Educação especial avança em Goiás

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O ensino para crianças portadoras de deficiência, não pode ser separado dos outros alunos em sala de aula, a interação faz com eles se desenvolvam. Fotos: Divulgação

inclusão

Nos últimos cinco anos o número de crianças com depressão e síndrome do pânico tem aumentado nas escolas. Motivos como estes estão servindo de alerta para o ensino especial receber atenção maior

Fabiola Rodrigues e Manoel Messias

A alfabetização é um processo delicado e meticuloso que se torna ainda mais complexo quando o aluno possui algum tipo de deficiência. Para atender crianças e jovens portadores de deficiências, a Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte (Seduce) aposta na qualificação de professores, através de parceria com o Ministério da Educação, o que possibilitou consideráveis avanços nos últimos anos. Em todo o estado de Goiás, existem hoje mais de 11 mil alunos matriculados nas escolas estaduais que recebem algum tipo de atendimento especializado. São portadores de deficiência auditiva, visual, alunos com transtornos globais do desenvolvimento, alunos com altas habilidades superdotadas, além das dificuldades de aprendizagem de modo geral, como dislexia e até transtornos mentais severos, como esquizofrenia e depressão.

Nas escolas estaduais goianas, existem atualmente mais de 11 mil alunos matriculados que recebem algum tipo de atendimento especializado
Nas escolas estaduais goianas, existem atualmente mais de 11 mil alunos matriculados que recebem algum tipo de atendimento especializado

“Hoje 1.050 escolas estão espalhadas por todo estado trabalhando com a educação inclusiva”, diz Lorena Resende, gerente de Ensino Especial da Seduce.

Receber o aluno deficiente em um ambiente escolar acolhedor e tratá-lo com atenção e carinho é uma forma de inclusão do estudante. Nesse contexto, o envolvimento da turma com o aluno é muito importante.

“A educação para alunos especiais não pode ser feita de forma isolada, separadamente. Precisa existir interação com alunos que não portam deficiência”, afirma Lorena.

O MEC ajuda o estado nessa complexa tarefa através do programa Atendimento Educacional Especializado (AEE), que qualifica professores atuar como profissional de apoio em sala de aula, garantindo, assim, uma educação inclusiva ao deficiente.

O trabalho de inclusão é realizado dentro e fora da sala de aula. No contraturno o aluno estuda e recebe atenção dobrada, para conseguir se desenvolver no processo de aprendizagem.

O ano passado a Seduce realizou um curso a distância com duração de dez meses para professores que fazem parte do programa. Este ano, o curso a distância vai passar por algumas reformulações e será ministrado para todos os professores da rede estadual.

“Este ano vamos reformular o curso, trazer mais conhecimento para os professores sobre educação para alunos especiais. Será um novo modelo de ensino para os professores e coordenadores para toda a rede estadual. Como é um curso oferecido a distância, isso facilita para o professor manter o acompanhamento”, afirma a gerente do ensino especial.

O objetivo do curso é garantir que todos os professores saibam lidar com os diferentes comportamentos dos alunos dentro da sala de aula.

“Estimular o aluno surdo, mudo, com síndrome de down e outras deficiências a aprender é um desafio e tentamos preparar o professor para oferecer bom ensino para todos”, afirma Lorena.

Mais casos

Envolvida com a educação inclusiva desde a implantação, Lorena observa que nos últimos cinco anos o número de crianças com depressão e síndrome do pânico tem aumentado. Isso pode estar relacionado ao fato de os pais estarem trabalhando mais e terem menos tempo para os filhos. Também pode estar relacionado com o alto número de famílias desestruturadas e pais deixando para exclusivamente para a escola a função de educar. Tudo isso pode estar desencadeando problemas emocionais em crianças e adolescentes.

O ensino especial nos estados conta com a ajuda direta do Ministério da Educação
O ensino especial nos estados conta com a ajuda direta do Ministério da Educação

Centros Especializados vão oferecer escolarização

Na rede estadual, a educação inclusiva conta também o trabalho dos Centros de Atendimento Educacional Especializado (Caees), onde são atendidos portadores de deficiências que requerem acompanhamento contínuo, que precisam de auxílio desde a higiene pessoal até a alimentação. Estes centros trabalham para o desenvolvimento da autonomia deles através de dinâmicas e terapias. A partir deste ano os centros especializados vão receber ensino escolar como acontece na rede estadual de educação, porém com algumas modificações na forma da aula ser ministrada.

“Não existia projeto para educação escolar nos centros. Neste ano o instituto Pestalozzi e outras três instituições vão receber escolarização, assim como funciona na rede estadual de ensino, porém com algumas adaptações na didática de ensino. Quem faz parte das instituições serão considerados como alunos. Eles vão passar a ter direito a educação formal”, conta Lorena.

O Centro de Atendimento Educacional Especializado Pestalozzi, localizado no setor Pedro Ludovico, em Goiânia, é uma das unidades que vão receber escolarização pela rede estadual de ensino a partir deste ano.

Esse projeto de escolarização, de acordo com Lorena Resende, vem para oferecer ao portador de necessidade especial uma formação escolar plena. A gerente lembra que ainda existe discriminação por parte da sociedade quanto aos portadores de deficiência e o acesso à educação formal, além de ser uma realização pessoal, atenua a discriminação.

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