“Mais importante do que buscar um candidato, é buscar um projeto”

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Vereador Gustavo Mendanha (PMDB), Presidente da Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia.

Presidente da Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia, o vereador Gustavo Mendanha (PMDB), pré-candidato a prefeito, diz em entrevista exclusiva à Tribuna do Planalto que o seu partido vai ouvir a população para estabelecer um plano de metas para o município. O vereador diz que a oposição está fragmentada na cidade e tenta a todo modo antecipar o debate sucessório, mas que a definição entre os oitos nomes da base do prefeito Maguito Vilela (PMDB) só deverá ocorrer em meados de janeiro ou fevereiro do ano que vem. Não haverá defecções no grupo, qualquer que seja o escolhido, garante. Gustavo Mendanha ressalta os feitos da gestão Maguito e coloca o prefeito na condição de principal cabo eleitoral da história de  Aparecida. “Nós temos grandes lideranças, mas o maior cabo eleitoral de todos os tempos vai ser sempre o Maguito Vilela”, diz ele.

Ronaldo Coelho e Manoel Messias

O senhor é pré-candidato a prefeito de Aparecida de Goiânia pelo PMDB. São oito nomes da base do prefeito Maguito Vilela que querem disputar. Como está o processo de discussão interna?
Estamos muito unidos. Mas eu penso o seguinte: Mais importante do que buscar um candidato, é buscar um projeto, um plano de metas para que o candidato que for suceder o prefeito Maguito Vilela possa continuar com o grande trabalho que ele tem desenvolvido no município e corrigir algo que possa não estar ao agrado da população. Essa é a principal meta nossa agora, é desenvolver um projeto.

A oposição aposta num racha na base do prefeito Maguito Vilela porque são vários candidatos. Isso pode ocorrer?
Não, de maneira alguma. Acredito que vamos continuar unidos. Acredito que aquele que tinha mais probabilidade de sair candidato saiu do nosso grupo, que é o vice-prefeito Ozair José. Infelizmente ele cometeu um equívoco e saiu da nossa base. Ele tinha todas as condições de ser o candidato a prefeito. E nós que estamos lá caminharemos juntos com quem quer que seja o candidato a prefeito.

A movimentação da oposição no município pode acelerar o afunilamento de nomes na base do prefeito?
É natural que quem está fora do poder tente antecipar o jogo. Num governo tão bem avaliado como é o governo do prefeito Maguito Vilela a oposição tem que fazer um trabalho para tentar desconstruir essa imagem, mas não acredito que vão conseguir êxito tendo em vista o alto índice de aprovação do prefeito, a grande quantidade de obras que Aparecida está recebendo. Ao longo desses quase sete anos do governo do prefeito Maguito Vilela não tenho dúvida que ele conseguiu fazer em várias áreas mais do que todos os prefeitos anteriores fizeram nesses 93 anos de história de Aparecida de Goiânia.

Mas o senhor acha que o afunilamento dos nomes deve ocorrer agora?
Não. Deve ocorrer naturalmente. Com a experiência que o prefeito tem ele vai saber escolher no tempo certo.

Comenta-se que o prefeito Maguito Vilela já estaria sinalizando para o seu nome como candidato a prefeito pelo PMDB e do secretário Adriano Montovani, do PT, como vice. Isto está realmente ocorrendo?
Não, acho que é cedo ainda. Acredito que essa conversa sobre nomes vai acontecer em meados de janeiro, fevereiro e em março ele anunciará publicamente quem será o nosso candidato. A manutenção da vice com o PT vai depender muito do trabalho do partido. O Adriano é um bom nome e acho que o PT tem outros nomes também para oferecer, mas a escolha do vice vai depender das alianças, vai depender de quem estiver em melhores condições realmente de disputar esse cargo.

Sendo escolhido candidato a prefeito pelo PMDB o senhor teria um nome ou partido de sua preferência para a vice?
Não tenho nenhuma preferência. Tem que ser alguém que realmente venha a contribuir dentro do processo, não só politicamente, mas também administrativamente.

O PT sempre reivindicou indicar o vice, mas nada está definido então?
Nada definido. O PT é um excelente parceiro. Se o prefeito tem conseguido fazer uma boa gestão acho que deve muito ao governo federal. Agora, cada campanha é uma campanha. Entendo que vai ser um novo processo, vamos ver quais são os partidos que vão fazer parte dessa aliança e dentre esses partidos ser escolhido um, independentemente de ser o PT, o DEM, o PRP, o PR. Qualquer partido que fizer parte dessa nova base, e a cada eleição podem entrar novos partidos, qualquer desses partidos está apto a indicar. Só um partido não deve estar na lista do vice, que é o PMDB?

O senhor não quer chapa puro-sangue…
Não defendo. Acredito que temos bons nomes nos outros partidos e essa decisão deve contemplar um nome de outro partido. Nós estaremos na cabeça de chapa e a vice pode ficar com qualquer um desses partidos da  base, inclusive o PT.

Pode haver perdas significativas de partidos que estão na base atual nessa nova composição para a eleição do ano que vem?
Acho que não. Hoje nós temos o PSB, que já declarou que vai continuar conosco, o PT, o DEM, o PRP, o PR e outros que nós vamos conversar e que virão.

Vereador, o senhor tem conversado com todos os partidos políticos, inclusive da oposição. Como está sendo feita esta costura política?
Enquanto a oposição aposta numa divisão nossa, eu acho que a oposição está muito mais fragmentada, a desunião é muito mais visível na oposição do que na situação. Aqui nós temos tido um respeito muito grande entre as partes, mas acredito que a oposição tende a estar esfacelada.

O senhor acha que um dos problemas dessa eleição é encontrar um nome que chegue à estatura do Maguito?
O que estará  em jogo é o seguinte: se a população aprova ou desaprova a administração do prefeito Maguito Vilela.

A gestão do Maguito será fundamental para garantir a eleição do candidato da base dele?
Sem dúvida. A gestão do prefeito é muito boa. Será muito importante.

Um pré-candidato a prefeito pela oposição disse que a gestão do prefeito Maguito Vilela vai prejudicar o candidato dele. O que o senhor acha disto?
(Risos) É o papel dele, mas isso é falta até de conhecimento. Ele vive em outro mundo. Quem vive ou está em Aparecida de Goiânia tem muito orgulho de estar ali justamente pela grande administração do prefeito Maguito Vilela, uma gestão democrática onde todos os partidos que fizeram parte da base tiveram seu espaço respeitado. O Maguito conseguiu trazer essa questão técnica junto com a política. A cidade hoje está muito bem assistida porque nós temos a classe política que foi respeitada, mas os técnicos estão e estarão presentes nos próximos governo. Saber dosar a questão política com a questão técnica é muito importante para o sucesso de uma administração e isso aconteceu em Aparecida.

Esse mesmo pré-candidato disse também que os investimentos em Aparecida acorreram apenas por causa do governo federal e do governo do estado. E questionou sobre onde estão sendo aplicados os recursos do município. Inclusive disse que se tiver alguma obra construída com recursos da prefeitura é para alguém mostrar a ele…
É falta de conhecimento. Vários bairros foram asfaltados com dinheiro da prefeitura, praças, academias. É falta de conhecimento. Toda obra do governo federal tem a contrapartida do município. O dinheiro foi muito bem aplicado, foi aplicado na saúde, na educação. Muita coisa foi feita. É muita falta de conhecimento dizer uma besteira dessas.

O próximo prefeito pode carregar o peso nas costas de não ter o prestígio que o prefeito Maguito tem de buscar recursos em Brasília?
É importante o prefeito continuar junto conosco. Não tenho dúvida que o Maguito será um parceiro nosso. Ele vai ser o embaixador de Aparecida. O Maguito não vai deixar Aparecida, ele tem deixado isso muito claro, principalmente se for eleito uma pessoa que seja da base dele. Ele vai poder ajudar mais ainda.

Essa crise econômica tem reflexos significativos em Aparecida? Pode ter influência na eleição?
Das cidades goianas talvez nós somos a que está passando melhor pela crise. O pagamento da folha está em dia, as obras continuam. Diminui? É claro que sim. Numa situação como está não dá para manter o ritmo que estávamos mantendo. Mas não tenho dúvida que a cidade de Aparecida talvez seja uma das poucas cidades do Brasil que está conseguindo passar pela crise muito bem.

Está organizada para suportar a crise?
Sofremos como qualquer cidade sofreria a crise, mas de uma forma mais branda, mais controlada que outros municípios, como Goiânia agora que vai passar a funcionar apenas seis horas a partir desta segunda-feira,  das 7 às 13 horas.

O senhor falou em plano de metas. Quais seriam as diretrizes desse plano?
É o que eu falo dentro do partido. Primeiro a gente tem que ouvir a população. O partido irá até as bases, nos bairros para ouvir o que precisa estar no próximo plano de governo, seja quem for o candidato.  O prefeito fez muitas obras de infraestrutura, os asfaltos foi o carro chefe e acredito que nessas visitas que o nosso partido fará nas bases a população vai falar o que quer e vai cobrar coisas como uma melhor ornamentação da cidade. A cidade está asfaltada, mas ainda não é uma cidade bonita. Temos que arborizar a cidade. Infelizmente hoje nós temos três parques apenas, já é um avanço porque não tínhamos nenhum, mas perdemos para a capital de longe. Temos que melhorar a iluminação pública, passar para lâmpadas de led. Estamos trabalhando agora o novo Plano Diretor que vai ordenar o crescimento para os próximos 10 anos, vamos finalizar o asfasalto que nosso prefeito não vai conseguir fazer, vamos investir na saúde, na educação e manter aquilo que foi feito, o Maguito fez muita coisa. Talvez o grande desafio será fazer funcionar aquilo que foi construído. Vamos partir paras as parcerias público-privadas, esse é um grande desafio, a burocracia atrapalha demais a nossa cidade. As OS’s na administração da saúde. Nós temos que buscar dois princípios: O serviços tem que melhorar e temos que diminuir os custos. Vamos ouvir a população e ela saberá nos dizer o que é melhor para a cidade.

A questão salarial é um problema. As prefeituras empregam muita gente. É possível falar em melhoria do nível salarial ou isso hoje é impossível?
Nós temos melhorado. É claro que qualquer governante quer pagar muito bem os professores, os funcionários de uma forma em geral. Mas Aparecida tem cumprido com o que pode. São várias cidades que não dão conta de pagar o piso dos professores. Nós sempre cumprimos. Temos várias categorias que já tiveram seus planos de cargos e salários aprovados, agora vai ser o da Guarda Municipal. Inclusive tem pré-candidato da oposição querendo ganhar crédito em cima disso, querendo levar esse bônus. Mas isso é uma conquista do governo Maguito Vilela. Temos tudo para melhorar, mas é preciso entender que o município hoje tem 15, 16 mil funcionários públicos e nos próximos anos vamos chegar nos 20 mil e, às vezes, você não paga os salários que os servidores merecem porque o município não dá conta. O funcionalismo público foi respeitado pelo prefeito Maguito Vilela, teve avanço em diversas áreas. Nunca atrasou os salários, enquanto temos estados aí que estão dividindo o salário dos funcionários. Em Aparecida temos pagado em dia.

São oito nomes da base do prefeito Maguito Vilela e a definição de nomes deve ocorrer logo. Quais os critérios o senhor defende para essa definição?
O critério é claro. Será qualitativo e quantitativo. O prefeito vai fazer pesquisas para consultar a população e vai escutar as lideranças também. O perfil do próximo prefeito exige que ele consiga conciliar todas as esferas. Estou tranquilo com relação a isso. O partido vai fazer a melhor escolha. Me julgo bom, me julgo preparado, mas entendo que qualquer que for o escolhido também vai dar conta do recado.

O que o senhor considera importante para um governante?
Acho que essa questão de casar o técnico com o político é muito importante. Nós temos uma presidente que administrativamente ia muito bem, mas no aspecto político ela se enrolou nos cabelos da perna. A crise se iniciou quando ela começou a perder a força no Congresso Nacional. E o Lula à maneira dele conseguiu manter o controle e levou o Brasil até onde chegamos. Agora estamos passando por uma crise, que é financeira, mas essa crise começou com uma crise política. Então, tem que saber casar muito bem as duas coisas. Hoje as pessoas exigem essa flexibilidade do governante. Não adianta ser só técnico porque amanhã não vai dar conta de dialogar com a Câmara Municipal, não vai dar conta de dialogar com os sindicatos, com os empresários. Então, acho que tem que ser muito equilibrado.

A bandeira da continuidade em Aparecida é bem aceita pela população?
Se você chegasse em qualquer um dos candidatos da oposição e perguntasse: ‘Você quer o apoio do prefeito ou de outra pessoa?”. Não tenho dúvida que ele vai dizer: ‘Eu quero ter o apoio do prefeito’. O apoio do Maguito é muito importante. Ele é o maior cabo eleitoral que o município tem. Nós temos grandes lideranças, mas o maior cabo eleitoral de todos os tempos vai ser sempre o Maguito Vilela.

Presidente, há uma discussão sobre o fim da reeleição. O senhor é a favor ou contra?
Eu entendo que em tese os prefeitos e os governadores que são reeleitos eles tendem a fazer um mau governo. Não é o caso de Aparecida de Goiânia, eu sempre digo isso. No terceiro dia do prefeito eleito ele estava fazendo mutirão num bairro. Aparecida não passou por isso, mas em tese a reeleição não é algo bom. Nós temos mais exemplos de prefeitos ou governadores que foram mal no seu segundo mandato do que o contrário. Então, acredito que o fim da reeleição seria muito salutar para o nosso País. Agora, ela não foi votada ainda.

A redução do tempo de campanha…
É algo importante, até porque as campanhas estão cada vez mais caras. Diminuindo o tempo dela automaticamente você diminui o gasto.

Pode beneficiar quem é mais conhecido…
Talvez não. Às vezes o prefeito estava mal avaliado e com tempo maior de campanha ele daria conta de virar, agora não.s

Qual a expectativa para este final de ano na Câmara Municipal? Quais os projetos estão em pauta? Haverá necessidade de sessões extras?
Sempre tem necessidade de sessões extraordinárias até porque são muitos projetos que vão tramitar na Câmara e, às vezes, não dá tempo de votá-los. Mas a população tem que ficar ciente que desde 2010 não tem mais o pagamento de sessões extraordinárias. Temos lá a Lei Orçamentária Anual (LOA), o novo Plano Diretor, já votamos o Plano Plurianual, já votamos o projeto do Aceite, votamos a Semana da Conciliação.

O senhor considera que a Câmara Municipal teve papel importante para a boa gestão do prefeito Maguito? A relação entre Executivo e Legislativo continua boa?
Sim. O prefeito não teve dificuldade com a Câmara Municipal. A Câmara sempre foi parceira. Em um ou outro momento teve reprovação de algum projeto, mas isso é coisa natural. A Câmara tem a sua autonomia. Somos um poder independente. Mas tudo aquilo que foi bom para o município, tudo aquilo que precisou da agilidade da Câmara sempre foi votado em tempo hábil. A prefeitura nunca perdeu recurso por falta da Câmara apreciar ou votar um projeto. O prefeito sabe respeitar o Poder Legislativo e, por isso, ele tem conquistado a maioria dos vereadores. Eu diria que não temos oposição em Aparecida de Goiânia. Temos dois vereadores do PSDB, mas sempre têm votado favoráveis àquilo que é bom para o município. A Câmara sempre foi parceira do governo Maguito Vilela. Temos o dedo nosso em tudo isso que aconteceu no município na gestão do Maguito.

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