PMDB terá disputa em convenção

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Ex-prefeito Iris Rezende era o único a aglutinar, mas não aceitou presidir a sigla. Eleição com possíveis três chapas está marcada para o dia 5 de fevereiro

Marcione Barreira, repórter de política

Indefinição é a palavra que melhor caracteriza a situação atual do PMDB. Ainda sob o comando da comissão provisória e sem definir o nome que comandará a legenda pelos próximos anos, o partido tem sofrido para conter mais um desgaste que teima em assombrar os rumos da sigla.
Marcada para o próximo dia 5 de fevereiro, a eleição que finalmente escolherá o presidente do PMDB está completamente em aberto. Em busca do consenso, deputados federais, estaduais e nomes importantes da agremiação se reuniram na última semana para tentar transferir o comando para o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB). Tentativa fracassada.
A ideia dos líderes era aglutinar experiência e juventude, já que para a vice a indicação foi o nome do deputado federal Daniel Vilela (PMDB). Iris não aceitou ser candidato e se justificou com o argumento de que era preciso eleger um nome novo para comandar o partido e que o seu “momento de comandar a legenda já havia passado”.
Com a recusa de Iris, o partido volta à estaca zero. Desde outubro sem presidente, a responsabilidade de gerir a legenda está por conta do deputado federal Pedro Chaves, nomeado pelo vice-presidente da República Michel Temer (PMDB-SP), o deputado tem se esforçado para conter o prejuízo. Temer virá a Goiás no mês que vem para tentar apaziguar o PMDB.
Desde de a nomeação do seu nome para assumir a comissão ele vem dividindo os trabalhos em Brasília e no interior de Goiás buscando filiar o maior número de membros ao partido. Até aqui, pelas suas contas, já são mais de 100 diretórios constituídos. “Antes de eu assumir eram apenas 30 constituídos, nós conseguimos trabalhar muito”, argumenta Chaves.
O parlamentar peemedebista acredita que o partido não acumula prejuízos durante o período em que está sem a figura oficial do presidente. Para ele, sua gestão conteve os problemas e as eleições que estão para acontecer vão corrigir as questões e buscar soluções, sem maiores danos no processo eleitoral deste ano.
Mas uma janela de filiações e desfiliações será aberta com prazo final de até o dia 31 de março. Com isso, fortalece o argumento de Chaves ao dizer que a agremiação não sofrerá detrimentos. “Nós não teremos prejuízos. Fizemos muitas filiações. Além disso, temos tempo até o final do mês de março para buscar novas filiações”, ressalta.

Chapas
Pelo que se nota até aqui serão três a chapas concorrentes. Desde de o início a chapa encabeçada pelo ex-prefeito de Bom Jardim de Goiás, Nailton Oliveira, está no páreo e não dá mostras de que vai abrir mão de presidir a legenda. Oliveira tem o apoio de Iris Rezende, que representa a velha guarda peemedebista.
Enquanto isso, pelo lado dos parlamentares, o deputado estadual e líder do PMDB na Assembleia Legislativa, José Nelto, deve lançar chapa articulada com Daniel Vilela. Ele defende que o comando do partido seja dado a alguém que tenha mandato. “Estamos trabalhando para que o Daniel seja o cabeça de chapa. Essa chapa tem o apoio de todos os deputados federais e estaduais”, declara Nelto.
Também em busca de presidir a legenda aparece o deputado estadual Paulo Cezar Martins (PMDB). O parlamentar está confiante que terá êxito na disputa e já fala em planos para o partido. “Tem que ser um presidente que reúna todos os setores do partido pelo Estado. Nós estamos com a chapa. Já temos 80 nomes”, disse.

Argumentos
Nailton Oliveira, que goza do prestígio de Iris e por isso, segundo informações internas, tem um leve favoritismo, declarou que o seu plano é fazer um PMDB representativo. Para ele, a eleição deste ano é fundamental para isso. “Precisamos valorizar o interior, essa eleição é a mais importante, precisamos fortalecer nossos líderes”, defende.
Liderança de oposição contundente no parlamento goiano, José Nelto é enfático no que tange as características do presidente. Para ele, é necessário que o mandatário tenha força para presidir o PMDB já visando às eleições de 2018.
Por sua vez, Paulo Cezar Martins quer conter a sangria do partido. Para ele, é preciso entender que a silga não tem dono. Sob sua concepção as brigas internas vão cessar. O Martins argumenta ainda é preciso discutir os problemas do Estado e governar em conjunto com os líderes do interior.
Contudo, apesar de não acreditarem mais em consenso, as lideranças do PMDB dizem que mesmo sendo difícil, uma harmonia em torno de um nome ainda pode ser buscada. “Temos até 48 horas antes da disputa para decidir, é difícil, mas não podemos descartar a possibilidade”, disse.

Prejuízos
Apesar do processo já estar se afunilando e outros partidos já estarem em processo de escolha de candidato, o PMDB ainda busca eleger seu presidente. Por conta disso, de forma velada, algumas lideranças observam que há prejuízos em algumas cidades e que o partido pode se atrasar em relação aos outros concorrentes.
Entretanto, muitos deles acreditam que os prejuízos não se concretizam pelo menos em Goiânia. A avaliação é que na capital o possível candidato do partido é de fato Iris Rezende. O mesmo deve aceitar mais um desafio político em sua carreira.
Outro fator que empurra Iris para o pleito é o fato de as lideranças peemedebistas serem consideradas modestas no que tange a sua força perante o eleitorado de Goiânia. O fato, conforme revelou o diretor de redação da Tribuna do Planalto, Ronaldo Coelho, na edição da última semana, tem relação direta com a recusa de Iris em assumir a presidência do PMDB.
Como Iris tem possibilidades reais de ganhar, conforme atestam pesquisas de opinião, ele teria que assumir a prefeitura, com isso passaria o comando da sigla para seu vice, Daniel Vilela. O controle da sigla passaria então para as mãos da ala ligada ao prefeito de Aparecida Maguito Vilela, o que desagrada os iristas.

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