Tensões e distensões entre PT e PMDB

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Altair Tavares é comentaristas das Rádios 730 e Vinha FM

Não é nova a tensão entre integrantes do PMDB e do PT de Goiânia e o caso do projeto do IPTU de 2016, da capital, é apenas uma gota d’água num universo de uma relação conflituosa. Assim, ao chamar os vereadores do PMDB para votar contra o projeto do reajuste do imposto para o ano que, o vice-prefeito Agenor Mariano impulsionou uma insatisfação oculta, principalmente por ele e alguns iristas.
A política é ambiente de tensões e distensões permanentes, do tipo de um elástico no estica e encolhe. O fato, agora, reflete a não aliança entre PT e PMDB no apoio a Iris Rezende e a candidatura a governador derrotada de 2015 (apesar da aliança no segundo turno, quando houve um distensionamento). Se Antônio Gomide não fosse candidato, por outro lado, o segundo turno não estaria tão garantido, pois Marconi deu uma lavada eleitoral em Iris em Anápolis (como em outras eleições, os Anapolinos não prestigiam o PMDB, nem Iris).
Na Reforma Administrativa da Prefeitura de Goiânia, este ano, foi clara a insatisfação dos peemedebistas da capital que não teriam sido ouvidos na reformulação da estrutura administrativa. A declaração do vereador Clécio Alves (PMDB), em entrevista à Rádio 730, indicou esse caminho. O secretário Jeovalter Correia (Finanças) tomou a frente da gestão e o fato desagradou aos aliados do PT, que não foram ouvidos.
O caso do reajuste da Saneago, este ano, é outro. Os peemedebistas foram ao Ministério Público denunciar o reajuste e, de quebra, que a gestão do Prefeito Paulo Garcia não tomou providências contra o aumento e, àquela época, foi revelado que o contrato de concessão não teria a renovação, conforme a nova legislação. De uma hora para outra, apareceram Paulo Garcia e Marconi Perillo anunciando o acordo. Aliás, até hoje, não concretizado.
Não deve ser desprezada uma atuação interna no PMDB proporcionada pelas iniciativas do empresário e ex-deputado Sandro Mabel. Ele atua com os parlamentares que patrocinou para deputado federal (incluindo Alexandre Baldy, do PSDB) em ações políticas contra o governo de Dilma Roussef (PT). Em Goiás, ele se junta ao coro dos defensores do fim da aliança.
No ápice da crise de relacionamento na prefeitura de Goiânia, uma reunião do diretório municipal teve um sopro de bom senso pelo “distensionamento”. Vários nomes do PMDB, que não ficam nas páginas dos jornais, defendem a manutenção da aliança, pelo menos por enquanto. Claro, está, que romper significa desestruturar composições internas que ambos precisam para construir uma base para a futura Câmara Municipal, que será eleita em 2016.
No caso da Planta de Valores para 2016, PT e PMDB têm muito mais interesses em comum do que conflitos, se o projeto fosse lido. Aliás, o vereador Wellington Peixoto confidenciou que peemedebistas, e o próprio Iris Rezende, manifestaram contrariedade com o projeto sem ler o conteúdo. A revisão da Planta de Valores é um presente para o próximo prefeito de Goiânia que, aliás, pode ser Iris (se vencer).
No campo das tensões, uma situação está clara: a relação entre o vice-prefeito Agenor Mariano (PMDB) e Paulo Garcia (PT) chegou a um nível inconciliável. Será surpresa se eles chegarem a algum acordo, futuramente. Dos dois lados, ficaram duras e profundas feridas. E, na política, como em qualquer outra atividade, as tensões podem chegar a um nível em que a reversão é impossível.

Altair Tavares é comentaristas das Rádios 730 e Vinha FM  e publica o blog www.altairtavares.com.br

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