Policiais contra a violência

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A violência chega a níveis inaceitáveis em Goiás. Causado por multifatores, como desigualdade social, crescimento desordenado das cidades, miséria, leis brandas, judiciário moroso entre outros problemas, o aumento significativo da criminalidade precisa de um basta. Ao poder público não é dado o direito de ignorar tal situação alarmante. Ao gestor público, ao governador do Estado, comandante em chefe das polícias Civil e Militar, não é dado o direto de fechar os olhos e virar as costas para o mar de sangue que se forma diariamente em Goiás.
Apesar de não citado nas causas acima, a falta de investimento contínuo no aparato policial, não resta dúvida, é um dos fatores que contribuem para o avanço da violência e consequente fim da paz social. Em Goiás, o quantitativo de policiais militares reduziu no últimos 20 anos, quando deveria ter ao menos duplicado; da mesma forma, os policiais civis são hoje meros registradores de crimes, já que não tem pessoal suficiente para investigar a maioria dos crimes de média gravidade. Outras vezes, crimes gravíssimos, como homicídios, acabam entrando para a estatística de casos não solucionados, por falta de pessoal para investigar eficazmente. Esse memo quadro caótico atinge a Polícia Técnico-Científica, abarrotada de trabalho, impossível de ser feito em tempo hábil devido à escassez de servidores.
Num quatro desse, com tanta falta de recursos, humanos e materiais, já seria previsível o aumento vertiginoso da violência e criminalidade. E é isso que aconteceu. Goiás tem um dos índices de homicídio mais elevados do mundo. Nada mais nada menos que 44 homicídios por cada grupo de 100 mil habitantes (dado referente ao ano de 2012, segundo o Mapa da Violência). Para efeito comparativo, no estado de São Paulo nos últimos dez anos a taxa de homicídios caiu de 22,6 para 10,5 no período entre 2002 e 2012.
Enquanto o Estado de São Paulo consegue reduzir significativamente o número de homicídios, em Goiás, vivemos situação inversa. A cada ano, mais pessoas estão morrendo, vítimas da violência geral, mas que tem raízes também na incapacidade do estado de gerir corretamente o aparato policial.
Faz-se urgente a necessidade de investimento efetivo em segurança pública. Goiás precisa investir em mais policiais, civis e militares. O governo federal precisa tratar a violência e a criminalidade com a devida seriedade que o problema requer. Cidadãos estão simplesmente desacreditados no poder público. São vítimas diariamente de crimes como roubo, furto, tentativa de homicídios etc. e, aqueles que chegam a registrar o ocorrido numa delegacia, ali expõem seu ceticismo em ver o autor do crime punido. Não tem como investigar se não há policiais suficientes para fazer o serviço.
Na semana passada, foi enterrado um policial civil na segunda-feira, morto ao intervir em um assalto em uma lanchonete em um bairro nobre de Goiânia. Na mesma semana, um policial militar foi morto em Uruana e, na sexta-feira, um policial federal foi alvejado por disparos de arma de fogo quando chegava em sua casa, em Goiânia. Se os agentes das forças policiais viraram presas dos bandidos, o que resta à população?

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