Só falta oficializar o divórcio

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Vice-prefeito Agenor Mariano está sendo considerado o pivô da crise entre o prefeito Paulo Garcia e o ex-prefeito Iris Rezende

Principais lideranças dos dois partidos na capital não escondem distanciamento e começam a criticar um ao outro publicamente

Ronaldo Coelho

Asssim como aconteceu entre Marconi Perillo (PSDB) e Alcides Rodrigues Filho (na época do PP), que romperam casamento político em 2010, a relação entre o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB) e o prefeito Paulo Garcia (PT) está por um fio. Já está mais do que desgastada e o divórcio político entre ambos é evidente. Só falta mesmo oficializar.
Tanto Iris Rezende quanto Paulo Garcia têm dado declarações à imprensa nos últimos dias evidenciando o desconforto, o desgate e mágoa de um em relação ao outro. Até a palavra “traição” já foi citada.
Faltando nove meses para as eleições municipais, nem peemedebistas nem petistas arriscam dizer se os dois partidos estarão juntos novamente nos palanques, pelo menos no primeiro turno.
Mas este distanciamento político entre PT e PMDB não começou agora. Ele vem desde as eleições de 2014, quando o PT lançou a candidatura de Antônio Gomide a governador deixando de retribuir o apoio que o PMDB e Iris deram ao petista Paulo Garcia nas eleições municipais de dois anos antes. Desde aquela época a palavra traição passou a fazer parte do vocabulário nas rodas de conversa dos peemedebistas.
Até parece que o PMDB e Iris esperaram o momento certo para dar o troco no PT e em Paulo Garcia. Este até anunciou apoio a Iris no segundo turno, mas é acusado de não ter sido capaz ou de não ter se interessado em levar o PT para uma aliança com o PMDB e apoiar Iris desde o primeiro turno nas eleições de 2014. Afinal, Paulo Garcia é prefeito de Goiânia, era e é o principal nome do PT no Estado por causa do cargo que ocupa e poderia ter influenciado na decisão do partido naquela época.
Portanto, o que ocorre hoje é reflexo do que aconteceu no passado e o estopim da bomba que vai explodir a relação entre as siglas de Iris Rezende e Paulo Garcia foi aceso pelo vice-prefeito Agenor Mariano, que rompeu diálogo com o prefeito desde a votação do projeto do ITU e do IPTU, em novembro do ano passado.
Petistas e peemedebistas sempre falam sobre a relação política entre ambos. Uns são mais comedidos, outros não. Mas quem vai fazer a averbação do divórcio dessa aliança partidária é mesmo Iris e Paulo.
E os sinais são claros. Iris Rezende nunca saiu em defesa de Paulo Garcia em qualquer episódio da crise, nem mesmo quando Agenor Mariano atacou duramente o prefeito. Iris ficou irritadíssimo quando Paulo demitiu o presidente da Comurg, Ormando Pires, primo de Agenor, além de outro nomes indicados pelo vice-prefeito e que compunham a adminitração municipal. Mesmo assim ficou calado, apenas observando o cenário e orientadando seus aliados nos bastidores desta guerra.
Mas nos últimos dias mudou de postura. Já como pré-candidato a prefeito, mesmo não assumindo esta condição, o próprio Iris passou a criticar e atacar a gestão do petista em suas entrevistas e discursos para correligionários no seu escritório político no Setor Marista, em Goiânia.

Críticas
Recentemente, ao subir na própria mesa de trabalho para discursar a correligionários, Iris atacou o ex-pupilo Paulo Garcia (PT), acusando-o de ter se unido ao governador Marconi Perillo (PSDB), seu adversário histórico, e dizendo-se surpreendido pelo grande desejo da população da capital por sua candidatura.
Segundo Iris, o petista tomou o rumo dele, abandonando a sua companhia. “Ele está lá e eu estou aqui. Ele tomou o rumo dele lá, se uniu ao governo de Goiás”.  E acrescentou: “Ele é o prefeito e eu tenho de enfiar a viola no saco porque já fui prefeito e não sou mais.”
A um grupo de mulheres, que lhe visitou no escritório político, Iris atacou a gestão Paulo Garcia criticando as áreas de Saúde e Educação, argumentando que o provo precisa mudar o que “está aí”.
Diante da enxurrada de ataques, o prefeito saiu da toca. Em entrevista à Rádio 730 ele admitiu o afastamento de ambos e afirmou que sua relação com o governador Marconi Perillo é meramente administrativa. Na sua defesa, Paulo Garcia afirmou que outros prefeitos, inclusive do PMDB, também se aproximaram de Marconi Perillo em busca de solucionar os problemas dos seus municípios.

Motivos
Mas nos bastidores correm algumas versões para justificar o enfurecimento do PMDB por causa da proximidade de Paulo Garcia e Marconi Perillo refletida em algumas ações ou decisões do Paço Municipal. Uma delas seria uma homenagem à mãe do governador, Maria Pires Perillo, já falecida, que deu nome a uma unidade de saúde na Região Noroeste. A outra seria o projeto de lei do Executivo aprovado pela Câmara Municipal renovando o contrato da Prefeitura com a Saneago para a exploração dos serviços de água e esgosto na capital por mais 30 anos.
O petista se defende e ao mesmo tempo joga a responsabilidade pela extensão do contrato com a Saneago no vice-prefeito Agenor Mariano, responsável, segundo ele, pela coordenação da equipe que fez estudos técnicos para a concessão dos serviços. “Foram feitos estudos entre técnicos da prefeitura e da empresa”, declarou. Sobre a homenagem à mãe do governador, Paulo Garcia não quis falar do assunto.


Críticas aprofundam crise e fomentam distanciamento

Demonstrando estar magoado, durante entrevista à Rádio 730 Paulo Garcia disse entender que o motivo de seu distanciamento de Iris Rezende aconteceu em decorrência de ataques de membros do PMDB e, principamente, de Agenor Mariano, seu vice-prefeito. O petista questionou o fato do ex-prefeito não ter impedido os ataques e disse que faltou companheirismo por parte de Iris e de demais lideranças peemedebistas. “Se o PMDB quer romper com o PT, essa não é maneira correta”, alfinetou.
O ex-prefeito Iris Rezende já havia dito, na época da votação do projeto do ITU e do  IPTU na Câmara Municipal, que o País passa por um momento difícil, que o comércio goiano tem registrado forte queda nas vendas e que o desemprego aumenta. “Qualquer projeto de aumentar mais ainda os impostos é estupidez”, declarou.
Iris também pediu mais respeito com o PMDB e lembrou que ninguém chegou sozinho na prefeitura. “Abrimos mão de três anos de mandato para o PT e apoiamos a reeleição do prefeito; Agenor é vice, não é empregado da Prefeitura, e representa o PMDB”.
Essas declações, é claro, irritaram Paulo Garcia profundamente e ele contra-atacou na época. “Não sou preposto de pupilo ou de cacique. Se o PMDB discorda de encaminhamentos da nossa administração, que venha fazer a discussão dentro da gestão da qual o partido faz parte. Não aceito deslealdade e grosseria”. O  petista afirmou ainda que a aliança com Iris fez com que ele pagasse um preço alto na relação institucional com o governo do Estado.
As declarações de ambos nos dias de hoje não fogem a este contexto, o que faz com que PT e PMDB trabalhem sob a perspectiva de estarem mesmo em palanques opostos em 2016.
No PMDB não há dúvidas. Iris Rezende será candidato a prefeito de Goiânia e não terá um pestista na sua vice. Deve lançar chapa puro-sangue.
No PT também não. O partido já tem cinco pré-candidatos a prefeito, os deputados estaduais Humberto Aidar, Adriana Accorsi e Luis Cesar Bueno, o ex-reitor da UFG, Edward Madureira, e a ex-deputada federal Marina Sant’Anna.
Mas como em política tudo é possível, esta aliança, rompida no primeiro turno, pode ser reeditada no segundo se for de interesse mútuo das duas siglas para manter a hegemonia de poder na capital que já dura vários anos. (RC)

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