Trabalho infantil ainda é um problema escolar

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Mesmo com proibição legal, a prática do trabalho infantil ainda persiste: crianças usan as ruas de Goiânia e de municípios vizinhos como ambinete de trabalho

Consequências do trabalho infantil são irreparáveis, já que a criança que começa a trabalhar deixa os estudos de lado e passa a valorizar o trabalho
Fabiola Rodrigues

O trabalho infantil é um problema que afeta severamente o aprendizado, quando não interrompe a frequência escolar. Ainda hoje a necessidade de ajudar a família leva muitas crianças a abandonar a escola. Para a diretora da Escola Estadual Crimeia Oeste, em Goiânia, Neuva Pereira, na maioria das vezes a criança começa a trabalhar para completar renda familiar.
“Crianças que abandonam a escola vêm de lares desestruturados. E os filhos acabam precisando trabalhar. São filhos de pais separados, filhos que moram com a avó. Quando eles chegam no 9º ano muitos solicitam transferência de turno para trabalhar”, afirma a diretora.
O trabalho infantil complica a vida da criança para ela se desenvolver nos estudos. Chegando a ponto da criança abandonar a sala de aula para trabalhar. A lei brasileira é clara: menores de 16 anos são proibidos de trabalhar, exceto como aprendizes e somente a partir dos 14 anos. Porém não é essa realidade vivida em alguns casos em nosso estado.
“Este ano recebemos três alunos na escola que fugiam das aulas para vigiar carro. E destes três alunos somente um ficou na escola. Os outros dois foram para as ruas trabalhar. Lamentável tudo isso, vejo mais uma vez, crianças perdendo um tempo tão precioso que não volta mais”, conta a diretora.
A evasão escolar de criança que precisa trabalhar ainda é um problema, segundo Neuva pereira. A diretora lembrado caso de um aluno que perdeu o ano letivo por faltas e dificuldade de acompanhar a turma em sala de aula.
“Nós tivemos um caso recentemente de um aluno que começou a trabalhar no Ceasa para ajudar na renda familiar, porque a família estava muito apertada. E ele faltava às vezes duas semanas de aula, ia para o Ceasa e, quando ele voltava para a sala de aula, o rendimento dele era bem abaixo da média. Ele não conseguia acompanhar a turma. Ele vai perder o ano letivo”, relata diretora.
Segundo pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em 2010, o trabalho infantil tem diminuído, porém ainda existem 3,4 milhões de crianças e adolescentes, entre cinco e 17 anos, no país que deveriam estar em sala de aula, mas estão trabalhando. Goiá não foge a essa realidade e também enfrenta problemas com o trabalho infantil, principalmente nas grandes cidades, onde ainda hoje muitos trabalham vigiando carro, vendendo produtos diverso em sinaleiros ou em bares.


 

Rendimento do aluno fica comprometido

Neuva Pereira, diretora de escola: “O trabalho infantil prejudica muito o desenvolvimento do aluno”
Neuva Pereira, diretora de escola: “O trabalho infantil prejudica muito o desenvolvimento do aluno”

As consequências do trabalho infantil podem ser irreparáveis mais tarde. Uma criança ou adolescente que começa a trabalhar desvaloriza o estudo e prioriza outras coisas. Segundo a diretora Neuva Pereira, especialista em comportamento educacional, uma criança que começa a trabalhar tem uma tendência de não priorizar o estudo. E consequentemente, abandona a escola e, quando volta a estudar mais tarde, enfrenta grande dificuldade e déficit de atenção.
“As pesquisas mostram que crianças que começam a trabalhar muito novas desistem do estudo muito cedo. E o trabalho prejudica muito o rendimento escolar da criança”, comenta a diretora.
Mesmo com a dificuldade financeira e outros motivos que levam uma criança a trabalhar, o trabalho infantil só traz prejuízos. Os pais não podem abrir mão de deixar a criança na escola. A diretora ressaltou em uma de suas falas que pais com baixa escolaridade são aqueles que geralmente deixam o filho partir para o trabalho muito cedo. Ela faz uma afirmação clara sobre os pais: o papel deles de apoiar o filho na escola vai decidir o futuro da criança.
Para ajudar combater o trabalho infantil em Goiás, o Ministério Público do Trabalho (MPT-GO) lançou em outubro deste ano a campanha “Com o trabalho infantil, muitos sonhos morrem”. O objetivo foi alertar os riscos do trabalho precoce entre crianças e adolescentes, além de chamar a atenção para a importância da educação, estudo e escola como única saída na construção de um futuro melhor.

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