Prévias não são consenso no PT

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Marina Sant’Anna: quer unidade

Partido tem cinco nomes para disputa, mobilização para fortalecimento do partido já começou e aliança com o PMDB é praticamente descartada

Marcione Barreira, repórter de Política

Faltando cerca de nove meses para as eleições municipais o PT tem em seus quadros cinco nomes que podem disputar o pleito deste ano como candidato a prefeito de Goiânia. Os três deputados estaduais do partido, Adriana Accorsi, Humberto Aidar e Luis Cesar Bueno, demonstram estar com fôlego para a disputa, além da ex-deputada federal Marina Sant’Anna e do titular da Secretaria de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação, Edward Madureira.
Com o sentimento de que aliança com o PMDB realmente não se concretizará neste ano, um desses cinco predispostos terão a missão de concorrer contra um candidato da base do governador Marconi Perillo (PSDB), além de confrontar com um nome peemedebista, que, pelo que se observa até aqui, deve ser o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB).
Apesar da crise vivida pela agremiação e da força considerável dos concorrentes, o PT não se amedronta. As lideranças da legenda acreditam que o momento administrativo da prefeitura é favorável e que as atividades praticadas pelo PT em Goiânia ao logo do processo histórico as favorecerão.
A intuição de que a parceria com o PMDB, pelo menos em primeiro turno, é inviável, caminha na mesma proporção da crença de que o PT vai conseguir recuperar sua imagem diante da opinião pública. A aposta é de mostrar que a sigla fez mais ao longo da história.
Antes do processo eleitoral, porém, o Partido dos Trabalhadores precisa escolher o candidato. Para dois deles as prévias devem ocorrer. Os outros três avaliam que este não é o momento mais propício, especialmente por causa da fase vivida pela agremiação na esfera externa. Neste caso, o caminho pelo consenso seria o mais aconselhável.

Nomes
Entre os que pleiteiam a vaga na chapa majoritária como candidato a prefeito está o deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT). Ele é claro em seu discurso: “Eu sou pré-candidato à prefeitura de Goiânia”. Bueno acredita na força da militância da sigla e na administração municipal que, para el,e tem feito um bom trabalho.

Luis Cesar Bueno: seguir normas
Luis Cesar Bueno: seguir normas

A deputada estadual Adriana Accorsi (PT) também é pre-candidata. Filha do ex-prefeito de Goiânia Darci Accorsi (1993-1996), Adriana se colocou a disposição do partido e já tem feito trabalho visando concorrer. Internamente é tida como nome mais bem colocado nas pesquisas petistas.
Ex-deputada federal, Marina Sant’Anna também tem o nome a disposição da legenda. Ela é uma das fundadoras do PT em Goiânia, já foi vereadora e presidente regional do partido, além de deputada federal. Em 2006 disputou o governo de Goiás e, em 2014, foi candidata ao Senado pelo Partido dos Trabalhadores.
Membro da agremiação e influente articulador do PT, o ex-reitor da UFG, Edward Madureira, já esteve mais em evidência no início das conversas sobre o tema. Agora, no entanto, Edward assumiu titularidade na Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação, em Brasília, mas ainda está à disposição.
Além dos nomes supracitados é possível dizer que o deputado estadual Humberto Aidar (PT) também está na disputa. O parlamentar já falou à Tribuna do Planalto algumas vezes que tem pretensão e que é a favor de candidatura própria do PT.
Luis Cesar Bueno, que atualmente preside o PT metropolitano, disse que, apesar de acreditar que de fato haverá prévias, o partido vai tentar que o consenso seja estabelecido. Para isso, neste mês de fevereiro as conversas vão se afunilar na tentativa de um nome. “Até o final de março vamos tentar a unidade internar”, garante Bueno.
Como presidente metropolitano, Luis Cesar Bueno observa que para a escolha do candidato é preciso seguir algumas normas. São três os critérios que precisam ser obedecidos conforme o regimento do partido. “1º demanda eleitoral; 2º ser representativo; 3ºter  capacidade para defender o projeto do partido”, declara Luis Cesar.
Os membros das 10 zonais da legenda terão direito a voto. Os 10 delegados, um de cada zonal, devem decidir se há ou não consenso. Não havendo, será aberta a votação (ainda sem data definida) para a escolha do candidato. Vencerá a disputa quem obter maioria simples de votos.

Humberto Aidar: críticas ao prefeito
Humberto Aidar: críticas ao prefeito

Na visão das lideranças todos os nomes dispostos a serem candidatos se encaixam nos critérios do partido. Apesar disso, na avaliação de alguns membros, há pontos positivos, mas também negativos caso haja o processo. Adriana Accorsi, por exemplo, não vê problemas.
Para a parlamentar petista, não há contratempos. Segundo ela, a participação democrática é característica das prévias e  já é tradicional no partido. “Se for necessário, não vejo problema. É uma forma de participação democrática dos filiados, da militância”, argumenta.
Adriana relembrou a tradição do partido na ocasião da escolha do nome do seu pai como candidato do PT nas eleições de 1992. Na época, segundo ela, mesmo após a disputa o partido continuou unido e venceu as eleições daquele ano. “Mesmo tendo disputa nós seguiremos unidos”, assegura.

Adriana Accorsi: tradição do PT
Adriana Accorsi: tradição do PT

Consenso
Mais simpáticos ao consenso estão Marina Sant’Anna e Edward Madureira. Os dois observam que o momento não é para disputa e o fôlego deve ser reservado para outros  , disse a líder petista.
Ainda segundo Marina Sant’Anna, o movimento de prévias deve ser deixando em segundo plano. “As nossas energias tem que estar focada em fortalecer o partido, em mostrar nossa força e deixar esse momento de disputa de lado”, afirma Marina, que observa também pontos positivos na prévias.
Edward Madureira também segue o mesmo princípio da companheira de agremiação. Para o secretário, é preciso poupar a legenda desse momento. Segundo ele, a busca pelo nome deve ser o foco principal sem a realização de votos. “Eu acho que o partido tem que trabalhar para construir um nome”, defende Edward.

Edward Madureira: sem clima
Edward Madureira: sem clima

Madureira reforça ainda que não vê clima para realização do pleito uma vez que o momento não é dos melhores e poupar a agremiação de mais essa batalha seria o mais aconselhável. “Olha, eu não vejo atmosfera para isso. Acho que podemos resolver sem que seja necessário o processo de prévia, mas é preciso seguir as regras do partido,” pondera.


Aliança com o PMDB não deve prosperar este ano, dizem pré-candidatos

O sentimento de todos é muito claro. Aliança com o PMDB é muito difícil, pelo menos para as eleições deste ano. Apesar de haver ainda um vislumbro de aliança em segundo turno, os últimos acontecimentos envolvendo as duas siglas tem esfriado o ambiente de união.
Os petistas não estão satisfeitos com as críticas feitas pelo vice-prefeito de Goiânia Agenor Mariano (PMDB). O fato fortaleceu ainda mais a votante de alguns em lançar candidatura própria e esfriou o desejo de outros que ainda viam possibilidade de diálogo entre as duas siglas.
Todos os petistas com quem a reportagem da Tribuna do Planalto conversou demonstraram serenidade em relação ao tema. Adriana Accorsi, por exemplo, não acredita na viabilidade de continuação da aliança para este ano. Para ela, somou para o desgaste o fato de que os peemedebistas que fizeram críticas à gestão Paulo Garcia não terem sido desautorizados por lideranças maiores.
Ainda segundo  a deputada, as críticas são desleais, principalmente por terem sido deferidas por membros que fazem parte da gestão, no caso, o vice-prefeito. “Está acontecendo uma serie de críticas à gestão da qual eles fazem parte até o momento. Acho que é uma atuação desleal por parte do PMDB. Infelizmente essas críticas não foram desautorizadas pelo líder maior do partido, que é Iris Rezende”, disse.
Marina Sant’Anna também mantém clareza no discurso. Com tranquilidade, falou que os partidos devem seguir cada um em sua direção, entretanto, sem atritos e agressividade. “O PMDB já tem candidato. Eu acho que cada um deve seguir seu caminho sem hostilidade a ninguém”, acrescenta.
Edward Madureira partilha da mesma opinião. Segundo ele,  a agremiação deve seguir caminho próprio e aliança, caso aconteça, somente em segundo turno. “Eu sou a favor de que o partido tenha candidato próprio”, ratifica. Luis Cesar não descarta e diz que vai tentar aliança com todos os aliados em nível nacional. “Vamos buscar o máximo de aliança”, destaca.

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