pré-candidatos. O prefeito e o partido sempre colacando que o candidato a prefeito da base vai ser do PMDB. Naturalmente eu teria que deixar o PT para ingressar no PMDB. Conversei com as lideranças do partido e não consegui achar esse caminho dentro do PMDB, que é esse projeto que a gente tem de governar o município de Aparecida.  Entendendo que não tínhamos espaço no PMDB e a partir do momento que tivemos uma conversa com o vice-governador José Eliton e com o governador Marconi Perillo eu decidi ir para o PSDB para tentar aglutinar a oposição e, a partir daí, discutir quem vai ser o candidato.

Mas o senhor foi convidado a se filiar ao PMDB…
Só que lá nós não tínhamos espaço. São vários pré-candidatos e se fosse para uma disputa dentro do diretório jamais teria chance.
Por que o senhor pensa assim?
O diretório já foi montado para beneficiar alguém. Na formatação o diretórtio ficou mais ligado ao vereador Gustavo Mendanha.

Isso pesou então?
Sem dúvida. Estou indo para a base do governador Marconi Perillo para agutinar as forças políticas de oposição no município. Dentro do PMDB eu fui claro, com os integrantes do partido e com o prefeito Maguito Vilela, que eu não iria para o PMDB se não fosse feita uma composição dentro do partido que não desse a mim a oportunidade de ser o candidato.

O senhor não iria para o PMDB se não tivesse garantia de ser o candidato?
Não iria. Isso aí eu fui muito claro com o PMDB. Tentei de todas as formas conversar e convencer os integrantes do PMDB, mas infelizmente não tivemos essa abertura. E sei que isso iria se arrastar até a convenção e na convenção sei que não teria chance alguma.
A escolha seria tendenciosa?

Um pré-candidato que tem a maioria naturalmente ele teria mais chance.

O senhor disse que não se perdoaria se fosse para o PMDB e não conseguisse ser o candidato? Isso é verdade?
Eu não me perdoaria de forma nenhuma se eu fosse para o PMDB e fosse fritado, tendo em vista tudo que fizemos pelo prefeito Maguito Vilela e pelo grupo que comanda hoje o município. O Maguito sabe tudo o que fiz e o que eu lutei por ele em Aparecida. Portanto, eu não me perdoaria se filiasse ao PMDB e não fosse o candidato a prefeito.

O senhor ouviu os seus companheiros antes de tomar essa decisão de ir para o PSDB? Não houve restrição alguma?
Na minha saída do PT não houve resistência. Naturalmente a minha intenção era ir para o PMDB. Como não fui pode haver aí algum descontentamento porque hoje o PMDB e o PT são aliados. Mas penso que estou saindo para uma condição melhor. Também avançamos muito nas converas com os integrantes da base do governador em Aparecida. A partir do momento que houve sinalização do Palácio da possibilidade de ir para o PSDB iniciei a conversação. Nossa intenção é unir a base para termos um candidato competitivo para disputar com um candidato do prefeito Maguito Vilela.
No palanque o senhor vai fazer críticas à gestão do prefeito Maguito Vilela?
Cada prefeito a seu modo ajudou a cidade. Agora, reconhecemos também que o prefeito Maguito Vilela tem sido muito competente na busca de recursos no Governo Federal e que tem ajudado a transformar a cidade. Isso é importante. As parcerias com o Governo Federal, as parcerias com o Governo do Estado para que as coisas possam acontecer na cidade. Todos os aparecidenses reconhecem que o Maguito deu a sua parcela de contribuição. Agora, intreressante que a população tenha conhecimento que a partir de 2017 o Maguito não vai mais ser o prefeito de Aparecida. E ele precisa de um sucessor que tenha competência para fazer um bom governo

Tem no que bater ou não?
Estamos ainda há um ano para a eleição. Vai depender muito do que vai acontecer até o final da gestão do Maguito e  o início da campanha. Naturalmente vamos ter pesquisa, vamos avaliar. E onde nós tivermos que bater em cima do que estiver errado não tenha dúvida que vamos fazer. Mas queremos fazer uma campanha propositiva.

O senhor, caso seja o escolhido, será candidato que vai fazer oposição ao atual governo municipal?
Eu já fiz isso no passado. Em 2000 eu era vice-prefeito do Ademir e dispuitei uma eleição com ele e com o Norberto. Eu fiz oposição a ele, mas oposição respeitosa. Uma campanha propositiva. Foi um trabalho que ajudei a construir e vamos fazer campanha propositiva. Se houver um acirramento nós vamos estudar de que forma vamos fazer. Mas a partir de agora eu sou oposição em Aparecida. Vamos trabalhar na oposição. Vamos construir um projeto de oposição ao prefeito Maguito.
O senhor acha que o eleitor vai entender essa mudança de discurso?
Penso que o eleitor hoje vê muito o candidato, a pessoa. Já pude perceber isso. Tanto que em 2004 saí do PMDB e fui para o PP e quase venci a eleição em Aparecida. A população reconhece o trabalho que a gente tem feito por Aparecida. E a população me conhece. São 33 anos de vida pública dedicada à Aparecida.
Na tarde da última terça-feira, dia 22, o senhor conversou com o prefeito Maguito Vilela sobre essa guinada política. Como foi a conversa?
Expus para o prefeito as motivações que melevaram a definir a ida para o PSDB. Acho que ele reconhece o que a gente fez desde a chegada dele em Aparecida. Mas eu gostei da conversa. Ele entendeu porque quando ele me convidou para ir para o PMDB ele disse: ‘olha, analisa a base direitinho e vê qual o partido que você tem mais disposição pra ir’. Confesso que procurei até mesmo ficar no PT ou ir para outro partido da base. Só que quando veio o PMDB e disse que o candidato vai ser do PMDB naturalmente não tínhamos alternativa. Ou ia para o PMDB ou para a oposição. Espero ter convivência hamoniosa com o prefeito até porque ele sempre foi muito democrático. Ele mesmo disse recentemente que governo não faz oposição a governo e que o PMDB está aberto a conversar com todos os partidos, inclusive o PSDB. E o mesmo eu falo. Vamos abrir as portas do PSDB para todos os partidos, inclusive para o PMDB.
Foi bem recebido no PSDB?
Fui, claro. É lógico que tem outras  pessoas que tem interesse de disputar a prefeitura, mas eu quero dizer a todos os integrantes do PSDB que estou chegando no partido para ser um soldado. Quero construir. A base do governador Marconi Perillo é quem vai escolher o melhor nome para ser o candidato a prefeito. Na Assembleia sempre ajudei o governador e hoje tenho bom relacionamento com ele e com todos os integrantes da base do governador.
Como é que vai ser a relação com os outros pré-candidatos da base do governador?
Chego agora ao PSDB e vou respeitar as posições de todos os pré-candidatos. Todos terão o direito de colocar seu nome para discussão.

O senhor já conversou com Tanner de Melo, que foi para o PP, sobre a possibilidade de os dois vice-prefeitos de Maguito formarem chapa majoritária para disputar a eleição contra um candidato do prefeito?
Sem dúvida. Sempre tive muito respeito pela família do Tanner. Tive apoio da família dele em minhas campanhas eleitorais. Tive participação inclusive na articulação para o Tanner ser o vice de Maguito em 2008. E agora já estamos conversando. Ele está indo para o PP e nós já abrimos essa conversação. Existe da minha parte, da parte dele e das pessoas que estão com ele disposição de fazer essa união em favor de uma candidatura forte.

O PSDB vive crise interna. A indicação da nova comissão provisória aumentou a temperatura no partido. Como resolver isso?
Nós precisamos agora de criar o diretório para que todos aqueles que não estão fazendo parte da comissão provisória possam integrar o diretório. Esse é o nosso objetivo.


Perfil

Nome: Ozair José da Silva, 53 anos
Esposa: Selma de Fátima Pereira e Silva
Filhos: Renata, Camila e Augusto e uma neta, Laura.
Cargos públicos: Deputado estadual por três mandatos, duas vezes vice-prefeito de Aparecida, dois mandatos de vereador e secretário municipal duas vezes. É fiscal concursado da área tributária da prefeitura de Aparecida de Goiânia.
Profissão: Advogado

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