Entre a cruz e a espada

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Vira e mexe, surge em Goiânia uma polêmica relacionada às intervenções no trânsito, com reflexo nos espaços de uso comum, como passeio, praças etc. E nesses casos as críticas caem, sem dó, na decisão política de intervir no espaço público, quase sempre para dar fluidez ao trânsito ou para aumentar especificamente a rapidez nas viagens dos ônibus do transporte coletivo.
São inúmeros casos. Basta lembrar o ocorrido na Avenida Anhanguera, há uns bons anos, quando as tradicionais palmeiras que ficavam no centro da via, foram impiedosamente cortadas e arrancadas, causando indignação de meio mundo. Posteriormente, praças como Walter Santos e outras foram simplesmente fatiadas, restringindo ainda mais o espaço para o pedestre e moradores da vizinhança a esses locais.
Mais recentemente, a Avenida Goiás Norte viu tombarem lindos flamboyants que ali davam sombra e amenizavam o calor escaldante da capital. Como se poderia imaginar, as críticas da população não pouparam as autoridades municipais.
Em todos esses casos, a decisão evidentemente não foi fácil para o administrador municipal. Evidentemente se pudesse fazer as melhorias, dar fluidez no trânsito, como todos querem, sem derrubar uma árvore, essa seria a decisão do prefeito e seus secretários. Mas convenhamos, não é possível fazer uma omelete sem quebrar ovos.
Chegamos a tal ponto no trânsito de Goiânia em que o poder público não pode ficar inerte, esperando as soluções caírem do céu. A necessidade de rapidez no transporte coletivo é imperativa.
As aberturas de praças para o trânsito de veículos ocorrem sempre em locais que já não têm uso de pedestres, devido às sua características de serem essencialmente locais de trânsito de carros. Não faz sentido manter um pedaço de terra sem utilidade para a coletividade atrapalhando a fluidez do trânsito. A prefeitura deve zelar, sim, pelas praças e locais verdes onde a população possa utilizar-se desses espaços.
Ao gestor público cabe definir como isso deve acontecer. Diante da evidente falta de recursos para tomar decisões, de fato o poder público deve se posicionar e decidir por aquelas que atendam o interesse coletivo, ainda que desagrade parte da população. Pode desagradar até mesmo a maioria, mas ainda assim é legítima a decisão do gestor, desde que pautada por pesquisas, informações que lhe assegurem a necessidade. Muitas vezes, a chiadeira da população, comerciantes e outros atores envolvidos tem sentido, deve ser levada em consideração, mas ao final os interesses coletivos, que ultrapassam os individuais, devem prevalecer, porque infelizmente o progresso tem seu custo. Precisamos estar preparados para pagá-lo.

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