Cmei põe em prática a pedagogia do diálogo

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Produção de maquete do sistema de tratamento de água colabora com a aprendizagem

Professores aproveitam dúvidas e percepções dos alunos para, a partir delas, desenvolverem uma educação global

Luiz Fernando Nunes Hidalgo

Dúvidas e questionamentos de educandos são valorizados em instituição educacional, colaborando com o processo pedagógico desenvolvido no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Jardim Primavera. Já é prática dos profissionais de educação do Cmei aplicarem a escuta sobre as falas dos educandos com o objetivo de incorporar ao currículo os saberes cotidianos das crianças.
No início do ano letivo, durante um momento de rotina da instituição na ida ao banheiro após o almoço, a criança Maria Eduarda Nascimento Santos, 6 anos, fez uma pergunta à professora, “Depois que usa a água pra onde ela vai?”. Ao perceber que a questão envolvia toda a turma, a escola, sensível às necessidades dos alunos, depois de reunião de planejamento coletivo, organizou atividades voltadas a atender a demanda.
“Para nós da instituição o diálogo com as crianças é fundamental porque os saberes deles nos interessam como fator integrante do currículo. A temática a ser trabalhada com os educandos deve necessariamente fazer sentido para eles, pois isto garante o interesse e o envolvimento dos mesmos nas atividades propostas”, afirma a coordenadora pedagógica, Alessandra Cristina França Serra.

 Atividades complementares ajudam na formação dos educandos
Atividades complementares ajudam na formação dos educandos

Criou-se então o projeto “Pra onde a água vai?”, com objetivo de entender o processo de captação da água desde o lençol freático ao tratamento do esgoto. Este foi executado de abril a setembro de 2015 com o agrupamento EF2, faixa etária de 5 e 6 anos. Leituras e produções textuais foram desenvolvidas com as crianças, somadas as outras linguagens como atividades de criação de maquetes, participação de vídeos e confecção de cartazes. O projeto envolveu também visitação ao reservatório de água da região.
“Todo trabalho pedagógico desenvolvido na instituição tem por objetivo a aprendizagem e o avanço das crianças que aqui frequentam. Como as linguagens formam os sujeitos, isso lhes permite interagir uns com os outros e com o mundo, bem como se apossar, transmitir e ressignificar os conhecimentos adquiridos. É necessário que a instituição seja um espaço das diversas interações com as outras crianças e adultos e os conhecimentos pela via das linguagens”, destacou a diretora Helena Lapot de Oliveira Costa.
Durante a finalização do projeto, os educandos conseguiram se expressar com mais propriedade sobre o tema, “Tem o rio. O cano e a bomba ajudam a pegar a água e levar para Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Ela é tratada, passa pelo cascalho fino e grosso e vai para as casas. Depois de usada vai para ETE colocar bactéria e depois que é lavada volta para o rio”, afirmou o educando Marcos Vinícius Pereira Brito, 6 anos.

Sistema nervoso
Outro projeto que teve a mesma perspectiva da escuta foi o que trabalhou o sistema nervoso. O trabalho teve início quando um aluno que usava órtese com a finalidade de amolecer seus nervos, devido problemas motores, chegou ao Cmei. Seus colegas começaram a questionar a situação, até que um dos educandos perguntou, “O que é nervo?”. A partir daí os educadores se mobilizaram para oportunizar melhores informações sobre o corpo humano.
O objetivo principal do projeto foi ampliar a compreensão sobre como ocorre a transmissão das informações que são passadas do sistema nervoso central para o sistema nervoso periférico, como ficou evidenciado na reflexão dos educandos.“Eu aprendi que nas nossas costas têm a medula espinhal, todo lugar na gente tem nervo, quando a gente machuca o nervo manda informação pra gente tirar o pé”, destacou Nélson Neves Pires Filho, 6 anos.
Com os resultados do projeto, o grupo dos educadores se sentiu realizado pelo trabalho concluído.
“É gratificante ouvir as conversas das crianças em relação ao que foi estudado, demonstrando que não importa a faixa etária em que se encontram, mesmo sendo um tema considerado complexo houve envolvimento, ampliação, diversificação do conhecimento”, ressalta a professora Andreia de Sousa Alves.
No decorrer do projeto os educandos fizeram visita ao laboratório de morfologia da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde eles tiveram acesso à aula prática com especialistas na área da neurologia.
“O nervo movimenta a gente. A informação começa lá no pé e vai até o cérebro e depois volta pra mandar a gente tirar. A gente não pensa, mas o nervo manda a informação para gente tirar o pé. Os principais nervos estão no cérebro e na medula espinhal”, comentou Ryan Santos Aguiar Campos, 6 anos.

O tema do Sistema Nervoso compõe currículo do Cmei Jardim Primavera
O tema do Sistema Nervoso compõe currículo do Cmei Jardim Primavera

 “A criança é entendidacomo sujeito de direitos”

Atualmente segue em andamento no Cmei o projeto pedagógico que trabalha o sistema solar, que surgiu a partir de questionamentos feitos pelas crianças. No decorrer das aulas alguns alunos começaram a perguntar sobre a diferença entre meteoro e meteorito.
Ao perceber como o assunto mobilizava a turma, a equipe de professores se organizou para proporcionar aos educandos o ambiente de reflexão sobre o tema. Atividades como trabalho com poesia, pesquisa em revistas e produção de maquete do sistema solar compuseram a metodologia desenvolvida no trabalho pedagógico.

Visita ao reservatório de água da região auxilia na ampliação dos saberes dos educandos: o conhecimento se torna algo divirtido para os alunos
Visita ao reservatório de água da região auxilia na ampliação dos saberes dos educandos: o conhecimento se torna algo divertido para os alunos

“Trabalhamos em uma perspectiva em que a criança é entendida como sujeito de direitos e, portanto, participante ativa no seu contexto sócio histórico-cultural. Isso nos leva a entender que a criança tem muito a nos dizer sobre como vê o mundo e o que espera dele aprender”, afirma a professora Kátia Alves Nunes.
Está programada visita ao Planetário da UFG como atividade complementar do projeto. A ação visa ampliar os saberes dos educandos sobre o tema, dando oportunidade aos educandos de terem acesso a experiências novas de como aprender.
“Enquanto profissionais da educação que atuam na educação infantil, entendemos que a nossa responsabilidade vai para além da conformidade com as leis que regem essa etapa da Educação Básica. É direito das crianças visitarem locais significativos da nossa cidade, bem como aprender coisas novas sobre seu bairro, sua cidade, seu país, o mundo e a natureza. Conhecer esses diferentes espaços de aprendizagem implica considerar alguns aspectos importantes: a curiosidade, o interesse e as necessidades das crianças, a parceria e as expectativas das famílias e o papel das profissionais na ação pedagógica”, explica a coordenadora Alessandra Cristina França Serra.

Proposta pedagógica visa aproximar Sistema Solar do cotidiano das  crianças
Proposta pedagógica visa aproximar Sistema Solar do cotidiano das
crianças

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