Os incomunicáveis

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Paulo Faria, especialista em Marketing Político da Ca

As eleições do ano que vem na cidade de Goiânia por enquanto se configuram num mistério quando pensamos nos pré-candidatos colocados. A cena está vazia,  e sendo assim, à mercê das ocorrências conjunturais muito imediatas, ou seja, à mercê de um fato em cima da hora que pode definir o processo. Goiás tem dois casos clássicos que  mostram que aqui este fenômeno não é novidade.
O primeiro caso foi a derrota eleitoral (quase com  sabor de vitória) de Darci Accorsi em 1985, que passou de desconhecido a quase vencedor de um pleito ainda muito envolvido pelos interesses da ditadura. E  o segundo a grande e inesperada vitória de Marconi, em 1998,  que foi resultado de uma candidatura construída as pressas,  onde, no primeiro momento, apenas o próprio Marconi – é o que contam alguns que estiveram muito próximos – trabalhava para ter mais do que a construção de uma boa marca para o futuro.
Basta dar uma passada pelos nomes que estão circulando e vamos ver que o cenário  de hoje mistura duas situações, semelhantes aquelas anteriores.   Em uma,  a de 1985,  não havia nomes em destaque, e em outra, de 1998,  havia um grande nome com muito destaque, que refletia uma grande diferença em números na pesquisa. Nas duas  venceu o inesperado. Agora a mistura aparece da seguinte forma: há um nome em destaque, Iris Resende (PMDB),  mas não é um destaque que se reverte em grande diferença na pesquisa. Deveria estar mais destacado.
Se Iris com toda sua bagagem e todo seu trabalho por Goiânia não fica tão longe de novatos, como o Delegado Waldir Soares (PSDB), deputado federal eleito, que só em Goiânia teve mais de 178 mil, isso é um dado para  se refletir. Waldir será um teste, se conseguir efetivar sua candidatura, coisa que também não é certa, pelo menos não no seu partido atual.  Porquê um teste? Porque aposta tudo numa nota só: segurança pública. Será que o eleitor que escolheu um legislador com um foco temático, escolhe um prefeito também com apenas um foco temático?  Talvez não, mas só vamos saber adiante.
Vanderlan Cardoso, duas vezes candidato a governador, não abandona a zona intermerdiária nas mensurações eleitorais, devia estar melhor posicionado.  Mas qual é a ação de comunicação, de mobilização ou de relacionamento que tem feito depois da eleição? Em qual grande debate de Goiânia ele está envolvido? Giuseppe Vecci, que parece ser um nome que agrada o palácio também  não consegue construir uma imagem pública junto ao  eleitorado – continua pouco conhecido.
Adriana Accorsi tem uma  herança para ajudar, a do pai,  e um fardo que parece ficar cada vez maior, a ligação com o partido.  Todo dia tem um fato novo, e negativo, como a prisão do senador Delcídio do Amaral. Eles têm atrapalhado qualquer tentativa de reposicionamento. Na eleição ainda de modelo masculino, uma mulher que tem uma formação sólida e reconhecida na segurança pública tem mais chances, mas ela também vai precisar, provavelmente, abrir a sua temática.
É tão aberto o cenário que em poucos dias o ex-deputado e engenheiro Luiz Bittencourt, que já exerceu vários mandatos estaduais e federais e que já foi candidato a prefeito de Goiânia em 1996, contra Nion Albernaz, com um simples alô e pelas vias do PTB,  lançou sua candidatura e já conseguiu se situar na cena. Já conseguiu repercussões e assim entrou no debate, pequeno debate, é verdade. O professor Nion se posicionou sobre o assunto e ajudou Bittencourt a fixar sua presença ali.
Vejam que está tudo  muito incerto ainda e isso quer dizer algumas coisas. Primeiro, que ainda há tempo para todos construíram trampolins adequados para o equilíbrio  das pré-candidaturas – há tempo mas não muito. Na minha avaliação, são poucos os instrumentos  de publicizar imagem neste momento, e, num nível mais profundo, de criar qualidade para elas e criar  relacionamento com o grande público. E estes instrumentos não estão sendo usados. Os pré candidatos estão quase “incomunicáveis”.
Uma segunda coisa que se pode dizer é que num cenário assim, se ele persiste, o horário eleitoral vai ser decisivo, vai mesmo.  Será um momento em que os  “incomunicáveis” serão obrigados a se comunicar. Quando a cena é aberta assim, indefinida assim, quem acerta “a boa conversa” primeiro sai na frente. Aliás uma campanha midiática que será curta, um mês apenas.  E quem acompanha sabe que é muito difícil uma campanha ter mais de uma “onda” – embora a campanha passada tenha sido a maior excessão desta quase regra da experiência.
E em terceiro se pode dizer que o cenário incerto é um caminho para novidades. E isso não garante que elas sejam boas para a promoção da cidadania.
Nós que somos da comunicação, não costumamos ter dúvida de que os meios de comunicação é que formam o meio ambiente político. Não temos dúvida de que é este meio que faz existir o debate político, que leva a formação das imagens públicas, e provoca o eleitor, em sua subjetividade, levando a um resultado. Sendo assim, temos certeza de que a incomunicação  é  mãe da surpresa eleitoral.

Paulo Faria, especialista em Marketing Político da Casa Brasil Comunicação

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