Diretores teriam desviado R$ 30 milhões do SindiGoiânia

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Dirigentes foram afastados dos seus cargos e estão probidos de saírem de Goiânia e de frenquentarem a sede do sindicato

Ronaldo Coelho

A Polícia Civil (PC) deflagrou na manha de sexta-feira, dia 18, a Operação Sinecura que fez buscas, apreensões, prisões e conduções coercitivas nas residências de diretores do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Goiânia (SindiGoiânia), no Setor Bueno e no Jaó, e em um escritório de advocacia que presta serviço ao Sindicato.
Conforme o delegado adjunto da Delegacia Estadual de Repressão as Ações Criminosas (Draco), Breynner Vasconcelos, os desvios começaram a ser feitos em 2008 e, de lá para cá, teriam sido desviados cerca de R$ 30 milhões.
Um total de 13 pessoas foram alvos da operação, entre elas, o presidente da entidade, Carlos Antônio Alencar (Carlão), o vice-presidente Mauro Zica Júnior, que também é presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores em Goiás (NCST-GO), e o presidente da Federação das Entidades Sindicais dos Servidores Públicos Municipais do Estado de Goiás (FESSPUMG), Sandro Pereira Valverde.
Ainda são acusados de participação no esquema fraudulento Mauro Zica Neto, filho de Mauro Zica Júnior, Silvana do Carmo Silva, Luís Paulo Alves Calaça e Maria Aparecida Alves de Jesus. Também foram ouvidos como testemunhas Gabriel de Souza Arnolfo, Petrônio Lima de Castro, Sandra Maria de Oliveira Zica (esposa de Mauro Zica Filho), Samyra Maria de Oliveira Neto e Noicy Célia Pessoa.
“Acreditamos que o presidente Antônio Carlos, Mauro Zica Júnior e Sandro são os cabeças. Acreditamos que a tornozeleira foi a medida mais adequada. Estão proibidos de frequentar as instituições, de sair de Goiânia, de frequentar as entidades sindicais, em caso de ocorrência de outro caso concreto, será representado pela prisão preventiva”, declarou o delegado Breynner Vasconcelos.
Segundo o delegado, a investigações começaram há cerca de seis meses depois que algumas pessoas comunicaram à Polícia Civil que diretores do Sindigoiânia estariam ficando ricos rapidamente e de forma supostamente ilícita.

Fraudes
As investigações retroagiram ao ano de 2006. A Polícia Civil averigou que houve uma série de fraudes nas atas e no estatuto do sindicato desde então que facilitaram a vinculação do Sindigoiânia a outras entidades sindicais e assim o controle pelos sindicalizados era reduzido.
Outras entidades foram criadas com intuito de desviar recursos financeiros do Sindigoiânia, como a Federação dos Servidores Municipais e a Central de Atendimento ao Servidor Público (Sindivapt), órgão responsável pela parte social das entidades sindicais.
O delegado informou que esta diretoria faz parte do sindicato desde 2004. Em 4 de março de 2009 teria ocorrido uma assembleia irregular. “O sindicato tem mais de 10 mil filiados e foi realizada com a presença de apenas 71 pessoas e foi majorado a contribuição sindical de 1% para 2% sobre a remuneração mais o seguro”, argumentou.

Valores
Segundo Breynner Vasconcelos, era alto os valores das movimentações bancárias. Um dos acusados, Osvaldo Conceição, que era diretor mas na prática fazia o papel de motorista do presidente, teria movimentado R$ 16 milhões de reais.
“Uma organização criminosa. A investigação se iniciou há seis meses e o período que foi observado foi de 2006 para cá. A partir de 2008 houve uma série de desvios da conta do sindicato para a conta de terceiros, valores milionários. Em uma conta foi movimentado mais de R$ 16 milhões, em outra R$ 6 milhões, R$ 8 milhões. Por isto acreditamos que a movimentação irregular é em cerca de R$ 30 milhões. Queremos descobrir para onde foi este dinheiro. A quantidade de saques em espécie foi muito grande”, destaca o delegado.
Os envolvidos teriam desviado cerca de R$ 30 milhões do SindiGoiânia e usado laranjas para comprar bens. Na casa da tesoureira da entidade, Silvana do Carmo e Silva, foi encontrada uma arma de fogo e R$ 106 mil em espécie, dinheiro que ela não soube justificar a origem. A arma é relíquia de família e a tesoureira apresentou registro de posse. A justiça autorizou o sequestro de um imóvel que estaria no nome de Mauro Zica Neto, avaliado em R$ 1,8 milhão e mais de R$ 1 milhão em veículos e outros imóveis.
Além de Carlos Antônio Alencar (Carlão), Mauro Zica Júnior e Osvaldo Conceição, foram indiciados, Luiz Paulo Alves Calaça, Silvana do Carmo e Silva, Mauro Zica Neto e Sandro Pereira Valverde. Eles foram encaminhados à Casa do Albergado de Goiânia onde receberam tornozeleiras eletrônicas determinadas pela justiça. Estes diretores foram afastados de suas funções, estão probidos de saírem de Goiânia e de se aproximarem da sede do Sindicato. Todos estão utilizando tornozeleiras eletrônicas por ordem da justiça.
A reportagem da Tribuna do Planalto tentou contado com a direção do SindiGoiânia para posicionamento sobre o assunto, mas não foi atendida até o fechamento desta edição. Os investigados são acusados pelos crimes de peculato equiparado, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

 

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