Quebra-pau e tiro refletem tensão no PMDB

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Paulo Cezar Martins: segurança agiu para dissipar confusão

Temperatura elevada faz com que opositores internos na sigla troquem agressões físicas e verbais numa disputa frenética pelo comando da legenda em Goiás

Ronaldo Coelho

Além da crise de relacionamento com o PT, o PMDB vive séria crise interna por causa da disputa pelo comando regional da sigla, que será decidida em convenção marcada para a próxima sexta-feira, dia 5.
No mês de novembro passado os ânimos estavam acirrados e não houve consenso, o que provocou o cancelamento da convenção, a dissolução do diretório regional e a intervenção do diretório nacional, que depois nomeou uma comissão provória. Coisa inédita no PMDB de Goiás.
Tudo isso ocorreu visando fazer com que as lideranças do partido chegassem ao consenso e pacificassem a disputa. Mas teve efeito contrário. Os ânimos estão mais exaltados ainda e na noite de quarta-feira, dia 27, atingiu a insensatez total. O clima de tensão chegou ao absurdo de peemedebistas trocaram agressões físicas na sede do diretório, com direito a disparo de arma de fogo. A continuar assim, não haverá clima para a eleição e a convenção poderá nem ser realizada novamente.
Este arranca-rabo envolveu o deputado estadual Paulo Cezar Martins e alguns militantes e dirigentes jovens do partido, entre eles, o presidente nacional da Juventude do PMDB, Pablo Rezende, que é apadrinhado político da ex-deputada federal Iris Araújo. Como se sabe, Paulo Cezar Martins apoia a candidatura do deputado federal Daniel Vilela, que disputa o comando da sigla com o grupo de Iris Rezende, que banca o nome de Nailton Oliveira, ex-prefeito de Bom Jardim de Goiás e ex-presidente do partido.
Tudo começou porque Pablo Rezende teria ido ao diretório com um grupo de jovens para tirar cópias das atas das convenções municipais. Ele estava acompanhado por um advogado e apresentou um requerimento pedindo urgência no atendimento à solicitação. Plabo admitiu que estaria interessado em comprovar a existência de fraudes nos documentos que beneficiariam Daniel Vilela.
Depois do ocorrido, Pablo disse à imprensa que suas ações dentro do diretório foram supervisionadas pela secretária do partido, Dona Ellen. Ele justificou sua atitude alegando que havia suspeita de fraude em alguns documentos e que fez a solicitação para conferi-los. Ainda segundo ele, o deputado Paulo Cezar Martins não gostou da sua atitude e exigiu que ele deixasse a sede do diretório imediatamente e sem as cópias, mesmo tendo a autorização do presidente da comissão provisória estadual, deputado Pedro Chaves, para copiar os documentos.
Como não acatou à determinação, Paulo Cezar Martins teria se enfurecido, quebrado um computador e arremesando móveis e documentos pela sala.
Ao perceber que sua atitude estava sendo filmada, o deputado, segundo Pablo, teria quebrado o celular de um jovem militante, momento em que um segurança do parlamentar disparou a sua arma de fogo, dando um tiro contra o teto da sala.

Gravação
Durante a discussão, foi gravado um áudio que mostra a tensão do momento e dá noção do que teria ocorrido no diretório. “Vai matar a gente. O senhor vai matar a gente! O senhor deu um tiro no diretório! O nosso partido é da democracia, deputado!”, gritava um jovem peemedebista que gravou o áudio.
A tensão se espalhou entre os dois grupos. Em nota, o deputado federal Daniel Vilela disse que “não aceita e nem compactua com qualquer tipo de violência, verbal ou física, envolvendo filiados do partido”.
Daniel Vilela disse ainda que defende a transparência e a publicidade dos documentos relacionados à sucessão no diretório regional do PMDB. Outro trecho informa que o parlamentar “confia plenamente na autonomia e isenção dos membros dos diretórios municipais que enviaram suas informações para a formação das chapas. Caso haja algum questionamento, a Executiva do partido deve se manifestar”.
Ao final, Daniel Vilela conclamou todos os filiados do PMDB para uma eleição pacífica e democrática, respeitando as divergências internas e a história do partido em Goiás.
Também através de nota, o deputado Paulo Cezar Marftins se manifestou sobre o ocorrido. Ele disse que foi avisado por volta de 18h30 que pessoas ligadas à chapa de Nailton Oliveira estavam no diretório estadual do PMDB, depois do horário comercial, manuseando documentos originais referentes aos diretórios municipais sem nenhuma supervisão e autorização.

Pablo Rezende: fraudes poderiam beneficiar Daniel Vilela
Pablo Rezende: fraudes poderiam beneficiar Daniel Vilela

Ainda segundo a nota, ele se dirigiu ao diretório e verificou que estavam retirando documentos da sala, o que não é permitido, e solicitou que retornassem no dia seguinte em horário comercial com a devida autorização e supervisão dos responsáveis pelos documentos em manuseio.
Segundo a nota, as respostas eram dadas em tom de provocação, sarcasmos e deboche. “Eles se recusaram a parar e então tomei a atitude de puxar a tomada para desligar o computador. Começou então a discussão. Eram quatro deles, que começaram a gritar e uma das pessoas pegou uma cadeira e partiu para cima de mim”.
Sobre o tiro, ele justificou. “A discussão se acirrou e meu segurança, ouvindo o tumulto, chegou na sala e se deparou com os quatro me agredindo. No exercício da sua função, ele sacou então a arma e disparou um tiro para o alto, com o intuito de dispersar os agressores, como de fato aconteceu, ao cessar as agressões”.
Paulo Cezar Martins disse ainda que “o áudio divulgado pelos agressores mostra somente a parte que lhes interessa do ocorrido e não retrata toda a discussão com provocações, sarcasmos e deboches dirigidas a mim anteriormente”.
O ocorrido demonstra o quanto o partido está divido e a alta temperatura em torno da convenção. Iris Rezende e Maguito Vilela, as duas principais lideranças da legenda no Estado, não haviam se manifestado até o fechamento desta edição, na noite de sexta-feira, dia 29, numa eleição em que fica evidente a disputa entre os iristas e os maguitistas dentro do PMDB de Goiás.


 

Briga foi fato isolado, afirma Pedro Chaves

Pedro Chaves: sem machas
Pedro Chaves: sem manchas

Ao ser quesionado sobre o ocorrido, o deputado federal Pedro Chaves, presidente do comissão provisória estadual do PMDB, disse ao Programa Papo Político, na CBN Goiânia, que Pablo Rezende não tinha autorização para manusear ou retirar documentos do diretório. Ele disse que havia apenas permitido o acesso aos documentos ao do ex-prefeito Nailton Oliveira, candidato à presidência do diretório.
Com a confusão, parte dos documentos desapareceu do diretório e estes terão que ser reformulados para que não haja atraso no cronograma das eleições na sigla. “Lamentamos profundamente. Foi um fato isolado que não retrata o clima democrático dos diretórios municipais e estadual do PMDB”, afirmou.
Pedro Chaves disse que vai aguardar o inquérito policial para decidir que procedimento adotar em relação aos filiados envolvidos no episódio. “Isso não vai manchar a nossa eleição”, garantiu.
Já o presidente do diretório metroplitano do PMDB, deputado estadual Bruno Peixoto, o único da bancada estadual que não apoia Daniel Vilela, entende que os documentos são públicos e todos os filiados devem ter acesso a eles.
O objetivo, neste momento, é pacificar o partido. “Estamos focados, conversando com todos, para que possamos pacificar o nosso partido. Os adversários não se encontram dentro do PMDB e sim em outros partidos” disse o deputado. (RC)

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