Goiás quer erradicar o Aedes aegypti

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A força-tarefa vai avaliar semestralmente os dados dos municípios e aqueles que tiverem zero Aedes vão receber em julho e em dezembro incentivo financeiro

Para enfrentar a proliferação do mosquito transmissor da denque, zika vírus e chikungunya, a Secretaria de Saúde passou a adotar parâmetro mais rigoroso no combate aos criadouros do mosquito. Agora em Goiás serão considerados regiões de baixo risco só os municípios que apresentarem índice zero de criadouros do Aedes

Fabiola Rodrigues

Com o período chuvoso o tempo fica mais propenso à proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Uma pesquisa realizada pela Secretaria da Saúde do Estado de Goiás (SES) aponta que Goiás registrou 189.030 casos de dengue que em 2015, com 81 mortes; 147 casos de chikungunya e 81 casos suspeitos de zika vírus, sendo cinco deles confirmados; oito casos de microcefalia causados pelo zika vírus e 51 ocorrências de Guillan-Barré.
Goiás foi considerado no ano passado um dos estados com maior número de pessoas infectadas pelo mosquito Aedes aegypti, que transmite todas essas doenças. Para enfrentar a proliferação desse vetor, a Secretaria de Saúde passou a adotar parâmetro mais rigoroso no combate aos criadouros do mosquito.
Antes, o controle dos focos era feito através de um levantamento rápido padronizado pelo Ministério da Saúde, chamado Índice Rápido para o Aedes aegypti. Nessa metodologia municípios com índices menores que 1% das residências com foco do mosquito eram considerados de baixo risco.
Agora, com a mudança e para intensificar o combate ao mosquito, em Goiás serão considerados regiões de baixo risco os municípios que apresentarem índice zero de criadouros do Aedes. A meta estipulada, segundo o secretário da Saúde, Leonardo Vilela, agora é: municípios com índice de 0,01% até 3,99% são considerados de médio risco e acima de 4% já é de alto risco.
O trabalho de combate ao mosquito feito pelos agentes de saúde já chegou a mais de 200 municípios. As visitas a todos os municípios acontecerão em outras três etapas, tendo início o segundo ciclo dia 29 de fevereiro, o terceiro até 30 de abril e o quarto e último clico até 30 de junho, quando o período chuvoso se encerra. Segundo Leonardo Vilela, fazendo dessa forma cada casa vai receber até o meio do ano quatro visitas dos agentes de saúde.
A meta anunciada pela SES para os prefeitos de cada município é erradicar o mosquito Aedes aegypti do território goiano. A força-tarefa vai avaliar semestralmente os dados dos municípios e aqueles que tiverem zero Aedes vão receber em julho e em dezembro incentivo financeiro no mesmo valor já repassado nas contrapartidas da SES.
O estado está buscando combater o foco do mosquito e também se prevenir com medicamentos no caso de pessoas infectadas. No total estão sendo alocados pelo governo estadual R$ 10 milhões para compra de medicamentos para o combate à dengue, além de inseticidas e larvicidas em grande quantidade. De acordo com Leonardo Vilela, a SES está em alerta máxima e à disposição dos gestores municipais para ajudar nas ações para eliminar o Aedes e as doenças transmitidas pelo mosquito.
“O estoque de medicamentos usados para o tratamento da dengue é suficiente para atender s todos os 246 municípios goianos”, afirma Leonardo Vilela.
Segundo a Gerência de Assistência Farmacêutica da SES, para atender as ações deliberadas pelo grupo condutor da dengue, o estoque dos medicamentos para o tratamento dos sintomas da dengue é suficiente, com mais de 285 mil unidades farmacêuticas prontas para serem distribuídas aos municípios. Os medicamentos são cloreto de Sódio, dipirona, paracetamol e sais de reidratação.


Goiânia terá atuação de força-tarefa esta semana

Em decorrência dos números alarmantes, estado e Prefeitura de Goiânia estão se unindo para intensificar o combate ao mosquito. Na manhã de segunda-feira passada, dia 19, o secretário estadual de Saúde, Leonardo Vilela, e o corpo técnico da SES que está atuando nas ações do movimento Goiás contra o Aedes, reuniram-se com representantes da Secretaria de Saúde de Goiânia para definir estratégias de combate ao vetor que transmite dengue, zika e chikungunya. Ficou definido que Goiânia realizará nesta terça-feira, 26, uma força-tarefa no trabalho de combate ao Aedes aegypti. O setor prioritário para ação será o Jardim América, escolhido pela quantidade de imóveis no local, cerca de 19 mil, e ainda pelo número de focos encontrados.
“A SES está a disposição dos municípios para ajudar no trabalho de prevenção e combate ao Aedes. É muito importante essa mútua cooperação, já que não podemos trabalhar de maneira isolada”, disse Leonardo Vilela.
O secretário também convidou Goiânia para integrar a base de dados do Estado com relação as informações das ações de combate ao mosquito, como número de imóveis vistoriados e foco encontrados.

Força-tarefa na capital
Segundo Flúvia Amorim, diretora de Vigilância em Saúde de Goiânia, na ação do dia 26 a intenção é vistoriar todos os imóveis do Jardim América em no máximo dois dias. Os 500 agentes de combate a endemias de Goiânia serão deslocados para a força-tarefa. Também haverá mobilização com associação de bairros, conselhos de Saúde e instituições religiosas, na busca por voluntários. Na ação de Goiânia, a SES e o Corpo de Bombeiro Militar dará apoio logístico e de estrutura.
As equipes visitarão casas, estabelecimentos comerciais e lotes baldios, averiguam se existem ou não focos do Aedes aegypti, eliminam os criadouros e orientam os ocupantes a realizar essa tarefa rotineiramente.
“É muito importante a integração entre município e Estado para o sucesso do trabalho. Quando todos os entes se juntam fortalecemos as ações. A população, percebendo essa união, tem um melhor engajamento”, ressaltou Flúvia. Ela ainda comentou que desde do dia 15 de dezembro a SMS realiza ação integrada com os 1400 Agentes de Combate à Endemias (ACE) e Comunitários de Saúde (ACS) no trabalho de prevenção e combate ao Aedes. Até o momento, cerca de 300 mil imóveis já foram visitados, do total de 665 mil.


 

Ministro elogia ações do governo estadual

Ministro da Saúde, Marcelo Castro (esq.), conversa com o secretário Leonardo Vilela e o governador Marconi Perillo
Ministro da Saúde, Marcelo Castro (esq.), conversa com o secretário Leonardo Vilela e o governador Marconi Perillo

Na companhia do secretário da Saúde, Leonardo Vilela, o governador Marconi Perillo foi recebido no último dia 20 em Brasília pelo ministro da Saúde, Marcelo Castro, a quem fez uma exposição do trabalho da força-tarefa, criada em Goiás para o combate ao mosquito Aedes aegypti.
“O ministro ficou impressionado com o nosso trabalho. Chegou a dizer que a ação desenvolvida em Goiás, com informações online atualizadas de 30 em 30 segundos, é o melhor trabalho de gerenciamento do País”, comemorou o governador.
A Secretaria de Saúde de Goiás monitora e disponibilizada online todas as informações dos 246 municípios sobre os trabalhos que estão sendo desenvolvidos no Estado no combate ao mosquito transmissor das febres dengue, zica e chikungunya.
O movimento “Goiás contra o Aedes”, iniciado no dia 6 de janeiro em Goiás, promove, com ações padronizadas e simultâneas, de casa em casa, o combate ao mosquito transmissor da zika, dengue, febre-amarela e chikungunya. A campanha tem como meta exterminar o Aedes aegypti do território goiano.
A operação foi deflagrada após assinatura do decreto de emergência sanitária que coloca o Estado em alerta total contra a proliferação do aedes aegypti.  São parceiros do trabalho, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás e Corpo de Bombeiros Militar de Goiás. Pela ação, agentes de Saúde, de combate à endemias e homens do Corpo de Bombeiros entram nas casas e realizam a retirada de focos do mosquito, além de proceder ações de educação em Saúde

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