“O nosso objetivo é buscar transparência”

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Ormando Pires, presidente da Comurg

Presidente da Companhia Municipal de Urbanização de Goiânia (Comurg), Ormando José Pires reconhece que há falhas pontuais na coleta de lixo da capital, mas garante que a Comurg trabalha dia e noite para resolver os problemas causados geralmente devido à manutenção nos caminhões da empresa que fazem esse tipo de serviço. Em entrevista exclusiva à Tribuna do Planalto, Ormando Pires faz um raixo X da companhia e diz que não existem mais supersalários na Comug como a imprensa noticiou. Seu objetivo, afirma, é dar transparência  administrativa na gestão, melhorar os serviços, conter gastos e eleger prioridades diante dos desafios que a gestão municipal enfrenta nos dias de hoje.

Ronaldo Coelho, Manoel Messias e Marcione Barreira

A questão do lixo em Goiânia é um problema que está na mídia e a população reclama. Está havendo algumas irregularidades na coleta e a população tem reclamado disso. Está com problema novamente?
A coleta, por ser muito dinâmica e ter uma repercussão muito rápida por qualquer que seja a falha, qualquer atraso na manutenção acarreta em algum tipo de transtorno. A gente trabalha para que esse impacto seja o menor possível. Há atrasos e o que nós temos que evitar é que este atraso seja continuado ou muito extenso. Nós trabalhamos para evitar isso com uma frota que nós consideramos adequada. Nós temos uma reserva técnica de cerca de 10%. Então se você tem uma quebra de caminhões maior do que essa reserva significa que em algum local vai ter atraso de coleta. Hoje nós precisamos de 55 caminhões para fazer a coleta nos dois tunos. Então nós utilizamos esses 55 caminhões no período diurno e esses mesmos 55 caminhões fazem a coleta no período noturno em outra região da cidade. Nós temos 67 caminhões. Então nós temos 12 caminhões na reserva técnica. Se você tem uma quebra de 15 caminhões você já vai deixar três cicuitos em atraso. Se eles atrasam, como temos coleta segunda, quarta e sexta e outra terça, quinta e sábado, se você não a faz na segunda-feira significa que você tem que rodar naquele circuito que ficou da segunda e na terça vai ficar sem fazer e assim consecutivamente até chegar no domingo. Como não tem coleta nesse dia você programa uma atividade especial para regularizar a coleta que você fez durante a semana. Às vezes a pessoa fala que tem uma semana que não se faz a coleta em casa. Não acredito que chegue a uma semana porque o atraso é tirado durante a semana. Então, se você ficar uma semana sem a coleta, em determinado setor, provavelmente que gere aí um problema de saúde pública. O que nós temos que evitar é o atraso de maneira alongada. Mas existem problemas eventuais com manutenção e a nossa função é justamente de demininuir o impacto que isso vai causar

Esses caminhões da Comurg eles são novos.
Exato.

Tem muito caminhão estragado?
Embora seja uma frota nova, ela demanda uma manutenção, tanto preventiva quanto corretiva muito intensa. O tempo de manutenção dela é muito curto. Nós temos uma coleta durante o dia e depois este mesmo caminhão já entra para iniciar a coleta noturna. Então, nós fazemos essa manutenção preventiva, mas talvez não tenha a melhor forma possível de se fazer já que o tempo é curto.

Presidente, eu passo direto aqui na rodovia que vai para Trindade e tem um mau cheiro na parte da manhã. O aterro sanitário vai ter uma solução ou vai continuar daquela forma. Tem um problema ambiental muito grande. Esse é um dos problemas do aterro, mas devem ter outros. Como é que está a situação?
Quanto a odor eu, particularmente, não recebo muitas reclamações. Eu não tenho lembrança de ter algum tipo de reclamação. Porém, é claro, por se tratar de lixo, deve ter algum período do dia que isso pode exalar algum tipo de odor. Todo lixo que chega no aterro ele é, de imediato, coberto. Tem que se ter o tratamento, tanto no chorume, tanto do gás que é gerado desse lixo.

O Aterro Sanitário foi um avanço em relação ao que existia antes, que eram os lixões. Mas já se discute o fim dos aterros com o reaproveitamento total dos resíduos. Aqui em Goiânia já existe algum projeto neste sentido?

Sim. Tem que se caminhar por este caminho. Os aterros sanitários são uma forma de se tratar o lixo para evitar o menor impacto possível, mas a gente vê que as soluções hoje não são totais quanto ao tratamento e sim quanto ao reaproveitamento desse lixo para geração de novos consumos e até para geração de energia e nós estamos caminhando para isso. O aterro sanitário há algum tempo foi terceirizado e no contrato com a empresa constava que ela deveria instalar lá uma usina de tratamento para transformação do resíduo em energia e inclusive para venda de créditos de carbono, mas quando finalizou o contrato não se deu o andamento e ela acabou por não concluir o projeto.

Já tem algum projeto concreto neste sentido?
Existem propostas que estão sendo analisadas justamente pelo fato do investimento inicial. Então, ele enquanto gerido pela prefeitura a gente vai ouvir essas propostas de quem tem interesse em fazer a exploração do aterro e a gente vai tentar identificar a melhor forma e a maneira mais viável com o menor custo.

Presidente, a parte administrativa. A Comurg é um dos maiores órgãos do município, o terceiro, e tem um orçamento em torno de R$ 400 milhões  por ano e desse valor R$ 330 milhões estariam sendo destinados exclusivamente para a folha de servidores. Esteve recentemente envolvida nas questões do supersalários. Como é que estão essas questões na sua gestão?
Eu acredito numa evolução nós últimos meses em termos de redução de despesas quanto a pessoal. É um desafio de qualquer organização justamente o quadro de despesas de pessoal. Os supersalários que foram citados ficou pejorativo, mas é algo que acontece pelos ganhos que o servidor acumula ao longo de anos de trabalho. Na prefeitura, não só na Comurg, com o intuito de minimizar as despesas, o prefeito estipulou o teto e o teto é justamente o do Poder Executivo. Então, nenhum servidor da Comurg recebe um valor maior do que o teto estabelecido neste decreto.

Quanto é o teto?
O teto é o salário do Poder Executivo. Hoje, se eu não estiver enganado está em torno de R$ 19 mil.

Mas isso é legal? Você mesmo falou que eram ganhos acumulados ao longo dos anos. Tinha gente lá ganhado R$ 80 mil.
Não. Porque coloca-se de maneira distorcida. Pegar um servidor, de forma isolada, que o salário dele era em torno de R$ 13,  R$ 15 mil justamente por esses ganhos que ele teve ao longo dos anos. Naquele mês ele recebeu os  R$ 15 mil, quando o cidadão entra de férias ele recebe o mês subsequente, então ele recebeu dois meses. Ele vendeu ainda 10 dias, ele teve o abono de 1/3, ele recebeu adiantamento de 13º, que corresponde a 70% do salário dele, licença prêmio que ele vendeu e são três meses de trabalho. Então o montante disso aí totalizou R$ 80 mil. Então foi divulgado na imprensa esse valor como se fosse o salário dele.

Então na Comurg ninguém ganha mais do que o teto?
Exatamente. Existe inclusive nos descontos. Aquele desconto é chamado: corte teto.

Da margem para o servidor recorrer na justiça?
Sim. Pode ser questionado. Aí vai demandar do entendimento de cada juiz.

Entrou alguém na justiça por conta disso?
Não tenho informação ainda não.

A Comurg sempre foi empresa do conhecimento público pela atividade que ela exerce e sempre foi problemática também, cabide de emprego, muita denuncia de corrupção que existia no passado, problemas na atividade que ela exerce. Hoje, você está lá desde maio de 2014, que balanço o senhor faz? O que mudou de quando o senhor assumiu até hoje?
Ela sempre foi questionada. Ela tem uma repercussão muito grande, qualquer que seja o problema na Comurg tem uma repercussão muito maior do que o problema numa empresa com três mil servidores, nós temos nove mil servidores.  Então o nosso objetivo é de buscar transparência, a melhoria, contenção de despesas, eleger prioridades porque nós sabemos do desafio das prefeituras, estados e do Brasil.

A folha é de  R$ 29 milhões?
Gira em torno disso.

O gari quando entra na Comurg é por concurso público e vida útil desse pessoal não é muito longa. É tipo um jogador de futebol, 10 a 12 anos pela atividade que exerce que demanda muito esforço físico. Isso acabou se transformando num problema para a Comurg, porque por ter a vida útil curta e ser concursado ele acaba tendo que se aposentar. Como é que vocês estão resolvendo o problema desse pessoal que está indo para a inatividade muito cedo?
É tem que se haver esse planejamento e essa preocupação. Hoje ele é absorvido através de concurso como TLP, que é o Trabalhador da Limpeza Pública. Ele pode ser lotado nas diversas áreas operacionais da Comurg. Então você tem como remanejar esse trabalhador para outras áreas dentro da Comurg. Esse é o planejamento que  a gente precisa ter para que as pessoas não fiquem ociosas.

É alto o índice de trabalhadores da limpeza, coleta e da jardinagem que ficam na inatividade por causa de acidentes?
É alto o grau de risco. O trabalhador nosso ele está exposto.

Quantos por cento, mais ou menos?
Gira em torno de 10 a 11%.

Historicamente, a Comurg é um órgão da prefeitura muito cobiçado por políticos que vêem ali uma grande possibilidade de se eleger. Imagino que politicamente o senhor também esteja sempre sendo chamado a ter uma vida eleitoral mais ativa. O senhor pensa nessa situação?
Não é o meu objetivo principal. Quando eu assumi a Comurg, em maio de 2014, ela não estava tão atrativa. Até soube que muitos se negaram a assumir. Mas o meu vínculo principal é com a Comurg. O meu compromisso é zelar da Comurg. Fazer o melhor para a Comurg. Tenho compromisso com o prefeito.

O senhor tem reuniões periódicas com parte significativa dos funcionários?
Sim, fazemos reuniões periódicas com a diretoria, departamentos, já fizemos reuniões com os encarregados de turma que são aquelas pessoas que estão no dia a dia. É muito bom quando você participar dessas reuniões porque você passa a ter contato diretamente com o problema. O que a gente tem buscado é que as reuniões sejam periódicas.

Dos nove mil funcionários, quanto comissionados a Comurg tem?
Hoje nós temos uma faixa de 350 comissionados. Já chegamos a um número grande realmente, mas eu acho que dá para se manter nesse número. Com o máximo de 400 comissionados eu acho que dá para fazer bem uma assessoria com qualidade, pessoas que tem uma ligação de confiança maior eu acredito que tem que ser através desse nível.

100 % da limpeza urbana de Goiânia hoje é feita pela Comurg?
Exatamente. Hoje ela tem concessão de serviço de varrição, coleta domiciliar, coleta seletiva, coleta hospitalar, remoção de entulhos, galhos, remoção de pequenos e grande animais mortos, operação do aterro, ajardinamento, obras em espaços públicos, canteiros centrais e aí vem as outras atividades que você que não responsabilidade e você acaba fazendo.

Um problema que é mais recente foi aquela questão da iluminação pública, terceirização. Isso está resolvido, a Comurg é quem está fazendo, como está essa situação?
Está resolvido. Ela foi encaminhada. Quem detém hoje é a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra).

Mas ela não está terceirizada, está com a Seinfra?
A Seinfra ainda faz com os servidores da prefeitura.

O senhor é assediado para entrar na vida política?
Muito. O cargo te expõe muito, querendo ou não você vai aparecer. Eu nunca comentei este assunto, mas essa pergunta eu tenho que responder sempre. Você vai ser candidato? Algum tempo atrás eu tinha certa repulsa. Mas eu nunca me abstive a ela. Você faz política na sua casa. As vezes você tem que pensar assim, você tem que fazer política. Resumindo, com o passar do tempo eu aprendi a não dizer nunca.

Presidente, a Comurg deixou de ser o patinho feio, a imagem ruim da prefeitura? Hoje ela já pode mostrar que inclusive é a parte boa da prefeitura?
Acredito. Acredito. Porque na prefeitura nenhum serviço tem a repercussão tão grande quanto o da Comurg. Dentro de todas as dificuldades que a Comurg tem ela melhorou muito. Eu acredito que ela deu a volta por cima e tem condições de gerar o menor impacto negativo com esses problemas que acontecem no dia a dia.

Tem uma crise entre PT e PMDB e o senhor vive esse dia e dia porque  trabalha num órgão da prefeitura.O senhor acha que essa crise é contornável, isso está prejudicando, de certa forma, a administração?
Eu ainda não vi essa repercussão chegar a nossa parte. Na Comurg não é recomendável que você coloque muito a política a frente dos trabalhos. Eu procuro me envolver o mínimo possível com a política e só se envolver como forma de trazer coisas positivas para a Comurg. Eu não tenho acompanho muito de perto os debates, mas é claro que eu não estou imune a eles.

Algo que o senhor queira acrescentar?
Acho que algo importante de ser dito foi o fato de nós colocarmos na consciência do morador a responsabilidade com os resíduos. O Código de Postureas é bem claro. Qualquer que seja o resíduo especial ele é obrigação do gerador de dar uma destinação final.

A Comurg tem um local para jogar esses resíduos?
O correto é que ela contrate empresas terceirizadas, se o morador tiver interesse ele pode levar no aterro sanitário. Estamos estudando uma forma de diminuir este espaço com a criação de ecopontos, que é uma área onde a pessoa tenha opção de levar o seu entulho.

O Programa Cata Treco ainda funciona?
Funciona plenamente. O morador que quer se desfazer de qualquer bem móvel não servível pode ligar na Comurg e agendar uma data para recolher esse material sem qualquer ônus. Recolhemos esse material e o destinamos às 15 cooperativas que são credenciadas no programa Goiânia Coleta Seletiva.

A Coleta Seletiva esta funcionando bem?
Está sendo feita, toda cidade é atendida com uma freqüência diferencia, dependendo da região. São 15 cooperativas com cerca de 300 cooperados.

Geralmente a gente vê pessoas idosas com carrinho levando material reciclável. A ideia é eliminar isso?

Exatamente. É justamente dar uma forma digna a esse trabalhador. Não só com a preocupação da destinação adequada, mas para dar emprego e renda para essas pessoas.

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