Documentário marca mês da Consciência Negra

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“Menino 23”, de Belisario Franca, será exibido em auditórios do Ipea no Rio de Janeiro e em Brasília nesta segunda-feira

O Ipea vai exibir gratuitamente nesta segunda-feira (16) o documentário Menino 23, de Belisario Franca, que segue a investigação do historiador Sidney Aguilar sobre tijolos marcados com suásticas por meio das memórias de meninos negros e órfãos vítimas de preconceito, trabalho semiescravo e violência nos anos 1930. Um deles, hoje com 87 anos, relata os abusos. A obra ajuda a compreender as raízes do racismo e do eugenismo no Brasil e sua permanência devastadora.
O evento é aberto ao público e ocorre no auditório do 10º andar do Instituto, na Av. Presidente Antonio Carlos, 51, no Rio. Como as vagas são limitadas, é necessário confirmar presença pelo e-mail marina.nery@ipea.gov.br. O credenciamento será às 10h30, seguido do café da manhã de boas-vindas. Haverá transmissão para o auditório do 7º andar do Ipea em Brasília (SBS, Quadra 1, Ed. BNDES/Ipea).
A exibição é um teste de público da produtora Giros, seguida de debate sobre o filme com o diretor Belisario Franca, o historiador Sidney Aguilar, o técnico de Planejamento e Pesquisa da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea Antonio Teixeira Lima Junior e pessoas ligadas ao tema.

O filme
Em 1998, o historiador Sydney Aguilar ensinava sobre nazismo alemão para uma turma de ensino médio quando uma aluna mencionou que havia centenas de tijolos na fazenda de sua família estampados com a suástica – o símbolo nazista. Esta informação despertou a curiosidade de Sydney e desencadeou sua pesquisa. Pouco a pouco, o filme mostra como o historiador avançou com a investigação, revelando que, além de fatos, ele também descobriu vítimas.
Sidney revela que nazistas brasileiros orquestraram a remoção de 50 meninos de um orfanato no Rio de Janeiro, prometendo-lhes uma vida melhor. Mas a realidade se revelou muito mais dura: seu destino era a escravidão e o isolamento na Fazenda Cruzeiro do Sul, propriedade de poderosa família da elite local.
O trabalho de Sidney vai reconstituir laços estreitos entre as elites brasileiras e crenças nazistas, refletidos em um projeto eugênico implementado no Brasil. Aloísio Silva, um dos sobreviventes, lembra a terrível experiência que escravizou os meninos ao ponto de privá-los do uso de seus nomes, transformando-o no “23.

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