Lei incentiva debates em escolas

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Os adolescentes entre 13 e 15 anos são os que mais sofrem bullying na escola, já que nesta fase da vida as mudanças do corpo estão associadas à puberdade

Lei federal que pretende combater o bullying está em vigor desde o último dia 9. Em síntese, o texto da lei institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática

Fabiola Rodrigues
Apesar de não prever punição para quem não cumpri-la, uma lei federal que pretende combater o bullying está em vigor desde o último dia 9. Em síntese, o texto da lei institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (bullying). Na prática, as escolas devem realizar debates e discussões, com participação dos alunos e pais, para prevenir e combater casos de bullying. Além dos estabelecimentos de ensino, pais e professores também devem ser orientados sobre bullying, que é caracterizado por perseguição sistemática, física ou psicológica, presencial ou virtual de algum indivíduo. A lei também prevê assistência psicológica e jurídica às vítimas e aos agressores.
Segundo uma do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em 2012, cerca de 30% das crianças e adolescentes no Brasil já sofreram algum tipo de bullying. A psicóloga Giele Toassa, que trabalha com crianças e adolescentes vitimadas de agressões nas escolas, esse número pode ser ainda mais elevado.
Na maioria das escolas, as ações mais intensas devem ocorrer na segunda fase do ensino fundamental, do 6º ao 9º anos, quando os alunos entram a adolescência. Dentro das escolas as agressões entre meninos acontecem mais de forma física. Já as meninas se agridem mais com palavras e xingamentos. As agressões causam traumas e as vítimas em muitos casos nem querem estudar mais ou pedem aos pais para mudar de escola.
Os adolescentes entre 13 e 15 são os que mais sofrem bullying, já que nesta fase da vida as mudanças do corpo estão associadas à puberdade e a busca pela identidade causa crise emocional no adolescente. Agredir o colega é uma das formas de querer expressar autoridade.
Otimista com a nova lei, a psicóloga acredita que vai chamar mais a atenção da sociedade e do ambiente escolar para debaterem assuntos como racismo, homofobia, falar sobre o próprio corpo, como quem está acima do peso ou porta algum tipo de deficiência física ou mental.
“É uma lei que já reforça direitos jurídicos, mas tem que proposta de criar na sociedade debates sobre preconceitos que não precisam existir”, expressa Gisele.
O resultado da lei em vigor deve vir a médio e longo prazo, já que a conscientização é um processo demorado. Independente de lei, Gisele alerta que todos precisam estar atentos a qualquer tipo de sintoma de agressão e dar voz à criança ou adolescente. Nem sempre ele estará exagerando e geralmente quem foi agredido fica retraído e precisa de cuidado.
Quanto ao agressor, geralmente não existe a necessidade de punir severamente, já que ele também precisa de tratamento. A melhor forma de educar é reeducando e os pais precisam acompanhar os filhos nessa jornada. Sem eles, a reeducação fica mais difícil. “A inclusão social é o melhor caminho”, frisa a psicóloga.
Outro fator preocupante é o cyberbullying, ele acontece em ambientes virtuais, principalmente nas redes sociais. Por ser muito magro, o estudante Kaique Brito, de 11 anos, acabou se tornando alvo de críticas e gracinhas por parte dos colegas. Devido a isso, está isolada na sala de aula e a mãe dele já procurou ajuda psicológica.
“Eu não gosto que os meninos ficam me chamando assim, agora só vou para a escola com blusa comprida e sempre fico quieto no meu canto”, diz o estudante.
A psicóloga Gisele Toassa diz que as vítimas raramente pedem ajuda às autoridades escolares ou aos pais, pois acreditam que assim evitarão retaliações dos agressores e também porque pensam que ao sofrerem sozinhas e caladas pouparão seus pais da decepção de ter um filho frágil, covarde e não popular na escola. De acordo com o novo texto legal, cartilhas, leitura debates serão ferramentas usadas para ajudar os alunos a esclarecer melhor sobre o assunto e tirar dúvidas.


 

O que diz a lei
A Lei nº 13.185, em vigor desde o último dia 9, institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, Bullying, em todo o território nacional.

O que é bullying
De acordo com a lei, bullying, ou intimidação sistemática, é todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.

Formas de bullying
Ataques físicos; insultos pessoais; comentários sistemáticos e apelidos pejorativos; ameaças por quaisquer meios; grafites depreciativos; expressões preconceituosas; isolamento social consciente e premeditado; pilhérias.


DIVERSÃO E ARTE

Performance “Enraize-se”é apresentada em Goiânia

Performance Enraíze-se da artista Roberta Rox convida público goiano a despertar a sensibilidade e saudar a natureza

Da Redação

A performance “Enraíze-se”, da artista Roberta Rox, convida o público goiano para uma viagem de reencontro com a ancestralidade, a Mãe Terra, e será apresentada em seis cantos da Grande Goiânia entre os dias 15 e 28 de fevereiro. Todas as apresentações são gratuitas.
A ação também tem como objetivo descentralizar o acesso a cultura. Dessa forma o projeto Circulação Enraíze-se, contemplado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, fortalece a linguagem da performance para além dos bairros centrais da cidade.
As apresentações serão no dia 15 de fevereiro ao 12h30 na Praça do Bandeirante; no dia 17 de fevereiro às 16h30 na Ponte da Rua dez; no dia 20 de fevereiro às 15h na Praça da Igreja Matriz de Campinas; no dia 22 de fevereiro às 12h na Praça do Cruzeiro; no dia 26 de fevereiro às 17h na Praça da Feira localizada no Parque Amazônia e finaliza o cronograma no dia 28 de fevereiro às 10h na Parque Areião.
Criada em 2013, Enraíze-se busca despertar a sensibilização dos sentidos do espectador, provocando reações e transformações no comportamento, questionando a normatização dos espaços públicos, interrompendo o curso normal das coisas, trazendo poeticamente à cena as relações com os elementos da natureza no ato de se plantar. Nesse sentido, com a concepção da performer Roberta Rox, Enraíze-se é reintegra corpo e natureza unindo-o com a terra, a água, o ar e o barro. Para a artista a obra busca fortalecer as nossas raízes ancestrais sugerindo o ato de se plantar como uma maneira de “saudar e agradecer a nossa Mãe Terra”.
“Enraíze-se busca reacender o sensível olhar em relação às ruas, ao espaço público e a natureza em meio ao urbano, dissolvendo tensões, medos e violências, estabelece relações que vão além das sensações rotineiras, e possibilita abrir espaço ao que é precioso dentro de cada um”, explica Roberta Rox, que é formada em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Goiás.

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