A cunha do Cunha

0
1098
Altair Tavares, rádio 730AM

As contas e os valores, não declarados oficialmente, do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, na Suiça, são a “cunha” que faltava para, literalmente, “rachar” o mandado do deputado e seu rumoso mandado na direção do legislativo. A analogia entre o mandato e o equipamento utilizado para “rachar” lenha (A cunha) foi propositalmente preparada para um exercício ilustrativo para o momento.
É insustentável a situação do presidente da Câmara dos Deputados, alias, o legislative demonstra muita lerdeza na busca de uma solução política para o momento. Não é demais referenciar que em outros países, se o presidente do parlamento fosse denunciado num tribunal superior (e esse é o caso), o afastamento seria imediato. Aliás, a pedido do próprio acusado.
Aquí, no Brasil, no entanto, ele persiste. Trata-se de uma questão política e não de julgamento e, por isso, se ele (o Cunha) pensasse no país já teria pedido o afastamento ou o próprio parlamento já teria decidido pela substituição no cargo.
Em outras circunstâncias o exercício do mandato de deputado federal estará, evidentemente, sob julgamento. As contas na Suiça ( as cunhas), com documentos tão contundentes como cópias de movimentação, como foi demonstrado, forçam a ruptura.
A Procuradoria Geral da República identificou indícios de movimentação da esposa dele (o Cunha), Cláudia Cruz, em contas com US$ 24 milhões. Mesmo com todo benefício da dúvida, o caso é escandaloso, pois não há há dúvidas sobre a titularidade das contas e da origem dos valores.
O universo das provas (as cunhas) é abastecido pelo fato de que o presidente (por enquanto) da Câmara dos Deputados ter declarado à Justiça Eleitoral em 2014 o valor de R$ 1,6 milhão em bens. No entanto, as contas no exterior não foram declaradas. O quê é isso? Uma mentira documentada. Ele (o Cunha) tem
dois veículos da marca Posrche, BMW e Land Rover. Os automóveis estão registrados nas empresas atribuídas a Cunha e Claudia Cruz, a C3 Produções e Jesus.com. Jesus?
E ele (o Cunha) empobreceu segundo os documentos reunidos pela Procuradoria da República. Quando abriu conta nos EUA, tinha patrimônio estimado em US$ 16 milhões no periodo que era presidente da TELERJ. Perder dinheiro não é fácil.
A cunha funciona assim: Primeiro, são dadas algumas machadadas na madeira; depois, põe-se ela (a cunha); Bate-se com a parte anterior do machado até ela abrir mais a lenha e permite que ela seja rachada. Ele (o Cunha) pode resistir, mas a cassação é o destino, com “cunha” e tudo.

 Altair Tavares é comentarista das Rádios Vinha e 730 e editor do www.diariodegoias.com.br

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here