Aprendizado pela chuva

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Uma das grandes vantagens que o ser humano conseguiu e que foi e continua sendo fundamental para sua sobrevivência e seu desenvolvimento é a previsão, seja de fatos corriqueiros, seja de fenômenos da natureza. Os estudos avançaram, a ciência criou instrumentos fantásticos e hoje podemos prever boa parte das mudanças de tempo. Contudo, pouco adianta sabermos o que irá acontecer, se não somos capazes ou não queremos tomar providências para minimizar os efeitos nocivos de determinada situação.
Uma pesquisa feita pelo Laboratório de Climatologia (Climageo) do Instituto de Estudos Socioambientais da Universidade Federal de Goiás (UFG) aponta que a impermeabilização das vias públicas (ruas, praça, avenidas, calçadas) implica no escoamento superficial das águas pluviais e a falta de planejamento da infraestrutura – que considere as características das chuvas e do relevo da cidade – facilitam a ocorrência de alagamentos em diversos pontos de Goiânia.
Os pesquisadores do Climageo analisaram a relação das chuvas com as áreas mais propensas a ocorrência de alagamentos e inundações na capital goiana. A partir de registros da Defesa Civil e dados de chuvas fornecidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia e o Sistema de Meteorologia e Hidrologia do Estado de Goiás (Simehgo), a pesquisa demonstrou que a região Central da cidade é local propício a identificação de alagamentos.
Segundo os pesquisadores, na região, a estrutura de drenagem não capta de forma eficiente o volume do escoamento superficial e ainda há áreas próximas aos córregos que, em função do relevo, declividade e rampas longas, tendem a acelerar o fluxo das águas em direção aos canais de drenagem, o que tem contribuído para causar transtornos em alguns pontos da cidade, como nas imediações da Marginal Botafogo.
A pesquisa, de acordo com a Assessoria de Comunicação da UFG, mostra ainda que as áreas próximas à planície do Rio Meia Ponte, onde deságuam alguns dos córregos da cidade, também são locais onde se evidenciam os alagamentos, pois têm capacidade de infiltração afetada pela impermeabilização e canalização de drenagem. Esses fatores, associados às chuvas rápidas e intensas, favorecem também o aumento do volume das águas dos córregos e, consequentemente, a eclosão de inundações e alagamentos das várzeas.
Ou seja, está tudo explicado, sabemos a causa dos alagamentos em Goiânia, mas falta a ação política, a decisão e a ação de corrigir os problemas para evitar as enchentes. No entanto, o poder público pouco faz para resolver o problema. Detectamos e podemos antever as tragédias causadas pelas chuvas na Capital, mas a falta de planejamento do poder público não consegue evitar, a tempo, que isso cause danos à população.
Os pesquisadores do Climageo/UFG apontam que “medidas paliativas não resolverão os problemas, mas podem amenizá-los”, por exemplo, com a construção de estruturas para captar o fluxo superficial da água da chuva, com o intuito de retirá-la da superfície e redistribuí-la na bacia hidrográfica, de forma que atinja os canais de drenagem mais lentamente, diminuindo o tempo de pico da vazão. Medidas mais simples também são recomendadas, como o aumento de áreas permeabilizadas, tanto nas calçadas quanto nos canteiros centrais das vias públicas.
O poder público, portanto, sabe o que fazer. Agora, precisa colocar mãos à obra.

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