“O PMDB perdeu a sintonia com as lideranças do interior”

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Nailton de Oliveira (PMDB). Foto: Paulo José/Tribuna

Ronaldo Coelho

Ex-presidente do PMDB e candidato a presidir o partido novamente, Nailton de Oliveira declara, em entrevista exclusiva à Tribuna do Planalto, que essa divisão interna prejudica o PMDB, mas que há tempo para reoxigenar o partido visando às eleições municipais do ano que vem. Ele afirma que representa a força do interior e que quer presidir a sigla novamente para buscar novas lideranças objetivando fortalecer a legenda. Nailton declara ainda que Iris Rezende é o maior patrimônio do partido e precisa ser respeitado como tal pelos correligionários. O adversário dos peemedebistas, lembra, está do outro lado e não dentro da sigla. Sobre a crise do PMDB com o PT em Goiânia, diz não crer que a aliança se confirme nas eleições do ano que vem.


O PMDB de Goiás estava acéfalo há um mês. Só nesta sexta-feira, dia 27, o diretório nacional oficializou a comissão provisória de Goiás, que tem o senhor como um dos membros. Essa demora na definição pode ter prejudicado o PMDB que precisa se organizar para as eleições do ano que vem?
Sem sombra de dúvida. É muito prejudicial, haja vista que o PMDB é o maior partido de oposição em Goiás e dos 246 municípios do Estado o partido tem comissões provisórias em 145 e em 46 cidades temos diretórios constituídos. Temos que constituir mais 50 diretórios, no mínimo,  porque agora o próprio estatuto fala que o partido tem que ter pelo menos 30% dos diretórios constituídos no Estado para marcar uma eleição. Então, a comissão provisória terá que formalizar diretórios em mais 50 cidades para preencher os requisitos exigidos para a eleição no partido.

O PMDB está rachado entre dois grupos. O senhor, por exemplo, representa uma ala ligada ao ex-prefeito Iris Rezende e à ex-deputada Iris Araújo. O senhor vai manter sua candidatura a presidente do partido?
Entramos nesta disputa que é salutar para fortalecer o espírito democrático. A minha posição como candidato a presidente do partido é porque eu tenho tempo de 24 horas por dia para me dedicar ao PMDB e os parlamentares já têm as suas atividades como deputado estadual, como deputado federal. O partido, neste momento, precisa muito de alguém sem mandato para conduzi-lo. Temos que ter o bom senso de escolher alguém que não tenha interesse pessoal, e sim de ajudar a construir, a organizar o partido no Estado.

É possível o consenso neste momento no PMDB para eleger o diretório e a executiva do partido?
Sim. Em política tem que conversar, dialogar.

Agora, o senhor foi candidato a presidente do PMDB e chegou com a força do interior. O deputado José Nelto e o deputado Daniel Vilela chegaram na eleição com a força dos deputados estaduais e federais. O senhor representa a força do interior no partido?
Sim. Eu represento porque eu presidi a Associação Goiana dos Municípios (AGM), presidi a Federação Goiana dos Municípios (FGM), que antes foi a Frente de Mobilização Municipalista (FMM). Fui um dos fundadores da FMM. Então hoje eu conheço os prefeitos, ex-prefeitos e lideranças do nosso partido nos 246 municípios de Goiás. O PMDB ganhou as eleições em Goiânia no primeiro e no segundo turnos, mas perdemos na maioria dos municípios de Goiás. Diante dessa linha de raciocino coloquei meu nome porque o PMDB necessita de alguém que visite, que tenha o acesso e condições de buscar nomes novos para agregar valores no PMDB já visando as eleições de 2016 e, consequentemente, as eleições de 2018. Eu conheço prefeitos e ex-prefeitos por nome. Eu conheço todo esse pessoal do interior. Tem liderança hoje que nós poderíamos buscar para fazer parte do PMDB. Falta alguém para capitanear novas lideranças para o partido.

O PMDB nos últimos anos foi bem em Goiânia e Aparecida de Goiânia. Mas de modo geral o partido não foi muito bem no interior. Depois de muitos anos fora do poder no Estado o PMDB perdeu força? Perdeu contato com as lideranças do interior?
Não é que perdeu força. O PMDB perdeu a sintonia com as lideranças do interior. As lideranças do PMDB no interior do Estado sequer recebem um telefonema de uma liderança do PMDB estadual. O partido precisa fazer esse trabalho artesanalmente, visitando, telefonando, contactando com as lideranças e mostrando a importância delas fazerem parte do meio político. Sabemos que um partido se fortalece é buscando novos nomes. São as lideranças que vão governar o município, ser vereador, prefeito ou vice. E o partido tem esse papel fundamental de capitanear bons nomes. Tem pessoas de boa índole que querem fazer parte de um partido, mas falta o convite. Quero fazer esse trabalho e fortalecer o partido para que possamos em 2016 vencermos na maioria das cidades de Goiás e propiciarmos uma campanha vitoriosa em 2018.

O senhor disputa a presidência do PMDB com apoio do ex-prefeito Iris Rezende?
O Iris quer o melhor para o PMDB. A minha aproximação com o Iris é porque eu vejo que ele é um líder que realmente foi testado nesse Estado. E nós temos que valorizar essas pessoas como Iris Rezende não é depois que Deus levar, mas sim agora. Temos que valorizar o que ele é, o trabalho que ele fez para o PMDB e por Goiás. Estou próximo dele e é claro que gostaria de ter o apoio dele, da ex-deputada Iris Araújo, enfim,  de todas as pessoas que vêm a política como ideal.

Na sua opinião, seria um erro de estratégia de quem quer tirar o poder de Iris Rezende no PMDB?
É um grande erro. Na verdade, o Iris Rezende é o maior patrimônio que o PMDB tem. Um candidato que teve 1, 3 milhão de votos no Estado e que ganhou no primeiro e no segundo turnos na capital ele é importante no partido. Nós precisamos, na verdade, é nos associarmos a ele, buscar a experiência dele, não é querer atropelar o maior patrimônio que o partido tem hoje em Goiás. O adversário nosso hoje em Goiás não é o Iris Rezende, o nosso adversário é o governo que está aí há mais de 16 anos no poder.

Mas parece que tem gente no PMDB que não entende isso…
Algumas pessoas não entendem dessa forma. Eu entendo dessa maneira. Nós temos que buscar o Iris Rezende e todas aquelas pessoas da oposição em Goiás para tentarmos fazer uma nova oposição em 2018. O nosso adversário, repito, não é o Iris. São outras pessoas que estão comandando Goiás.

O PMDB está desunido, dá para recuperar e reoxigenar o partido a tempo de organizá-lo no Estado inteiro para disputar as eleições municipais do ano que vem?
É claro que deve haver bom senso das pessoas. É preciso deixar a vaidade de lado e pensar no partido, pensar na sociedade. Então, entendo que o PMDB tem um papel importante porque é o partido que lutou pelas diretas, lutou pela redemocratização desse País. Então, a disputa que nós travamos hoje no partido é  uma disputa que tem o espírito democrático. Em momento algum eu quero enfrentar A ou B apenas por enfrentar. Eu quero implantar minhas ideias para ver o partido crescer. Que há tempo, isso há. Tudo dá tempo, desde que todo mundo entenda que o partido é maior do que nós todos juntos, o partido não é de ninguém. Se todos estiverem com esse espírito democrático de buscar o partido para contribuir, para fazer acontecer no ano que vem e fazer o maior número de prefeitos, vices e vereadores de Goiás, eu tenho certeza que dá tempo para tudo.

 O PMDB já tem candidato a prefeito de Goiânia em 2016 ou ainda não?
O PMDB terá candidato em Goiânia sim. Haja vista que o PMDB ganhou as eleições do ano passado no primeiro e no segundo turnos na capital com Iris Rezende. O partido tem vários nomes. Tem o presidente do diretório metropolitano, o deputado estadual Bruno Peixoto, tem o vice-prefeito Agenor Mariano. Tem  nomes excelentes que amanhã ou depois podem ser candidato a prefeito da nossa capital.

E Iris Rezende?
Iris Rezende é um nome sempre lembrado. Quando se fala em política em Goiás, quer seja para prefeito, quer seja para governador, o nome dele é lembrado por toda a sociedade de Goiânia e de Goiás. É um nome forte.

Politicamente o senhor é muito ligado a Iris Rezende. O senhor sabe se ele está disposto a disputar a eleição de prefeito de Goiânia no ano que vem?
O Iris, na verdade, não fala que é nem que não é candidato. ele está esperando as coisas acontecerem. Se surgir um nome que realmente venha agregar o partido e em condições de vencer as eleições eu não vejo dificuldade de ter desprendimento para eleger outro companheiro.

Surgiram rumores na Câmara Municipal de que Iris Rezende não estaria disposto a disputar a eleição para prefeito de Goiânia em 2016. Issso tem fundamento ou é algo de interesse da oposição?
Essa é uma questão muito pessoal do Iris. Não posso falar para você o que é o que não é. Ele sabe o que é melhor para Goiânia, para Goiás. Em todas as candidaturas que ele disputou foi exatamente por causa do clamor dos companheiros do partido, dos companheiros de Goiânia. Se amanhã ou depois os companheiros fizerem um clamor para ele, certo,  acredito que ele não fugirá do desafio para voltar a comandar a capital.

Na opinião do senhor, o PMDB perdeu muito com expulsão do Júnior Friboi?
Não perdeu porque o Júnior Friboi é um mega empresário, mas o ramo dele não é política. Não perdeu nada porque o Júnior Friboi eu respeito como empresário, mas como político entendo que ele nunca disputou eleição de vereador, de prefeito, de deputado estadual, deputado federal e de senador, nunca conquistou um mandato. Sempre quis fazer política, mas é preciso fazer uma construção de uma carreira política da mesma forma que ele começou de baixo como empresário, e eu gostaria que ele começasse também de baixo como político  e servir Goiás.
Essa crise de relacionamento vivida entre PT e PMDB em Goiânia deixou a aliança entre a duas siglas bastante estremecida. O senhor acha que ainda dá para salvar essa relação dos dois partidos na capital ou não dá mais?
Com relação à capital quem está mais apto a responder é o presidente do PMDB metropolitano, o deputado Bruno Peixoto. As coligações vão ficar a critério de cada município. Portanto, como presidente estadual do PMDB, se eleito, vou buscar no interior de Goiás aquelas alianças mais pragmáticas. Vou buscar fortalecer o PMDB com nomes de todos os segmentos .

Mas como candidato a presidente do diretório estadual, qual a sua opinião ?
A minha opinião é que na época, na hora oportuna, vamos ver o que é melhor para o PMDB. Se é o PT, se é outro partido. É buscar o pragmatismo. Hoje eu vejo  que diante das últimas notícias houve estremecimento entre o prefeito e o vice-prefeito. Agora, em política tudo é conversado. Tudo pode acontecer daqui até março, abril, junho do ano que vem.

O fim dessa aliança não enfraquece os dois partidos?
Com relação ao PMDB, mesmo estando fora do poder na capital e no Estado, é claro que em política o poder é importante, mas às vezes o poder em certo momento ele faz é atrapalhar. Não adianta você ter a máquina e a máquina ser enferrujada. Você tem que ter uma máquina ativa, acesa, e às vezes uma oposição com discurso, com força de expressão, você consegue vencer sobre quem está com vários poderes nas mãos. É tanto que vários já ganharam em Goiás contra o poder.

Na sua opinião, a máquina administrativa da prefeitura de Goiânia está enferrujada?
Não vou dizer que a máquina da atual administração está enferrujada. Estou falando que em certo momento algumas administrações em dificuldade ela faz é prejudicar uma candidatura.

Uns defendem a manutenção da aliança com o PT, mas há uma corrente dentro do PMDB que prega o rompimento. Essa é uma discussão interna que o PMDB não conseguir resolver. Por que?
Não conseguiu porque o PMDB metropolitano se reuniu com o prefeito para discutir apoio aos projetos que tem na Câmara e manter os cargos que tem na prefeitura. Eu penso assim. Já que para decidir por romper que entreguem todos os cargos na prefeitura e vamos procurar outro caminho. Ou assume o ônus e o bônus ou entrega o poder, entrega tudo. Se não estiver satisfeito, mesmo sabendo que você contribuiu com a eleição do atual prefeito, mas se você viu que não está indo bem, tem que entregar os cargos e não ficar nessa lenga-lenga. Ou senão vá lá, abraça e assume o ônus logo.

Pelo visto esta aliança não está assegurada para 2016…
Acredito que ainda não está porque eu conheço o PMDB não só em Goiás, mas no Brasil. Como que esse PMDB em nível nacional vai caminhar? Tem um grupo que defende manter os ministérios. Tem outro contra. Eu sou de comum acordo que o PMDB tem que ter candidatos de vereador a presidente da República. Não é ficar aí com cargos na prefeitura, no governo estadual ou federal. O PMDB  tem que mostrar a sua origem de luta, de tentar buscar o poder. No meu ponto de vista eu não sei se será viável manter essa aliança em Goiânia para 2016.

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