Muito barulho por nada

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A classe estudantil, assim como os professores e demais trabalhadores da educação pública, tem uma história de luta pela democracia em nosso país que precisa ser reconhecida e aplaudida. Basta lembrar os tempos sombrios do autoritarismo no período de 1964 a 1985, quando boa parte da resistência democrática estava atrelada a esta parte da sociedade.
Os tempos mudaram, veio a democratização, a educação pública se tornou, antes de ser um espaço de aprendizagem de alto nível, como se deve esperar, se tornou na verdade um feudo de sindicalistas, entrincheirados e defendendo bandeiras que servem, ao final, para manter privilégio de poucos, pouquíssimos membros de seus sindicatos. A qualidade da educação oferecida sempre ficou em segundo plano.
Falta legitimidade aos contestadores da reforma na educação pública. O atual modelo educacional, que vigora em nosso país desde tempos imemoriais, é simplesmente indefensável, por ser dispendioso e ineficiente, para citar apenas dois pontos estruturais. Se formos entrar em detalhes, o atual sistema privilegia o mau professor, tem uma produtividade inacreditavelmente baixa e, ao final, entrega para a sociedade estudantes que sequer sabem fazer operações matemáticas básicas e ler um texto de complexidade mediana. Essa é a educação pública que temos, com raras exceções.
Diante de um quadro caótico como esse, seria natural o surgimento de alternativas exequíveis por parte dos profissionais da educação. Mas o que eles têm para oferecer em termos de alternativa? Nada. Sequer têm argumento plausível em defesa do atual modelo educacional, simplesmente porque os educadores ou atuais gestores não têm um modelo a oferecer que seja capaz de equacionar o caos em que se transformou a educação pública no Brasil.
Portanto, qualquer proposta que venha a sacudir e propor mudanças estruturais, que tenha como foco a melhoria da qualidade do serviço educacional oferecido à sociedade, deve ser considerada e avaliada. Porém para os defensores de privilégios mantidos às custas do dinheiro público não há discussão quando se mexe na zona de conforto em que estão plantados há décadas. Mas o país precisa andar pra frente, ainda que signifique mexer com privilégios intocáveis.

Manoel Messias – Editor Executivo

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