“A oposição está dividida raivosamente. Nós estamos divididos pela qualidade”

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Anselmo Pereira (PSDB), presidente da Câmara Municipal e pré-candidato a prefeito de Goiânia. Foto: Paulo José

Presidente da Câmara Municipal e pré-candidato a prefeito de Goiânia, o vereador Anselmo Pereira recebeu a equipe da Tribuna do Planalto em seu gabinete durante o Projeto Câmara Itinerante, no Jardim América. Em entrevista exclusiva, ele fala sobre o projeto que iniciou este ano, levando a Câmara para os bairros. Fala também sobre sucessão municipal e diz que é hora do PSDB ser retribuído pelos partidos da base marconista apoiando um candidato tucano à prefeitura de Goiânia. Ele defende choque de gestão, se diz preparado para ser prefeito depois de oito mandatos como vereador e afirma que tem apoio do governador Marconi Perillo.

Ronaldo Coelho, Manoel Messias e  Marcione Barreira

Vereador, essa é a 4ª edição do projeto Câmara Itinerante, são 10 etapas, com qual objetivo a Câmara e o senhor particularmente estão desenvolvendo esse projeto?
Mudança de comportamento do Poder Legislativo. Os poderes políticos estão extremamente desgastados. A população tem uma descrença nunca vista com os homens públicos e com suas próprias ações. Então, nós fizemos esse trabalho com a nova Mesa Diretora e é um projeto ousado porque ele exterioriza toda a atividade do processo legislativo da Câmara Municipal de Goiânia para ir ao encontro da população. Neste local, ela oferece todos dos serviços em parceria com o governo do Estado e com a prefeitura de Goiânia. Mas o mais importante é a identificação do vereador com as suas comunidades fazendo com que obras paralisadas há anos sejam retomadas através do representante legítimo do povo, que é o vereador. Nós queremos resgatar o compromisso de identificar a Câmara sempre amiga de Goiânia.

Mas nessa etapa já deu para sentir, já houve esse resgate que o senhor citou agora?
Já. Os vereadores inclusive já estão fazendo diversos projetos, infinitos requerimentos oriundos deste contato e temos tido objetivo e eu vou lhe citar um exemplo. Há uma rua no Jardim Novo Mundo que tem 45 anos que não é pavimentada. Quando a Câmara Itinerante chegou lá, em menos de uma semana nós fizemos pavimentação da rua. Aqui na Vila União quando nós viemos para cá havia uma rua. Depois de 45 anos, imediatamente ela foi totalmente pavimentada. Hoje aqui no jardim América, a ponte está paralisada, era uma obra da Delta. Nós fomos na Seinfra, pedimos rescisão contratual  já vamos em menos de 60 dias dar início a essa obra tão desejada, que há 10 anos está com a base pronta, mas não foi concluída. Então, eu estou lhe dando uma demonstração de que os resultados são rápidos. Veja que é uma realidade essa Câmara Itinerante.

Essas iniciativas geralmente eram do Executivo. Agora, a iniciativa partiu do Legislativo. O senhor acha que está havendo um distanciamento do povo ou o Executivo não está conseguindo essa aproximação com a comunidade, fato que inclusive levou a Câmara a tomar essa atitude?
Não. A atitude é muito maior. Depois que nós ganhamos a Mesa Diretora os senhores puderam perceber que nunca mais houve crise na prefeitura de Goiânia. A Câmara de Goiânia não foi mais invadida.  O Paço não teve mais greve, não  houve mais manifestação dos guardas municipais. Os professores estão mais acomodados, as lideranças estão buscando seus horizontes. É mudança de comportamento. Agora, o segredo para esta mudança é que a Câmara Municipal está sendo o elo entre o Executivo municipal e o Executivo estadual. Veja que o nosso governador conversa quase todos os dias com prefeito de Goiânia e vice-versa. Vários projetos estão acontecendo com parceria entre o Executivo estadual e Executivo municipal muito devido à Câmara de Goiânia, como por exemplo, a Praça Cívica. Então a Câmara é a liga desses poderes.

Mas esse projeto não estaria executando o papel do Executivo?
Não, o Executivo tem outras coisas mais a fazer. Nós estamos mais no encontro dos anseios iminentes da população. As grandes obras planejadas para mais de 10, 20 anos é o Executivo que tem a obrigação de fazer. Nós estamos aqui suprindo essa problemática. Por exemplo, aqui no Jardim América nós fazemos uma pesquisa 15 dias antes e levantamos que a maior demanda foi a segurança e vamos fazer audiência pública para debater o assunto.

Falando sobre sucessão municipal. O senhor já colocou o seu nome à disposição do PSDB para ser pré-candidato a prefeito pela base do governador Marconi Perillo?
Dois quesitos nos leva a pensar dessa maneira. Primeiro porque o PSDB por três oportunidades cedeu para os partidos aliados. Duas vezes com o companheiro Sandes Junior (PP) e uma vez com o companheiro Jovair Arantes (PTB). Todos são nossos companheiros de base aliada. Não abrimos mão deles. São companheiros de primeira hora. Agora não. Agora é a hora ter o seu nome e pedir para que os aliados nos apoiam. Isso é natural no mundo político. Se oferecemos essa oportunidade agora queremos ela de volta. Eu ofereço o meu nome. Tenho oito mandatos dentro dessa cidade. Eu acho que estou mais do que preparado para ser prefeito. Hoje estou ocupando um cargo que é o da presidência da Câmara e isso, mais do que nunca, me habilita a oferecer o meu nome para que a gente possa trabalhar por uma Goiânia diferenciada. Uma Goiânia onde você tem que ter convergência de forças, buscar bons projetos em nível municipal, estadual e principalmente federal.

No PSDB são vários nomes e parece que todos estão decididos e não estão dispostas a abrir mão. Como o senhor analisa essa situação?
Quando eu saí candidato a presidente da Câmara na minha base haviam, seis candidatos. O que fizemos? Exaurimos na conversação. Política é conversa, política é convergência de discussão, temos que abrir o diálogo franco. Como é que eu cheguei a um consenso sobre a presidência da Câmara? Foi porque a conversa foi muito bem preparada. Eu vejo que a conversa de agora para frente desses candidatos nossos e do PSDB e da base aliada vai começar a acontecer. Agora, é preciso que esses candidatos conversem entre si para verificar qual é o que está mais preparado e com projetos para Goiânia. Não adianta mais ir para a população sem levar a solução dos problemas.

Ma o PSDB já está falando em prévias dentro do partido em função desse quadro.
Não há problema. Não há prévia sem uma conversação prévia. Ninguém conversou com ninguém ainda. Isso, daqui para frente, vai acontecer todos os dias. Então, o cidadão tem que saber quem está mais preparado. Qual é o perfil que queremos como prefeito para Goiânia? É um perfil populista? É um perfil exageradamente técnico? Ou é que aquele que tenha a simbiose dos dois para que tenha condições de ganhar as eleições? Eu nunca vi um quadro tão propício para se ganhar uma eleição como agora. O atual a prefeito não pode ser candidato. Estamos assistindo os outros partidos divididos. Então não tem momento melhor do que esse. Se a base do nosso governo do PSDB tiver inteligência vai fazer depois de quase 16 ou 18 anos a prefeitura de Goiânia, mas para isso é preciso ter desprendimento.

Mas a base do governador também apresenta vários nomes. O PSD reivindica a indicação de um nome, o PTB também e podem surgir outros. A base do governador também está dividida…
Há uma diferença dos nomes oferecidos pela oposição. Os senhores estão vivendo um momento histórico. Os outros estão divididos raivosamente. A oposição está dividida raivosamente. Nós estamos divididos pela qualidade, pelos nomes. Por nomes qualitativos. Do lado de lá há uma divisão raivosa e essa não dá liga. É água e óleo. No nosso caso não, são vários bons nomes que podem se reaglutinar. Há uma diferença muito grande nossa para o cenário da oposição. Aliás, o cenário da oposição está hoje em um dos mais dramáticos que eu conheço.

O senhor acha que esse é o seu momento de sair candidato?
A Câmara Municipal de Goiânia é fundamental em qualquer eleição de prefeito. Imagine você que nós somos 35 vereadores. Se um candidato sair de lá com 15, 16 vereadores, o candidato vai sair de lá com mais ou menos a eleição garantida porque cada um desses vereadores não  reúne menos de cinco a 10 mil votos. A Câmara é extremamente importante numa eleição porque ela tem contato mais próximo do povo. Nós estamos fazendo uma serie de ações que estão beneficiando a população e vejo que alguns candidatos já foram experimentados e não lograram êxito para prefeito. Então, é bom que a gente examine essa questão para ver aqueles que estão em ascensão, que estão trabalhando e que não ficaram paradod no tempo.

A figura do Iris Rezende (PMDB) é forte na política. Isso seria uma pedra no caminho?
Não é uma pedra no caminho. Nós precisamos de nome para disputar. É um homem altamente qualificado. Significa que nós temos que ter um nome realmente preparado. Se nós não tivermos como é que nós vamos fazer. O Iris é um nome realmente de peso, mas também está com problemas internos.

O senhor se refere à crise de convivência  entre o PT e o PMDB?
Não. Estou falando da crise intra. Não é o meu partido que está sem comando até agora. Isso é um negócio sério. Veja você que tem uma situação intra e extra.

Vereador, o senhor acha que esse racha do PT com o PMDB é bom para vocês?
Nós não estamos preocupados com a situação dos outros partidos. Nós temos que cuidar da nossa cozinha. Lá do outro lado nós temos que respeitar os problemas. Se tem um problema do PMDB com PT não cabe a nós entrar nessa discussão. Nem também estamos querendo que do lado de lá esteja o quanto pior melhor. Nós queremos  que tenhamos bons nomes tanto do nosso lado quando do lado dos adversários para que tenhamos bons debates, boas ideias. Para que você eleve o nível da campanha.

Anselmo, o senhor diria que é preciso implementar uma nova visão na gestão pública?
Quando eu disse que nós da base precisamos escolher qual é o perfil do prefeito ideal para Goiânia é nesse sentido. Se você vier para um palanque e falar que vai fazer investimentos na Saúde o povo vai perguntar: de que jeito? Quando eu dizer que vou resolver o problema do lixo o cidadão vai querer saber como. Vou resolver o problema do transporte de massa. Como que você vai resolver? Não adianta vir criar ideias mirabolantes que o cidadão não vai acreditar. Ele quer saber como que você vai resolver realmente esses gargalos.

Quer dizer que Goiânia precisa de um choque de gestão?
Goiânia precisa de choque de gestão e de um planejamento imediatamente para 10, 20, 30 anos. Equacionando os mais emergenciais. Mobilidade, transporte de massa, saúde básica lá na periferia.

Presidente, recentemente o senhor esteve sentado na cadeira de prefeito por 10 dias na ausência do prefeito Paulo Garcia.  O que o senhor achou dessa experiência?
Primeiro eu quero agradecer o prefeito Paulo Garcia. Se não fosse o prefeito Paulo Garcia e o próprio vice-prefeito Agenor Mariano eu não teria ficado os 10 dias. Tive a liberdade dada pelo prefeito Paulo Garcia para tomar qualquer atitude que eu quisesse. Fizemos um série de ações físicas dentro da cidade e experimentei que se eu for o prefeito com a mesma liberdade que tive durante os 10 dias eu tenho certeza que a gente vai fazer muito mais por Goiânia.

Gostou? É por isso que o sr quer voltar pra lá?
É uma cadeira muito cobiçada. Tem uma receita fantástica e que precisa fazer os investimentos nas áreas prioritárias. É preciso que nós tenhamos serviço público de qualidade e agilidade naquilo que nós precisamos. Por exemplo, o setor produtivo padece na hora de aprovar determinadas situações para produzir dentro de Goiânia de uma burocracia exagerada.  Tudo isso precisa ser quebrado para que você não transforme Goiânia numa cidade dormitório.

O senhor passou lá 10 dias com liberdade total de ação e conheceu os problemas. Que avaliação que o senhor faz dessa gestão de Goiânia?
Eu vejo que agora neste ano o prefeito Paulo Garcia está impondo a sua personalidade político-administrativa. E mais, ele encontrou conforto para administrar. De um ano para cá você tem assistido o Paulo Garcia andar em Goiânia. Saiu da crise. Tem tido a Câmara Municipal parceria dos seus bons projetos. É lógico que os projetos ruins nós não vamos aprovar. Então, eu diria que agora a prefeitura de Goiânia começa a se reoxigenar para ainda fazer um final de mandado que deve contribuir muito para cumprir, inclusive, compromissos de campanha. Na Câmara estamos dando essa possibilidade ao prefeito.

Qual a avaliação que o senhor faz dessa redução de expediente na prefeitura de Goiânia?
Na verdade não é só em Goiânia. Está acontecendo na maioria das capitais. A crise financeira não é fácil. Eu não acredito que é o volume de horas que produz. O que produz é aquilo que você determina para ser produzido. Se diminuir economiza R$ 7, ou R$ 8 milhões eu louvo e precisa que esse dinheiro seja reaplicado. Eu, por exemplo, na Câmara não precisei diminuir. Mas já estou pensando, quero dizer pra vocês em primeira mão, de na semana que vem vou fazer um decreto para que a Câmara comece a fazer o processo legislativo das 8  às 11 horas ao invés das 9 às 12 horas e não tenha intervalo. Vai direto até às 17 horas. Isso vai trazer uma economia substancial na Câmara Municipal. Mas o que eu não vou permitir é que haja baixo rendimento dos serviços.

A redução das férias dos vereadores. O senhor defende essa redução para 30, 45, 55. Quantos dias?
Eu não só defendo como dei entrada como qualquer trabalhador do Brasil de 30 dias. Eu vou lutar para que seja 30 dias. 15 dias em julho e 15 em dezembro.

IPTU na Câmara Municipal?
Os outros que chegaram nós derrubamos. Este agora está muito mais democrático e ao meu entender muito mais inteligente.

O governador Marconi Perillo apoia o vereador Anselmo Pereira para a prefeitura de Goiânia?
Lógico que apoia. Eu sou do PSDB. Eu fui presidente do PSDB metropolitano. Eu sou o vereador mais votado nesta gestão. Eu sou o vereador do PSDB mais votado em capitais do Brasil. Eu sou aliado antigo do governador Marconi Perillo. Foi ele quem me trouxe para o PSDB. Tenho certeza que ele apoia quem o apoia.

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