“Aparecida precisa de um gestor de qualidade, que saiba gerir a cidade”

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Entrevista com Professor Alcides Ribeiro (PSDB)

Ronaldo Coelho e Marcione Barreira

Em entrevista exclusiva à Tribuna do Planalto, o Professor Alcides Ribeiro Filho, pré-candidato a prefeito de Aparecida de Goiânia pelo PSDB, diz que a cidade precisa de alguém eficiente que possa ultrapassar tudo aquilo que o prefeito Maguito Vilela fez nas suas duas gestões e que a prefeitura não pode depender exclusivamente de recursos do Estado e da União para fazer obras. Segundo ele, é preciso administrar com eficiência os recursos municipais e investí-los também em benefício da socidade. Sobre sua filiação ao PSDB, o Professor Alcides declara que o governador Marconi Perillo se comprometeu em apoiar sua candidatura a prefeito, por isso trabalha para unir todos os partidos da base do governador em torno do seu nome. Assim, já  teria oito partidos fechados com o seu projeto. Em palanque, diz, fará campanha propositiva, mas não deixará de criticar e mostrar os erros da atual administração para a sociedade. Uma curiosidade sobre o Professor Alcides. Em 1976 ele foi candidato a vereador e teve mais votos do que o candidato a prefeito de Aparecida na época.

O Senhor está em Aparecida há quantos anos professor?
47 anos. Eu cheguei em Aparecida no dia 1º de julho de 1968 e desde então nós estamos trabalhando em prol do povo aparecidense.

O senhor já tem uma vida política ligada ao município, já exerceu mandato em Aparecida…
Eu sou o vereador mais bem votado da história de Aparecida. Nós tivemos 594 votos na eleição de 1976 quando Aparecida tinha apenas 1.080 eleitores. O seja, nós tivemos 52% dos votos validos, na época quatro votos a mais do que o prefeito eleito Freud de Melo, que foi eleito pela Arena.

O senhor teve mais votos do que o prefeito?
Sim. quatro votos a mais que ele.

De lá para cá, o senhor já participou de outras campanhas no município?
Sim. Nós participamos de várias outras campanhas. Uma campanha história que nós participamos foi em 1982, quando então eu fui o mais votado, mas perdi e eleição. Os mais antigos devem lembrar, foi na época que nós tivemos o voto vinculado. Na época Aparecida já tinha 27, 28 mil eleitores e nós tivemos 12 mil votos, só que os 12 mil votos que nós tivemos foi junto com o Iris Rezende (PMDB) e como o Iris era do PMDB e eu da ARENA então os votos não foram válidos. Votos válidos mesmo eu tive pouco mais de 2..116, 2..117, por ai e o Norberto então teve 6 mil votos juntando ele com Ézio Paranhos e o Doutor Everaldo que eram candidatos na época. Eles fizeram maioria porque somava-se os votos de legenda. E os outros candidatos nossos tiveram poucos votos, quer dizer, não ajudaram na somatória. Mas se valesse os votos nominais e não os vinculados, na época eu já teria ganho as eleições.

O que motiva o senhor hoje em 2015/2016 a se candidatar a prefeitura de Aparecida?
Entendo que Aparecida precisa de um gestor de qualidade, um gestor que saiba gerir a cidade com afinco, com determinação. Após essa administração do prefeito Maguito Vilela (PMDB) que foi no Governo Federal que trouxe muitas obras, mas esqueceu de aplicar o dinheiro da cidade, então nós precisamos de alguém eficiente para que possa ultrapassar tudo aquilo que o Maguito fez. Ou seja, ele fez muita coisa para Aparecida através de empréstimos que a população vai ter que pagar e também os recursos federais, mas com a aquele que você recebe na boca do seu caixa todo dia não foi feito nada. Então essa é uma das nossas preocupações. Nós temos que chegar na cidade, reavaliar a cidade, mostrar para a população a situação em que está e começar um trabalho novo, determinado para que a gente possa fazer uma administração eficiente.

O senhor já tem estudos sobre esses recursos próprios da prefeitura, se eles são suficientes para atender as demandas sem utilizar verbas do governo estadual e federal para fazer obras?
Hoje a arrecadação de Aparecida é, em média, R$ 150 milhões por mês e isso multiplicado por 12 da um R$ 1,8 bilhão ao ano. Uma arrecadação dessa se você souber gerir, se fizer uma administração enxuta e responsável com certeza da para fazer muita coisa.

A administração do prefeito Maguito Vilela foi boa ou está deixando a desejar?
Olha, a administração do prefeito foi razoável. Ela deixa a desejar porque está utilizando só os recursos que vem de fora ou o que ele pega emprestado. Ele não está tendo uma responsabilidade de aplicar os recursos locais. Isso é de fundamental importância. O município não pode viver só de recursos estaduais e federais e de obras estaduais e federais, como é o caso. Eu não conheço nenhuma obra em Aparecida feita com recursos da prefeitura.  Todas as obras são projetos do governo estadual ou federal.

O senhor acha que terminando esse mandato para prefeito ele vai deixar  mais bônus ou ônus para quem assumir a máquina?
Ele vai deixar muito ônus porque hoje a notícia que nós temos é que a prefeitura deve quase R$ 1 bilhão para ser pago pelos sucessores.

Acredita na unidade da base?
Acredito sim. Mesmo porque os partidos de apoio ao governo Marconi Perillo já estão unidos. Estamos trabalhando neste sentido, já estão unidos. Agora, falta escolher apenas o candidato e nós queremos escolher apenas um candidato, seja quem for ele, e definido esse candidato vamos juntar todas as forças para que possamos ganhar as eleições de Aparecida.

O senhor estaria disposto a apoiar algum nome se não for escolhido?
Claro. Sem nenhum problema. Eu não aceito é ser vice. Essa é uma coisa que eu não aceito, mas estar no projeto, fazer parte do projeto é uma coisa que está determinado entre nós.

São vários nomes já colocados até agora. Dentro do PSDB tem o seu nome, e do vice-prefeito Ozair José. Há ainda o nome do deputado Marlúcio Pereira (PTB) e comenta-se também a possibilidade do surgimento de outros nomes. O senhor lançou a sua pré-candidatura há poucos dias pelo PSDB. Já conversou com outros partidos sobre a sua pré-candidatura?
Nós estamos nos encontrando com os demais partidos de forma individual. Em breve estaremos fazendo um encontro global. Hoje nós já conversamos com oito partidos e vamos conversar com todos os outros que tem a sigla em Aparecida. Após essa conversação nós vamos fazer uma mesa redonda com todos para falarmos de política global. Hoje eu estou conversando individualmente com cada presidente. Já conversei com 80% dos presidentes estaduais, mas estou conversando com os presidentes municipais.

Hoje oito partidos estariam fechados com sua pré-candidatura?
É. Hoje oito partidos estão fechados com o PSDB e com o nosso projeto.

Quando o senhor se filiou ao  PSDB há cerca de dois meses, qual foi acordo que fez com o governador Marconi Perillo?
Nós tivemos uma conversa com o governador e ele me perguntou: ‘o senhor vai ser candidato à prefeitura de Aparecida?’ Eu disse a ele que seria.  Ai ele me perguntou: ‘qual partido o saenhor vai estar?’ Eu disse que estaria no PMN. Ele disse: ‘venha para o PSDB que tenho condições de te apoiar e te ajudar.’ E assim nós começamos a fazer o trabalho. Ele também me disse que procurasse o PSDB de Aparecida e dialogasse com todos os seus membros, dentre eles, aqueles que faziam parte da base que também não faziam parte do PSDB, como é o caso do ex-deputado Ademir Menezes e do deputado Marlúcio Pereira e outras lideranças locais.

O governador prometeu apoio à sua candidatura?
Prometeu apoio.

Nas conversas que teve com os outros líderes da oposição, como a Ademir Menezes e Chico Abreu, como é que foi a receptividade?
Muito boa. Graças a Deus fui muito bem recebido por todos eles, conversei com todas as lideranças do PSDB, todas, todas, sem exceção, nunca tive nenhum problema com eles. Antes mesmo da filiação eu fiz uma visita a todos, conversei, inclusive com o próprio deputado Waldir Soares (PSDB) que representa a cidade, deputado federal João Campos (PSDB), deputado federal Fábio Sousa (PSDB), o deputado estadual Manoel de Oliveira (PSDB) e com todos as lideranças locais de forma individualizada.

Dentro do PSDB a presença do senhor é muito forte. O PSDB antes da sua filiaçã e da filiação do vice-prefeito Ozair Jose não tinha rumo, estava perdido, hoje parece que está unido e reoxigenado. O senhor hoje se tornou a principal figura política dentro do PSDB. Isso já é um indicativo de que o senhor pode ser o candidato do partido?
Olha, nós estamos trabalhando nesse intuito. Unir toda a base em torno do meu nome, mas se isso não for possível nos vamos respeitar. Tem uma série de características e pré-requisitos e nós estamos procurando preencher todos os critérios. Nós estamos trabalhando diuturnamente para que nós sejamos ungidos dentro do PSDB.

Nos bastidores comenta-se que o Professor já teria o controle total do PSDB na cidade de Aparecida.
É, nós estamos realmente tendo um controle muito grande do partido, mas estamos trabalhando ainda para termos o controle de 100%.

Sendo proclamado candidato, já tem um discurso?
Temos sim. Nós temos uma preocupação com a Segurança Pública embora não seja uma responsabilidade da prefeitura e sim do Estado e da União, mas nós queremos fazer um trabalho de parceria para que possamos melhorar a segurança em Aparecida. Hoje nós temos uma Guarda Municipal onde ela pode ser estruturada, melhorada e aprimorada para que ela possa dar a garantia de ir e vir ao cidadão. Assim que chegarmos à prefeitura faremos um concurso público para fazermos a seleção de 600, 700 homens para, de imediato, serem chamados para trabalhar em prol da segurança. O outro ponto importante é a educação. Embora o atual prefeito diga em alto e bom tom que a educação de Aparecida é um primor, nós sabemos que não é. Eu vejo a educação de Aparecida com muita preocupação. Vamos chamar o nosso professor e discutir com ele o melhor. E é claro, nós temos a saúde. Nós temos várias UBSs feitas pelo prefeito nesta gestão, mas que não funcionam.

Qual seria a alternativa para isso? Fazer a saúde melhorar e educação melhorar. O senhor é a favor das OSs na saúde?
Olha, a OS bem planejada ela é útil. Agora, ela tem que ser amarrada para que não haja desvios. Esse acordo que nós queremos fazer com as OSs caso venha dar certo como está dando certo da saúde do Estado tem que ser de forma que quem ganha é a população. Se nós formos fazer um acordo para beneficiar a prefeitura ea  empresa e não a população, para nós não interessa.

Como educador, o senhor é a favor das OSs na educação?
Olha, na educação eu não sou a favor e vou dizer o porquê. Eu acho que hoje a educação tem que ser olhada com mais carinho.  A nossa presidente diz que o Brasil é uma pátria educadora, eu não sei de onde é que ela arrumou esse termo porque realmente a qualidade do ensino é péssimo.

Os prefeitos e também os governadores estão numa marcha constante à Brasília porque é total a falta de recursos. O senhor é pré-candidato a prefeito num cenário econômico que não é nada satisfatório. Na sdua opinião, é possível reverter esse quadro de total dependência dos municípios de recursos que vem do Governo Federal, por exemplo?
Sim, é possível. Se você conseguir gerir sua administração de forma enxuta você consegue fazer um bom trabalho. Hoje, infelizmente, nós temos as nossas prefeituras inchadas. São inúmeras pessoas que não trabalha e recebe. O que falta hoje é eficiência de gestão e competência.

Os prefeitos reclama também, pedem e trabalham para a mudança no pacto federativo para melhorar a distribuição do bolo arrecadado, já que a maior parte fica com a União e essa é uma luta que vem já de muitos anos e a gente não sabe se ela vai ter um saldo positivo. O senhor acha que é possível os prefeitos conseguirem isso, como?
Através de uma união firme desses prefeitos e através de algumas imposições. A partir do momento que algumas imposições, inclusive política, junto aos seus deputados e a própria presidente da República for de forma plena, é possível mudar.

Só para deixar claro. No palanque o senhor fará campanha propositiva ou vai também questionar os erros ou por ventura algum outro ponto que não concorda na gestão?
Nós vamos fazer campanha propositiva e vamos também criticar os erros, as promessas que não foram realizadas. Eu quero também discutir com a sociedade, o quê ela gostaria que nós fizéssemos por ela. Isso é uma das coisas que nós estamos fazendo hoje.

O senhor é empresário em Aparecida de Goiânia. Como esta a Faculdade Unifan?
A Unifan vai bem. Graças a Deus. Nós passamos por essa crise da inadimplência que aumentou muito, mas isso tudo são coisas administráveis. Nós temos que ter pulso firme para que nos momentos de crise como este passamos fazer com que as coisas andem. Vai indo tudo bem, tudo sob controle.

O senhor também e diretor da categoria de base do Atlético Goianiense. Tem frequentado a vida do clube diariamente, tem acompanhado a categoria de base?
Eu não tenho como ir ao Atlético todos dos dias. Mesmo porque o meu tempo está muito minguado e agora também a pré-campanha nos toma um tempo muito maior, mas estamos presentes. Temos assessores que estão presentes.

O senhor acaba ganhado uma exposição bem grande por ser o dono de uma Faculdade, por ser diretor do Atlético. Isso o ajuda na política, facilita alguma coisa ou não?
Ajuda, ajuda. Você está sempre na imprensa, está sempre sendo visto pelas pessoas, ouvido por elas. A gente acaba ganhado com isso.

Depois de 47 anos em Aparecida  o que o senhor diria hoje como pré-candidato para a população da cidade?
Diria que é uma cidade que melhorou muito, cresceu muito, é uma cidade que tem problemas, mas problemas que tem solução, basta a população escolher alguém que seja eficiente e que queira resolver esses problemas.

O PSDB vai lançar chapa própria a prefeito ou haverá distribuição melhor dos cargos majoritários entre os partidos?
Eu acho que o candidato majoritário deve ser do PSDB e o candidato a vice-prefeito deve ser de outro partido aliado, pode ser do PP, PTB, ou um outro partido que faz parte da nossa grande base.

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