Seca castiga região Sudeste

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João Emídio de Miranda, presidente da Associação Tocantinense de Municípios

Prefeitos da região Sudeste do Tocantins estão preocupados com as consequências sociais e ambientais causadas pela escassez de chuva

Um estudo realizado pelo instituto Ipepe, de Palmas, encomendado pela Associação Tocantinense de Municípios (ATM), entre os dias 10 de novembro a 05 de dezembro com 22 prefeitos da região Sudeste do Tocantins, revelou o avanço da seca na região, cujas consequências sociais e ambientais são perceptíveis e já preocupam sobremaneira as autoridades municipalistas.
De acordo com os dados, 83,36% dos gestores municipais garantem que seus municípios foram afetados diretamente este ano, contra 9,09% que afirmaram que sofreram mais ou menos e 4,55% que disseram que os municípios administrados por eles não tiveram problemas decorrentes da falta de chuvas. Todavia, dos que disseram que enfrentaram problemas de estiagem, 77, 27% informaram que a falta de chuvas é um fenômeno de muitos anos, ante 22,73% que declararam que o problema é recente.
O Ipepe comparou, junto aos líderes municipais, a falta de chuvas neste ano de 2015 com o período de 2014. Conclusão: segundo 59,09% dos entrevistados, a seca de 2015 foi superior a de 2014. No entanto, 31,82% declararam que a seca foi igual nos dois períodos, e 4,55% dos entrevistados disseram que a seca do ano de 2014 foi superior a de 2015 em seus municípios. Por fim, 4,55% não souberam ou não quiseram responder esse questionamento.
Para o presidente da ATM, prefeito de Brasilândia João Emídio de Miranda, o problema da seca vai entrar na pauta dos debates da entidade no próximo ano.
“Estou preocupado com essa questão, visto que por onde tenho andado, vejo a preocupação crescente das autoridades, das pessoas com a escassez de água nos seus municípios. As ações governamentais precisam ser mais duradouras. Vamos ter que encarar esse problema de frente, com seriedade sob pena de pagarmos um preço social e econômico inestimável”, adverte.
A pesquisa buscou saber se os municípios foram beneficiados pelo programa “Água para todos”, do governo federal, nas gestões dos ex-governadores Siqueira Campos e Sandoval Cardoso.
Apurou-se que todos os municípios foram cadastrados no programa e destes apenas 4,55% não receberam as ações do programa. Neste sentido, de acordo com o levantamento, das 9.494 cisternas prometidas na época, apenas 3.184 foram entregues. E das 94 barragens garantidas, somente 1(uma) foi construída.
O prefeito Edson Lustosa, da cidade de Paranã, onde o problema é mais devastador, disse que está assustado e apreensivo com o caos que se abate sobre o seu território.
“Estou apreensivo, assustado e sem poder dar resposta que o povo aguarda. O povo sem água e mais de mil e duzentas caixas d’água a céu aberto. Não temos um córrego sequer correndo água em nosso município, e os carros-pipa enviados nos frustrou em muitos pontos. Foi um desastre aqui. Você sai daqui para Palmas, para Arraias ou Peixe, percorre quilômetros, e não observa uma gota de água nos córregos. É estarrecedor”, sentenciou.
Já no atual governo Marcelo Miranda, de acordo com os dados, 45,45% dos prefeitos disseram que as cisternas estão sendo instaladas. Para 40,91% dos prefeitos o governo está prometendo instalar, enquanto 4,55% declaram que o governo não está fazendo nada para instalá-las. Por sua vez, 9% dos entrevistados não opinaram sobre esse quesito. Ainda segundo o estudo, 72,73% responderam que mesmo que sejam instaladas as cisternas prometidas através do programa, não vai atender toda a demanda. Por sua vez, 27, 27% garantem que a quantidade prometida será suficiente para minimizar o drama da estiagem.
Em relação às barragens, 45,45% dos chefes municipais asseveram que o governo Marcelo Miranda está prometendo construir as barragens. Já 4,09% informaram que o governo atual está construindo as barragens do programa, contra 31,82% que relataram que o governo Marcelo não sinalizou ainda quando vai iniciar a construção delas. Por fim, 4.55% não souberam ou não quiseram responder. Ainda segundo 18,18% dos gestores, mesmo que todas as barragens sejam construídas, não soluciona o problema. Porém, para 13,64% a construção do que foi prometido resolveria o problema. Segundo 31,82% dos respondentes, resolveria em parte, e para 36,36% resolveria mais ou menos o drama por falta de barragens.
Os prefeitos de Taipas, Joaquim Carlos, e Djalma Rios, de Chapada da Natividade, são unânimes em afirmar que uma solução minimizadora para o problema seria a construção em quantidades razoáveis de poços artesianos e barragens nas zonas rurais dos municípios. O gestor de Chapada afirma que este ano o drama da falta d’água foi a pior que se tem notícia, pois tanto afetou a cidade como as áreas rurais. Para Joaquim Carlos, o problema agrava a cada estação, pois antes a seca durava quatro meses, e agora chega a completar nove meses sem chuva. “Já estamos em dezembro e podemos dizer que não houve chuva. E o que é pior: o governo recolheu os carros-pipa que estavam prestando socorro às pessoas no sertão do município. Não sabemos agora a quem recorrer”, protesta.
Já em ralação aos carros-pipa, 31,82% dos chefes dos executivos asseveram que os veículos enviados atenderam o problema da falta de abastecimento d’água. No entanto, 13,64% disseram que não resolveram o problema da falta de água; 18,18% em parte; 31,82% mais ou menos e 4,55% não omitiram opinião. De acordo ainda com a pesquisa, 100% dos prefeitos ouvidos disseram que foram contemplados este ano com o envio de carros-pipa por parte do governo estadual. E mais: para 28,57% dos pesquisados, a quantidade de carros-pipa enviados atendeu o problema, ao passo que 33,33% disseram que não atendeu o problema. Contudo, 28,57% garantem que atendeu mais ou menos, e 9,52% que o envio de carros-pipa atendeu em parte.

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