Quem é o inimigo…

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Jorge de Lima

Quem é o inimigo …Quem é você? Não temos por que chorar nem pra onde ir… Somos soldados pedindo esmolas… – Legião Urbana –

Vivemos em uma sociedade bélica. Nossas crianças desde muito cedo aprendem jogando um game  a dar tiro na cabeça de inimigos, e a violência é retroalimentada pela tecnologia . Diariamente temos banho de sangue em noticiários, com crueldade, sadismo, um estranho fascínio que torna o bizarro em espetacular, e que movimenta bilhões na indústria da comunicação, entretenimento, dos vídeo games, da indústria armamentista, na venda de seguros. Todo mundo tem de ter uma insegurança para chamar de sua. A habitual paranoia coletiva de que o inimigo lhe espreita, e pode atacar a qualquer instante. A insegurança pós moderna que alimenta os mercados e nosso imaginário.
Neste cenário é fácil constatar que o fundamentalismo ideológico e religioso aumentou consideravelmente no Brasil nos últimos 20 anos. Fundamentalismo que amplia o preconceito, a intolerância, o descaso com pessoas de outras culturas, com a diversidade de identidades. No fundamentalismo não importa quem é o outro, o que pensa, existe arraigado alguns fatores, o egoísmo e a distorção da realidade com muita belicosidade, raiva, ira. E isto está em nossa política da extrema direita, da esquerda, nas igrejas renovadas televisivas, em nosso parlamento. Radicalismo, idiotia, fanatismo. O mesmo esterco do fundamentalismo que gera os terroristas.
De que é formado um terrorista? Junte os aspectos que citei anteriormente, com uma personalidade agressiva, com psicopatia associada ao fanatismo religioso, político ou ideológico que se cria uma combinação literalmente explosiva. Com uma boa dose de lavagem cerebral, treinamento militar, instrução detalhada de como fazer bombas caseiras com alto poder de destrutividade e dinheiro para comprar armamento e munição, chegamos aos elementos deste cenário. Um indivíduo com uma índole agressiva extrema recheado de razão em uma ideologia pervertida constrói o monstro social que pode reaparecer a qualquer instante. E não estamos livres disto no Brasil.
Terrorismo não tem nacionalidade e se infiltra nos locais que jamais imaginamos existir. Não é de um país ou de uma raça, de uma ideologia religiosa, concentra apenas um grupo de fanáticos com teor fundamentalista que querem sua justiça, pervertendo todos os ideais de bom senso. E infelizmente temos vários tipos de fundamentalistas em nosso Brasil que não respeitam nada nem ninguém, e que hoje querem controlar tudo subvertendo nossa constituição. Se funde fanatismo, religião, fundamentalismo e a justiça deixa de existir.
Além das vitimas diretas existe todo efeito psicológico, na egrégora que circunda o fato ressoando em um pânico coletivo que perdura por gerações. Para cada morto multiplique pelo menos mil indivíduos que vão conviver com  pesadelos, com transtorno de ansiedade, fobias, com transtorno de estresse pós traumático, depressão enquanto vítimas indiretas dos fatos. E toda sociedade se alimenta deste sangue derramado… todos nós consumimos  este produto indigesto que dá um sentido distorcido à vida sem graça da atualidade. Raiva e inconformismo com muita apatia olhando o problema apenas nos outros. Infelizmente ainda vamos ver muito este filme…

Jorge Antônio Monteiro de Lima é analista e psicólogo clínico, pesquisador em saúde mental, escritor, cronista e músico.

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