“Nós vamos fortalecer o debate técnico, o conteúdo”

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O ex-deputado Federal Luiz Bittencourt (PTB)

Ronaldo Coelho

O ex-deputado Federal Luiz Bittencourt confirma, em entrevista exclusiva à Tribuna do Planalto, que é pré-candidato a prefeito de Goiânia no ano que vem pelo PTB. Ele diz que o partido está aberto a alianças, tem bom relacionamento com o governador Marconi Perillo (PSDB) e as siglas da base aliada, mas que vai procurar manter postura de independência. Bittencourt declara ainda que pretende implementar um perfil técnico ao seu projeto de chegar à prefeitura de Goiânia e que vai procurar as melhores cabeças para ajudá-lo nessa missão. O pré-candidato procura manter postura mais leve no debate político, mas critica a administração municipal, classificando-a como “um desastre” e “um fracasso”.


Bittencourt, você entrou na política em que ano?
No início da década de 1990 para disputar a eleição como deputado estadual pelo PDC. Eu tinha sido presidente a Crea, o Conselho Regional de Engenharia, deixei a presidência, me filiei ao PDC e fui candidato a deputado estadual. Fui convidado pelo senador Mauro Borges, na época.

Foi difícil convencê-lo a entrar na política?
Eu era engenheiro, vivia no mundo empresarial e achava que minha vida estava direcionada nesse rumo. Mas acabei atendendo aos apelos do senador Mauro Borges, me filiei ao PDC, disputei a eleição e depois continuei por quase 20 anos disputando mandatos eleitorais. Fui duas vezes deputado estadual, candidato a prefeito de Goiânia duas vezes, fui presidente da Assembleia Legislativa, secretário de Ciência e Tecnologia no governo Maguito, deputado federal por três mandatos. Então, tive um processo muito intenso nesses 20 anos.

O senhor vai disputar a prefeitura pela terceira vez no ano que vem, agora pelo PTB?
Eu sou pré-candidato a prefeito pelo PTB. Nós temos um projeto fundamentado numa proposta de transformação, nos afastando da velha política e buscando mais o viés do projeto técnico. Precisamos mudar Goiânia, evoluir nas questões principais da nossa cidade e resgatar esse papel importante que Goiânia tem entre as grandes cidades brasileiras.

Quando o senhor fala em se afastar da velha política, o que significa isso?
Nós vamos fortalecer o debate técnico, o conteúdo, o  argumento. Então, nós vamos primeiro ter uma discussão interna e num segundo momento vamos procurar a cidade, conversar com as pessoas, com os segmentos organizados, com os movimentos sociais, e a partir daí vamos buscar ideias, vamos buscar pessoas competentes. Vamos governar com as melhores cabeças, por isso vamos procurar as melhores cabeças para nos ajudar num projeto dessa natureza.

O PTB faz parte da base do governador Marconi Perillo (PSDB). O senhor é mais um pré-candidato da base do governador ou o senhor é um candidato independente?
A intenção é essa, de ser independente. O PTB já teve uma candidatura à prefeitura de Goiânia, não foi bem sucedida, mas nós vamos continuar com essa proposta de  apresentar soluçõas para os problemas que a cidade enfrenta. Nós temos propostas concretas para esses problemas. As questões relacionadas à saúde, ao transporte coletivo, ao caos no trânsito, à burocracia, ao aumento de impostos. Nós temos um conjunto de ideias que vamos levar para o debate e participar da campanha de um forma independente. Quer dizer, o PTB não quer ser subalterno a nenhuma outra força política e também é contra o continuísmo, contra o candidato do PMDB e contra a maneira de governar do PT, que tem sido desastrosa, tem provocado graves problemas na cidade e não resolve, não encontra solução. O PTB quer apresentar uma alternativa nova de poder. Vamos procurar alianças. O modelo político brasileiro tem mais de 35 siglas partidárias e qualquer candidato para enfrentar um eleição majoritária hoje ele tem que fazer alianças.

O senhor já iniciou conversações com outros partidos?
Inicialmente estamos fazendo um trabalho dentro do PTB e, no momento seguinte, nós vamos conversar com a sociedade, com os segmentos organizados. Agora, naturalmente, a discussão política ela é consequência. Nós vamos conversar com todos os partidos políticos. O PTB está aberto à interação política com todas as forças. Queremos apresentar uma proposta ampla. A realidade é que nós assistimos a cidade enfrentar grande e graves problemas. A cada dia que passa os problemas aumentam e quem teve a oportunidade de resolvê-los nos últimos 10 anos não conseguiu. O PMDB com o prefeito Iris Rezende, o PT com o prefeito Paulo Garcia tiveram 10 anos de oportunidades e não conseguiram resolver os problemas. A qualidade da prestação de serviços está cada vez pior. Estamos vendo os problemas na segurança pública, na educação, estamos vendo os problemas da saúde que só se agravam, no transporte coletivo, no trânsito, que está caótico. E aí, consequentemente, há um desequilíbrio orçamentário claro. Você vê a prefeitura passando por grandes dificuldades. Enfim, não existem obras estruturais importantes em andamento. A cidade sofre com um problema grande de gestão e nós propomos uma gestão inteligente, eficiente e com resultados de tal forma que Goiânia possa recuperar o papel de liderança, o papel de cidade nacional, uma cidade respeitada pelas pessoas pela sua qualidade de vida.

No aspecto de formação de chapa majoritária e de candidatos a vereador, como o senhor está estudando isso?
Nós não temos nenhuma restrição aos partidos que compoêm a base aliada. Temos até um relacionamento muito bom com o governo do Estado e com os partidos que dão sustentação ao governo estadual. Mas o PTB tem um projeto independente, um projeto que vai avançar nessa discussão e nós não temos vínculo de apoio com nenhuma plataforma de apoio eleitoral ou de projetos subsequêntes, né. ‘Ó, o Bittencourt quer ser prefeito para depois ser governador’, ‘nós queremos pegar a prefeitura para aparelhar a prefeitura e apoiar uma candidatura de governador, de senador’. A nossa preocupação é de transformar a gestão municipal num instrumento de melhoria da qualidade de vida da população e numa ferramenta permanente e apta a resolver os problemas da nossa cidade.

Como o senhor está sentido a receptividade à sua pré-candidatura?
Está sendo muito boa. Estou surpreso porque eu estava afastado do movimento político, fiquei ligado mais na área empresarial trabalhando com meus filhos numa empresa de engenharia e quando essa ideia começou a ser colocada eu percebi que as pessoas passaram a me procurar, a me ligar no sentido de estimular este debate. É importante porque uma candidatura tem que sair de um movimento político partidário, ela tem que sair com respaldo de movimentos organizados, de pessoas que estão contribuindo com a sociedade, enfim, ela tem que ter esse respaldo e o que nós queremos é buscar esse, respaldo. É aquilo que você perguntou anteriormente, ela precisa compor com outras forças políticas. Temos que conversar com outros partidos. O modelo político eleitoral brasileiro, com já disse, impõe a necessidade de alianças. Vamos conversar com outros partidos e apresentar uma poposta de mudança. Só tem sentido a participação na política se essa participação for para fazer mudança, se for para fazer transformações. E a idéia é justamente essa, a de transformar a administração municipal em Goiânia num instrumento poderoso para melhorar a qualidadede vida das pessoas que moram na cidade.

Dentro do PTB a sua pré-candidatura já é ponto pacífico?
Existe uma discussão colocada. Não existe nada de imposição. A vantagem é esta. Nós estamos colocando uma proposta de levar um projeto inovador. O partido, se ele tiver motivação para participar do debate eleitoral dessa forma, eu me coloco como pré-candidato. Então, não existe disputa. Ninguém quer impor nada para ninguém. Agora, é um debate político e se o partido quiser crescer, quiser consolidar as suas teses, quiser reforçar o seu papel na disputa eleitoral seria excelente que nós tivéssemos um candidato em Goiânia.

Com o deputado federal Jovair Arantes, o presidente do partido, o senhor já discutiu este projeto?
O Jovair é um entusiasta do fortalecimento do partido, é um entusiasta de uma candidatura a prefeito de Goiânia e em todas as cidades onde nós temos condições de lançar candidaturas.

Nesta entrevista o senhor já disse que Goiânia vive um problema sério de gestão…
A prefeitura tem que ser uma extensão da sua casa. A prefeitura tem que estar na porta da casa do cidadão resolvendo os problemas que o cidadão enfrenta todos os dias.  Essa capacidade de gestão, essa capacidade de planejamento, esse olhar criterioso, tem que ter um componente técnico, um componente de solução prática, imediata. Não pode ser um componente que diz assim: ‘eu vou resolver em seis meses os problemas da cidade, o problema da saúde, o problema do trânsito, o problema da segurança’ igual nós ouvimos no passado. E está o caos. Cada dia que passa as questões estão mais complicadas e a cidade está mais irritada. Qualquer pessoa hoje que você perguntar ela demonstra uma irritação sobre os problemas de Goiânia.

É isso que o motiva?
É isso que me motiva e me faz colocar meu nome à disposição do partido para enfrentar essa pré-candidatura.

Já houve candidato que prometeu resolver o problema do transporte em seis meses, outro em um dia. Esse tipo de promessa é falta de responsabilidade com o eleitor? O senhor já tem o que falar a ele?
Essa sensação de incapacidade, essa falsa ilusão, esse prometo que faço e em seis meses eu resolvo está aí. Eu vi hoje uma pesquisa atual onde 73,3% da população reprovam o transporte coletivo de Goiânia, 46,9% dizem que é péssimo, 26,4% dizem que é ruim e 86,7% acham que piorou nos últimos anos. Isso, de certa forma, é o retrato que estamos assistindo aí da administração pública da nossa capital. Não podemos dizer que a população está satisfeita. Então, a idéia é estabelecer um eixo, um programa com as principais dificuldades, elencar as prioridades e apresentar propostas concretas para resolver esses problemas, que são a grave questão da saúde, o problemas relacionados ao transporte coletivo, o caos no trânsito, a burocracia excessiva, o aumento de impostos, a falta de segurança pública e, por outro lado, estimulando a capacidade que a prefeitura de ter sinergia com o governo federal e com o governo estadual, desenvolvendo programas que possam melhorar a qualidade de vida da população, reforçar o projeto econômico estratégico para que possamos resgatar o papel de liderança que Goiânia sempre teve no Brasil. Isso é um projeto de médio e longo prazo. Nós vamos ter que debater com rigor, com conteúdo durante o processo eleitoral.

Os problemas com servidores, obras paralisadas, falta de recursos, dívida da prefeitura. Isso, na sua opinião, é falta de planejamento?
Acho que é um gestor sem vivência, sem experiência política. É também a falta de um planejamento realista de médio e longo prazo. Não podemos trabalhar com a tecnocracia, com as pessoas descompromissadas, com pessoas que não conhecem o dia a dia da vida da população. A prefeitura tem que ter capacidade de dialogar com a sociedade. Ela tem que ter capacidade de unir os segmentos organizados e procurar a melhor forma de resolver os problemas.

Na reforma política aprovada recentemente houve a redução de prazo de campanha de 90 para 45 dias. Isso beneficia ou não os candidatos?
De certa forma a reforma política quando ela é feita com esses remendos acaba deixando de atingir um ponto ideal. Agora, tudo que está sendo discutido é porque na prática o sistema faliu, se inviabilizou. Tem que fazer tentativas, encontrar novas formas, mas no nosso caso o principal é que nós vamos deslocar a nossa candidatura do eixo essencialmente político para o eixo essencialmente programático, técnico. Vamos buscar as melhoras cabeças, as pessoas que tenham capacidade de contribuir com projetos que ofereçam soluções concretas. Nós vamos trabalhar nessa linha. Vamos deixar a política de lado. Vamos deixar de transformar a prefeitura numa plataforma de projeto político pessoal ou de apoio a projeto político de quem quer que seja para a prefeitura se transformar numa estrutura administrativa de resultado.

O não financiamento privado de campanha, o que o senhor acha disso?
Acho que temos que fazer tudo com transparência, com honestidade, com clareza. É outra questão que nós temos que colocar em prática no mundo político eleitoral. As pessoas têm que ter compromisso com a honestidade e com a transparência. Isto tem que ser um princípio permanente.

Pelo que se viu, o senhor quer um perfil técnico para o seu projeto…
Um perfil técnico, programático, de conteúdo. E não apenas fazer com que a prefeitura seja uma estrutura de manipulação política, uma base de lançamento de candidatura, uma base de apoio a candidatura a outros cargos.

Será uma campanha de denúncia e propositiva ao mesmo tempo?
Vou dizer com toda a sinceridade. Não precisa mostrar os erros, todo mundo sabe. Se você fizer uma pesquisa hoje, qualquer pessoa que mora em Goiânia apresenta com clareza as falhas, as dificuldades, mostra onde o governo tem errado sistematicamente. Fazem 10 anos que esse projeto está sendo implementado e está ai o resultado, é um desastre, é um fracasso.

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