Seminário reforça protagonismo da sociedade

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Secretária Raquel Teixeira, durante a abertura dos trabalhos: “Desafio é chegar a um consenso, respeitando a diversidade de cada local”

Secretaria de Estado da Educação, Cultura e Esporte (Seduce) realizou em Goiânia o 1º Seminário Estadual da Base Nacional Comum Curricular

A Secretaria de Estado da Educação, Cultura e Esporte (Seduce) realizou na tarde de terça-feira, 29/09, o 1º Seminário Estadual da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O evento foi realizado no Auditório Mauro Borges do Palácio Pedro Ludovico e pode ser considerado o marco zero em Goiás de um amplo debate sobre uma base curricular que seja comum a todas as escolas de educação básica do país. O texto preliminar dessa base foi apresentado pelo Ministério da Educação (MEC) no último dia 16, e as contribuições podem ser enviadas até o dia 15 de dezembro.
O seminário reuniu autoridades federais e estaduais, representantes de instituições públicas e privadas, conselheiros estaduais de Educação, secretários municipais e regionais. Segundo a secretária Raquel Teixeira, que abriu a tarde de trabalho, o seminário foi muito exitoso por contar com um público bastante representativo.
“Essa é uma discussão muito nova e essencial, já que 80% dos estudantes de Ensino Médio estão em nossas escolas públicas”, disse a secretária.
Segundo ela, o desafio é chegar a um consenso sobre o que deve ser aprendido em todo o país respeitando a diversidade de cada local.
“Esse é um processo que vai alavancar a qualidade da educação”, disse a secretária.
O superintendente de Ensino Médio da Seduce, Wisley Pereira, é coordenador estadual da BNCC pelo Conselho Nacional de Secretários de Estado de Educação (Consed).
“Precisamos garantir o direito de aprender de todo aluno. Isso é um desafio e um compromisso nosso”, disse o Wisley.
Após o seminário, será montado um comitê estadual com a participação da Seduce, Conselho Estadual de Educação, Undime e outras instituições convidadas.
O público pôde conferir uma apresentação introdutória da proposta da BNCC e dos meios de participação com Ricardo Magalhães, coordenador geral de Ensino Médio da Secretaria de Educação Básica do MEC. O objetivo dessa unificação é dialogar e servir de parâmetro para o sistema de avaliação, o contrário do que acontece atualmente. Também, o objetivo é que a Base contribua com a construção da identidade e das relações com a comunidade. Por isso, o coordenador ressaltou que a construção da Base só vai ser exitosa se houver a participação de todos.
“A BNCC é uma conquista social e o ideal é que seja fruto do mais amplo debate”, disse Ricardo.


Palestrante alerta para importância da autocrítica

A principal palestrante do evento prendeu a atenção e entusiasmou o público presente com suas provocações e relatos de uma experiência de 45 anos na área da Educação. A professora doutora Guiomar Namo de Mello, diretora presidente da Escola Brasileira de Professores (Ebrap), falou sobre como a BNCC pode se tornar uma oportunidade imperdível de melhorar a educação básica. Antes de colaborar com o texto preliminar, ela convidou os presentes a uma autocrítica.
“Nossos direitos de aprendizagem foram respeitados? Se não foram, seremos capazes de participar desse processo?”, perguntou.
A professora Guiomar considera que o primeiro passo para a unificação é termos uma linguagem comum, passando pela etimologia, significado e concepções da área educacional.
“Nossa primeira encrenca é que há várias concepções do que é conhecimento”, disse, completando que estamos vivendo uma nova era da produção do conhecimento, e é preciso saber agir.
“A diversidade tornou nossa tarefa muito complicada e foram expostas as fragilidades do nosso currículo”, completou.
Um dos pontos ressaltados pela professora é que a Base não é um currículo, e, sim, serve para a criação de currículos diversos. Outro destaque é que a BNCC refere-se a quem aprende, e não ao comportamento dos professores.
“Não há professores e alunos padronizados. Mas o aluno deve atingir as proficiências; tem direito de pertencer à sociedade letrada. Sem isso, é desigual e injusto”, disse Guiomar.

Para especialista, a Base não é um currículo; serve para criar currículos
Para especialista, a Base não é um currículo; serve para criar currículos

Como participar
O sistema da BNCC aceita três formas de colaboração: individual; por meio das redes que reúnem discussões entre professores, comunidade e demais profissionais; e a partir de organizações, como instituições de ensino superior e grupos da sociedade civil. Para avaliar o documento e enviar sugestões, é preciso realizar o cadastro e seguir as orientações do sistema. As informações estão disponíveis no portal da BNCC:http://basenacionalcomum.mec.gov.br

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