“A oposição está preparada para por fim ao chamado marconismo”

0
1575
Foto: Paulo José

Novo vice-presidente do diretório regional do PMDB e líder da bancada do partido na Assembleia Legislativa, o deputado José Nelto diz, em entrevista à Tribuna do Planalto, que a legenda saiu fortalecida do processo de disputa interna pelo comando da sigla. Afirma ainda que o deputado federal Daniel Vilela, eleito presidente do PMDB, é o nome do partido para as eleições de 2018. Sobre o pleito deste ano, garante que Iris Rezende é o nome dos peemedebistas. José Nelto dá a entender que a aliança do PMDB com o PT está exaurida e faz duras críticas ao governo de Marconi Perillo (PSDB).

Ronaldo Coelho e Manoel Messias

Pergunta: Deputado, o PMDB teve uma disputa interna acirrada pelo comando da sigla. O partido está sendo reunificado?
José Nelto: Nós temos a missão de renovar o PMDB, apresentar uma nova cara para a sociedade. A militância do PMDB resolveu mostrar que o partido tinha que sofrer uma guinada de 180 graus. E esta guinada aconteceu. A nossa chapa, que tem como presidente Daniel Vilela, venceu com 73%. Então, esta é a vontade do PMDB, de mudar, de avançar, se modernizar e preparar o partido para a disputa eleitoral de 2016 e, consequentemente, de 2018. Passadas as eleições, qual é o trabalho nosso? Unificar o partido. Este trabalho o Daniel Vilela já está fazendo. O partido saiu fortalecido e unificado. Aí vem a segunda etapa, que é abrir o PMDB para toda a sociedade civil organizada e também para todos os políticos e a outros partidos que queiram se aliar ao PMDB. Sabemos que para ganhar as eleições é preciso buscar novos aliados. A oposição está preparada para o crescimento e para por fim numa era do PSDB, a oposição está preparada para por fim ao chamado marconismo, que tem 20 anos de poder e não tem mais expectativa de resolver a grave crise que vive o Estado de Goiás.

Historicamente os partidos no Brasil são vinculados à figura de uma pessoa. Em Goiás, Iris Rezende era uma dessas figuras no PMDB. Essa mudança no comando do partido abre espaço para novas lideranças?
Iris Rezende Machado sempre deu oportunidade para novas lideranças, para novos valores do PMDB. Ele deu espaço para Maguito Vilela, Thiago Peixoto, Samuel Belchior, Bruno Peixoto, Agenor Mariano e o deputado José Nelto. Ele nunca fechou o partido. Mas sempre foi um liderança dura, carismática do PMDB. Agora, na nossa visão, este modelo político tem que acabar, a figura do rei, da rainha, do culto à personalidade. Isto não leva ninguém a lugar algum. Vamos valorizar os filiados e acabar com o culto à personalidade. Isto significa atraso. É o que está acontecendo hoje em Goiás no governo Marconi, que é cultuado como um rei, como um líder carismático que resolve tudo, mas que, na verdade, não está resolvendo nada. Estão mergulhados numa crise muito grande.

O Iris Rezende aceita sair de cena agora como protagonista do PMDB?
Ele não vai sair de cena. É o seguinte. Na vida você tem tempo para tudo. Para plantar, para crescer, dar fruto e chega um momento também que você chega no tempo de envelhecer. Isto faz parte da vida de qualquer ser humano. Tudo tem um tempo de permanência na vida. Hoje Iris Rezende Machado é o nosso pré-candidato a prefeito de Goiânia. Ele tem o apoio de todo o PMDB. É um bom gestor, um bom político. Não adianta você dizer que o Iris é candidato a governador de novo. Não é. Chega num momento que não dá mais. É o mesmo que chamar o Fernando Henrique Cardoso para ser candidato a presidente da República. Já passou a vez dele também.

A sua chapa teve 73% dos votos na convenção. Houve uma ruptura desse grupo que apresentou discurso diferente do outro. Esta eleição marcou uma ruptura com o passado no PMDB?
O PMDB tinha que tomar uma decisão e esta decisão foi tomada pela militância. Nada contra o passado do PMDB. Nos orgulhamos dele. Mas chega num certo momento em que o passado vai cansando. Isto acontece com qualquer partido, com qualquer ser humano. Pedro Ludovico chegou e triunfou na revolução e tomou o poder dos Caiados. Passou certo tempo, Iris Rezende Machado surgiu como liderança nova e tomou a liderança de Pedro Ludovico e então veio a era Iris. Depois chegou outro jovem e veio a era Marconi, que já envelheceu também. Agora vem uma nova era na política de Goiás, que é a era Daniel Vilela. É um processo normal de renovação da classe política.

Este grupo que está no comando do PMDB está preparado para fazer a leitura da nova realidade política de Goiás?
Esta mudança, este novo discurso está acontecendo no mundo inteiro. O povo quer renovar na política. Os partidos estão perdendo o poder para a militância, para a sociedade na escolha dos candidatos. O PMDB de Goiás está antenado com a política internacional, com a política do Brasil, com a voz das ruas e com tudo o que está acontecendo em Goiás. Ninguém aguenta mais a corrupção, mordomia, ninguém aguenta mais o político que acha que é o dono da palavra, ninguém suporta mais o líder político achar que ele é o poder. A população vai sepultar este tipo de político. O culto à personalidade acabou. Você tem que cultuar é o trabalhador, a sociedade. Não há salvador da pátria.

Os políticos novos estão preparados para detectar o sentimento popular?
Isto pode ser detectado através de pequisas. Você tem hoje um aparato de pesquisas. A sociedade está antenada através das redes sociais e é o que nós estamos fazendo no PMDB. O PMDB deu um salto muito grande. O partido era criticado porque não se comunicava com as massas. Não estava nas redes sociais. O partido entrou fortemente, através das bancadas estadual e federal, nas redes sociais e com o site Goiás Real (www.goiasreal.com.br) que hoje está aberto a toda a sociedade para falar o que ela está sentindo, aquilo que ela não pode falar na televisão, no rádio ou no jornal. É um canal aberto e democrático para a sociedade. Isto mostra que o partido avançou e está antenado em relação ao que está acontecendo no dia a dia da política no Brasil e no dia a dia da vida do cidadão.


“O PMDB tem que ter candidato nos 246 municípios”

Deputado, o PMDB está preprado para disputar essas eleiçõs municipais? Parece que o partido deu uma encolhida no interior?
Eu vou explicar. O partido tomou a decisão e extinguiu todos os diretórios no Estado de Goiás. Tinha gente que usava o partido para fazer negociata achando que o partido era um negócio particular dele. Isto acabou no PMDB. Criamos novas comissões provisórias em todo o Estado de Goiás e agora começamos a criar os diretórios. Já chegamos a 146 diretórios e ainda temos 100 comissões provisórias. Daqui até o dia 30 de março, vamos conversar com toda a nossa militância, com o o partido e vamos passar uma determinação da executiva: o PMDB tem que ter candidato nos 246 municípíos. Se não tiver um nome do PMDB, a primeira opção é com um aliado nosso, o senador Ronaldo Caiado, do DEM. Se não tiver do DEM e tiver do PRP, a preferência será do PRP. São os três partidos aliados que participaram juntos da eleição de 2014. Agora, outros partidos que quiserem se aliar ao PMDB tem que fazer isto publicamente.


“O TCE virou um puxandinho do Palácio das Esmeraldas. É um Tribunal de compadres”

Este trabalho de 2016 já visa as eleições de 2018 . Que tipo de oposição o PMDB vai fazer ao governo do Estado?
Cabe à bancada estadual, em primeiro lugar, o papel de fazer oposição. Deve fiscalizar e cobrar. A bancada está agindo e tem feito oposição dura e séria ao governo do Estado de Goiás. Na abertura dos trabalhos da Assembleia nós teremos mais uma prova disto. Vamos fazer um retrato do que está acontecendo em Goiás e mostrar para a sociedade. O que foi prometido em campanha, a situação em que vive o cidadão de Goiás, o sucateamento dos aparelhos de segurança pública, a situação da saúde pública, da educação e da infraestrutura. O governo se esqueceu da juventude, não tem um projeto para a juventude no Estado de Goiás. Agora, a oposição cobra de quem? Do Ministério Público (MP), cobra do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Agora, lamentavelmente o Ministério Público de Goiás precisa mudar de mentalidade. Hoje o MP trabalha e pune apenas prefeitos, vereadores, deputados. O Ministério Público de Goiás tem que cumprir o papel dele como faz o Ministério Público Federal. O delegado da Polícia Civil tem que cumprir o papel dele como faz um delegado da Polícia Federal. O TCE virou um puxandinho do Palácio das Esmeraldas. É um Tribunal de compadres. E o governo de Goiás virou um governo de compadres. Então, todo esse compadrio toma conta do Estado de Goiás que vive para atender os amigos do rei, os empresários que não pagam impostos. Com tudo isto, falta dinheiro para todas as áreas, para a saúde, segurança e educação, infraestrutura. Nós vivemos a pior crise de Goiás nos últimos 20 anos.

O senhor mencionou nomes de instituições importantes, como o MP e o TCE…
Já houve mudança de mentalidade. O Tribunal de Contas da União (TCU) já tomou posição. Mas nos estados a situação é muito promíscua.

O senhor poderia citar um ponto específico com indício de ilegalidade em que o MP tem conhecimento e não está agindo?
A oposição leva várias denúncias ao Ministério Público. A denúncia não anda no Ministério Público. Temos grande promotores, promotores sérios e respeitados no Estado de Goiás. Mas a instituição era para ajudar a democracia, para ajudar a por fim à corrupção. O MP tem que atuar mais. Vou dar um exemplo. A Operação Compadrio parou no meio. Tinha que ter continuado. Posso comparar a Agetop hoje com a Petrobrás. A Agetop é o petrolão do Estado de Goiás. É a Lava Jato de Goiás. É lá que lava o dinheiro das campanhas. É lá que pede propina. Quem é que pede propina: é o presidente da Agetop, o senhor Jayme Rincón. Ele é o cabo da campanha, o caixa da campanha. E o Ministério Público parou num diretor. É preciso que dê continuidade na Operação Compadrio. Vou dar outro exemplo. Tem um ano que eu dei entrada, através da Lei de Acesso à Informação (LAI), para ter acesso aos contratos da Agetop, aos aditivios deste contratos, aos contratos da Secretaria de Saúde com as OS’s, os aditivos e os salários dos presidentes e diretores das Os’s. O governo não atende o pedido de uma lei federal e um lei estadual. O quê o governo está escondendo? Cadê a transparência? Você começa a acreditar que tem algo muito grave por trás deste contratos.

E o Tribunal de Contas do Estado?
O TCE e o TCM hoje você pode dizer que estão no bolso do governador. Só fazem o que o governador quer. Então, não resolve nada. Assim é melhor acabar com o TCE e com o TCM. São instituições que não funcionam. Se não funcionam, para que existir? O TCE do Estado de Goiás, ao invés de fiscalizar o governo, já que é um órgão de assessoramento da Assembleia Legislativa, está preocupado em fazer um palacete. E um palacete que, segundo informações e denúncias que recebemos, é um palacete de obra superfaturada, propina e tudo isto.


“Iris é o nosso pré-candidato”

Mesmo perdendo o controle do PMDB, Iris Rezende continua sendo o nome do partido para disputar a prefeitura de Goiânia?
O Iris Rezende não perdeu a eleição no PMDB. Ele liberou e não interferiu no processo. Quem montou a chapa foi o Nailton (Oliveira), a Dona Iris e um grupo do PMDB. Ele sabe que este é o resultado das bases do PMDB. Prova disto foi que quando ele chegou no diretório estava com as duas chapas no peito. Iris é o nosso pré-candidato a prefeito de Goiânia.

Hoje já dá para dizer que a aliança entre o PMDB e PT não vai prosperar?

Não interfiro em assuntos de outros partidos. Vejo pela imprensa o PT dizer que tem candidato. Então, se o PT tem candidato e como o PMDB também tem candidato, nós vamos procurar partidos políticos que queiram fazer aliança com o PMDB. Eu não sei se o PT tem interesse em manter a aliança com o PMDB. Até hoje não fomos procurados pelo PT e nem o PMDB também procurou o PT.
Qual vai ser o discurso do PMDB para Goiânia?
O PMDB tem hoje a conscência de que quem elegeu o prefeito Paulo Garcia foi a população. Ele ficou lá três anos porque o PMDB deu o cargo para ele. Iris Rezende Machado saiu para ser candidato ao governo e entregou para Paulo Garcia. A partir do momento em que ele foi reeleito o compromisso dele foi feito direto com a sociedade. Quanto à adminsitração do Paulo Garcia, quem tem que responder é ele e o Partido dos Trabalhadores, e não o PMDB.

Quanto ao discurso…
Nossa mensagem será a de que o PMDB quando voltar a governar Goiânia vai limpar as ruas da cidade, vai recapear o asfalto, vai cuidar da iluminação, vai transformar Goiânia na cidade mais limpa entre as capitais, vai construir praças, parques e melhorar o tansporte coletivo, a saúde, cuidar da juventude e cumprir um papel que é do governo do Estado de Goiás e ajudar na segurança pública. Este será o discurso do PMDB.


“O partido já escolheu o Daniel” 

Deputado, o PMDB está, de fato, investindo num novo projeto e este projeto é Daniel Vilela para governador?
Eu já disse que quando a militância do PMDB deu a vitória de 73% para a chapa que tem a presidência do Daniel Vilela, o partido já mostrou o caminho, já escolheu o Daniel. Agora, este candidato vai conversar com a sociedade civil organizada e mostrar que ele é diferente, mostrar que não gosta de mordomia, que não é arrogante, que não é rei, que não é o salvador da pátria, mas que ele é um ser humano que está vivenciando o sofrimento do povo goiano. Um povo que não tem saúde, educação, não tem segurança pública, vive com a infraestrutura arrebentada no Estado de Goiás e tem um governo falido. Ele tem que ser porta-voz de toda esta insatisfação. Ele vai andar todo o Estado de Goiás com um novo discurso político, um discurso viável. Acabar com as festas no palácio, os banquetes, os helicópteros, as aeronaves. Cerca de 30% dos orçamentos da União, dos estados e dos municípios são gastos na corrupção e nas mordomias dos políticos. É preciso mudar.

O PMDB perdeu a últimas cinco eleições para o governo de Goiás. O partido aprendeu a lição e está encontrando o caminho para vencer?
A sociedade já cansou deste governo. Não acredita mais neste governo. Um governo que está esbanjando dinheiro, mordomia, farras no carnaval, viagens internacionais. Tudo isto a sociedade está vendo. Então, o PMDB vem agora com um discurso totalmente diferente, que é por fim a isto aí. O PMDB sempre foi um partido que se preocupou com os mais necessitados, com moradia, com infraestrutura, com a educação, que se preocupou realmente com o crescimento de Goiás. Sabemos que enfrentamos o império, o dinheiro, enfrentamos o estelionato eleitoral. O Ministério Público e a polícia vão ter que funcionar nestas eleições para por fim a esta gastança, ao uso do dinheiro público.

Para o senhor, o ciclo do tempo novo está acabando?
Já passou o ciclo e ninguém espera mais nada dele. Ele requenta os discursos, os programas. Ele lançou o Inova Goiás, mas na verdade não inovou nada. Agora ouvi falar na ida dele para a Austrália que está requentando o trem-bala Goânia/Brasília. Ele não tem dinheiro nem para cuidar da segurança no Eixo-Anhanguera. O governador passou a ser um homem desacreditado na política de Goiás.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here