Vence a mudança na OAB de Goiás

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Altair Tavares é comentaristas das Rádios 730 e Vinha FM

Venceu a mudança na eleição da OAB/GO de 2015, conforme apontado pela pesquisa Fortiori divulgada perto de três meses antes do pleito. Naquela época, o desejo de mudança era citado por 62,7% dos advogados consultados pelo levantamento. No resultado, a chapa “OAB Que Queremos” obteve 56,27% dos votos válidos. Os percentuais ficaram próximos para um mesmo cenário.
Em artigo que analisava a pesquisa, apontava o dado que beneficiava o candidato Lúcio Flávio e seus apoiadores com o discurso voltado para a alternância do poder. Foi curioso, a pesquisa aponta que o desejo de mudança era maior, naquela pesquisa, entre as advogadas (67%). E mais interessante ainda foi observar como elas estavam presentes em toda a campanha eleitoral de forma bem presente na chapa oposicionista.
Independente do desejo, um fato político deve ser considerado para a vitória da chapa “OAB Que Queremos”: a divisão do grupo OAB Forte após a saída do ex-presidente Henrique Tibúrcio e a eleição de Enil Henrique Filho para o mandato-tampão, em dissidência. O próprio candidato eleito, Lúcio Flávio, em entrevista, reconheceu que esta divisão colaborou com a vitória do grupo oposicionista.
No entanto, o fato originário do processo de divisão do grupo OAB Forte e que abasteceu o discurso pela mudança do grupo “OAB Que Queremos” foi a renúncia de Henrique Tibúrcio do cargo de presidente da instituição. Anteriomente, também colaborou o fato do atual do secretário promover uma filiação partidária ao PSDB. Nascia, alí, um movimento e um desejo por mudança. Afinal, os fatos deram à oposição o discurso de que a OAB seria utilizada para fins politicos.
Henrique Tibúrcio errou ao aceitar o cargo de secretário do governo de Marconi Perillo (PSDB) e, agora, o resultado confirma esta conclusão. Se o advogado não tivesse renunciado, a situação política seria outra. Inclusive, não teria surgido o debate sobre a situação financeira da OAB que abasteceu o discurso oposicionista. O grupo OAB Forte perdeu pelos seus próprios erros, também.
Por outro lado, há que se considerar que a mudança e a força da campanha de Lúcio Flávio nasceu de uma nova geração de advogados que não se conformava com a continuidade. Também deve ser considerada a escolha de um candidato a presidente com atitude ousada, que é muito preparado para o debate, que tem uma energia própria.
A vitória da chapa “OAB Que Queremos”também é fruto da união dos grupos Renovação e Atitude. Enquanto a OAB Forte dividiu-se, a oposição promoveu a união. Este, alias, é um cenário visto em várias campanhas eleitorais. Um grupo que acumula força política e econômica para enfrentar um processo eleitoral consegue reunir mais ingredientes para uma vitória.

Altair Tavares é comentarista das Rádio 730 e Vinha FM e editor do www.diariodegoias.com.br

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