Com quantos corruptos se faz um partido?

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Jorge de Lima

Não é raro ouvirmos em consultório a queixa de pais, professores de jovens que se auto mutilam. Que por alta ansiedade pegam uma faca, estilete e cortam os braços, pernas, as mãos, pedaço de orelha,. Ou os que acabam arrancando cabelo, se unhando, adotando comportamentos compulsivos de forma destrutiva, como se beliscar, morder os lábios ou fazer sangrar a gengiva, roer as unhas até sangrar. Com uma pitada de requinte masoquista é sabido dos amplos estudos de psicologia que jovens em estado de ansiedade sentem se aliviados diante da dor, ou ao verem sangue. A dor que alivia, que gera reflexão, que coloca para fora a ansiedade, que em desespero se acumula. Tensão nervosa que deixa um indivíduo ansioso, que paralisa ou que inquieta. Dor que às vezes faz uma criatura sentir se viva a retirando de uma letargia.
Todavia não é apenas em jovens que este comportamento destrutivo se manifesta. Hoje em nosso cenário sócio político o comportamento auto destrutivo esta no voto, quando um cidadão “de bem” elege um ficha suja, quando elege um bandido que vai nos roubar e ficar rico desviando verbas. Lembra em quem você votou e quais eram suas promessas de campanha? E o que você faz com isto? Bate palmas ou fica ai apático fingindo que não tem nada a ver com isto?
Outro exemplo de auto mutilação esta hoje em nosso fanatismo, de teor fundamentalista, seja ela política, religiosa, nos meandros da intolerância. Após a ausência de consciência e percepção da realidade, em ampla neurose plausível de tratamento psiquiátrico, o teor quixotesco, emerge em pura alucinação, muitas vezes defendendo ou atacando coisas e temáticas absurdas. Por exemplo os que vão as ruas defender bandidos, corruptos, ou uma ideologia, uma carta de fundação partidária que não existe mais. Idiotia, retardo mental ou mal caratismo associado a imensa belicosidade com delírios de alucinações? Isto é um comportamento auto destrutivo.
Esses dias vi pessoas falando dos 24 milhões de brasileiros retirados da miséria o que foi notável, mas por que não falar do aumento da inflação, da política neo liberal da esquerda que gera lucro a bancos, da corrupção e da inexistência de uma política real de distribuição de renda, promessa eleitoral dos últimos16 anos? E o que falar de nossa “pátria educadora” que traiu os professores e evidenciou o cinismo dos compromissos eleitorais que jamais vão ser cumpridos? E sobem os impostos, água, gasolina, gás de cozinha, energia elétrica, inflação,…
Hoje eu questiono com quantos corruptos se faz um partido? Eu tenho vergonha e nojo do jogo político que fala de ética por quem rouba menos. A auto mutilação hoje esta na imagem destruída da nossa política, na falta de credibilidade dos órgãos de fiscalização, na incompetência ampla dos partidos de se organizarem de forma estratégica para melhoria de sua imagem. Na inexistência no Brasil de uma oposição articulada. Incompetência e idiotia são formas claras de masoquismo. Resta nos aprender pela dor…
Jorge Antonio Monteiro de Lima é deficiente visual (cego), analista (C. G. Jung), psicólogo clínico, pesquisador em saúde mental, escritor, cronista e músico.

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