Para Marconi, ocupantes de escolas “não querem diálogo”

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Marconi Perillo saiu em defesa da gestão compartilhada: “Não queremos impor nada. Queremos apenas uma experiência que possa mudar esta educação”

Governador falou que é preciso “ter coragem para enfrentar o corporativismo e o sindicalismo inconsequente, que não se preocupa com nosso País”

Manoel Messias

O governador Marconi Perillo condenou a falta de diálogo dos manifestantes contrários à gestão experimental das Organizações Sociais em algumas escolas de Goiás. Marconi disse que o Brasil só vai avançar “se tivermos coragem de mudar a educação”. A avaliação foi feita na sexta-feira passada, dia 22, durante assinatura de convênio do Governo de Goiás com o Sebrae, que prevê a capacitação de 1,4 mil trabalhadores em 93 municípios goianos.
“Precisamos ter criatividade e determinação para mudar o País, principalmente em questões como saúde e educação. Mas antes precisamos ter coragem para enfrentar o corporativismo e o sindicalismo inconsequente, que não se preocupa com nosso País”, ressaltou.
Marconi destacou que o crescimento econômico e a melhoria dos indicadores sociais do País só virão com a solução de questões prioritárias e pendentes.
“É preciso enfrentar e colocar o dedo na ferida de algumas questões, como a educação. É impressionante o reacionarismo daqueles que estão na contramão para tentar impedir uma boa ideia. Não queremos impor nada. Queremos apenas uma experiência que possa mudar esta educação. Não temos nenhuma universidade brasileira entre as 200 maiores e mais importantes do mundo. É preciso refletir sobre isso”, afirmou.
Marconi Perillo criticou ainda a reação truculenta de estudantes que impediram a secretária Estadual de Educação, Raquel Teixeira, de participar de um debate na Faculdade de  Educação da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, na semana passada.
“O reacionarismo tenta nos impedir, à força inclusive, expulsando a secretária Raquel de um evento para debater um assunto sério como este. Não querem diálogo, não querem avançar. É porque sabem que, o dia que experimentarmos isso, vamos começar a mudar o Brasil. Quando a gente percebe este tipo de mentalidade é que entendemos o porquê do Brasil estar atrasado. Fico indignado com a situação de algumas pessoas tentando empurrar para frente e outras puxando para trás algo que pode fazer a diferença”, frisou.
A reunião a que Raquel Teixeira participaria, do Conselho Diretor da Faculdade de Educação da UFG, serviria justamente para discutir a implantação da gestão por Organizações Sociais (OSs) de escolas da rede pública estadual. O evento estava marcado para a tarde de quarta-feira, dia 20, mas alguns alunos e professores da unidade hostilizaram a presença da secretária na reunião.
Raquel iria fazer uma exposição sobre o projeto do governo do Estado, mas, antes que isso acontecesse, porém, professores da Faculdade de Educação fizeram uso da palavra para questionar a pauta do encontro, argumentando que a unidade já havia se posicionado contra o projeto.
A saída da secretária da Faculdade foi marcada por momentos de tensão, já que ela foi seguida por estudantes, que, aos gritos, a acompanharam até a porta do prédio, no Setor Universitário. Na porta da unidade, manifestantes chegaram a obstruir o trânsito por alguns instantes ao impedir a passagem do carro em que a secretária estava.
Esta não foi a primeira vez que a secretária é impedida de participar de apresentar a proposta de transferência da gestão de algumas escolas para OSs.
No dia 5 de janeiro, Raquel Teixeira foi impedida de entrar em uma escola ocupada no município de Anápolis. A titular da pasta visitou duas unidades naquele dia, com a intenção de conversar com os alunos, mas sua entrada foi barrada no Colégio Polivalente Frei João Batista.
Segundo a assessoria da Seduce, o único estudante presente no local não permitiu a entrada da secretária, que estava acompanhada pela subsecretária regional de Anápolis, Sonja Maria Lacerda, e pela superintendente de Ensino Fundamental da Seduce, Márcia Antunes.
Raquel Teixeira esclareceu que o projeto de gestão compartilhada não tem relação com reordenamento e que não há proposta de fechamento de escolas em Anápolis. Disse também que o projeto não significa privatização de escolas, mas uma parceria com entidades do terceiro setor (organizações da sociedade civil), que vão ajudar a Seduce a melhorar a qualidade das escolas.
Em todos os debates, a secretária faz questão de frisar que com as OSs as escolas vão continuar pública; não haverá cobrança de matrículas, mensalidades, contribuições ou taxas e os alunos terão direito a cotas para acesso às universidades. Já os professores efetivos terão seus direitos assegurados. “Estamos trabalhando para promover o aprendizado dos alunos e facilitar o trabalho dos professores e diretores, vocês podem confiar”, concluiu a professora Raquel, garantindo aos alunos que está disponível para novos encontros.

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