Redes sociais viram campo de batalha pelo eleitor

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2016

A crise econômica e a insatisfação popular devem transformar as redes sociais num caldeirão efervescente de discussões, ofensas e disputas políticas no pleito eleitoral deste ano

Daniela Martins

A cada eleição, a internet ganha mais espaço e força na disputa pela preferência dos eleitores. Se em 2014, vimos uma ferrenha batalha nas redes sociais entre PSDB e PT pela presidência da República, preparem-se para um combate virtual ainda mais contundente no pleito deste ano, quando serão escolhidos milhares de prefeitos e vereadores em todo o país. Com a popularização de aplicativos como o WhatsApp, o eleitor deve ser alcançado bem mais rápida e constantemente por meio de seus poderosos smartphones.
“As campanhas já têm nas mídias sociais as principais intervenções, e a tendência é aumentar porque a interação candidato-eleitor é maior”, avalia o cientista político Itami Campos.
De fato, tudo colabora para elevar a importância da web e da interação virtual. A minirreforma eleitoral reduziu o período de campanha de 90 para 45 dias, diminuiu também o tempo dos candidatos no rádio e na televisão, além de promover outras restrições na forma de fazer propaganda. Alia-se a tais mudanças o fato de o Brasil figurar sempre no topo do ranking de países em que pessoas mais usam redes sociais e ficam mais horas conectadas. Tudo isso evidencia a importância que a internet terá nas próximas eleições. Melhor, que a internet tem. Afinal de contas, na rede o pleito eleitoral já começou.
“A internet mudou a forma de fazer campanha. Os candidatos que têm presença na rede, as próprias redes sociais, serão fundamentais nessas eleições, como já foram nas últimas três e quem desconhecer isso pagará caro”, sentencia o publicitário e consultor político Ademir Lima.
O professor universitário e pesquisador político Luiz Signates, doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, tem visão semelhante.
“Se antes tínhamos um quadro em que a internet era uma mera coadjuvante das mídias de massa, sobretudo a televisão, hoje sabemos que a ocupação dos espaços virtuais se tornou imprescindível, especialmente nas regiões eleitorais mais amplas, nas quais o contato com o eleitor é fortemente dependente das mediações tecnológicas”, observa Signates.
A insatisfação popular com a economia, a política e com os próprios políticos tende a transformar a internet num caldeirão efervescente neste período pré-eleitoral.
“E com certeza a baixaria correrá solta”, destaca Ademir Lima.
Isso porque, explica o marqueteiro, há um bombardeiro da mídia tradicional contra a classe política em geral e não há praticamente nenhum controle sobre as redes sociais.
“O boato faz parte e é quase impossível contê-lo”, completa Itami, que vê no aumento da participação popular um fator positivo do uso da internet nas eleições. Porém, de difícil controle ou fiscalização: “Opiniões de insatisfações e até agressividade devem ocorrer, pois a rede encobre a participação, ela é indireta”.
A teoria dos “influenciadores de votos” também precisa ser revista, já que, pela internet, a tendência é que a relação se torne cada vez mais direta com os próprios eleitores. É o que aponta Luiz Signates, ao salientar que as mediações tradicionais – a mídia e os chamados “currais eleitorais” – estão cada vez mais enfraquecidas.
“As pessoas não apenas deixam hoje de seguir lideranças, como opinam diretamente e, o que é mais difícil de se administrar, modificam suas opiniões com maior facilidade, na medida em que os efeitos de imagem em circulação na internet operam modificações de visão e interpretação dos fatos”, esclarece o pesquisador.


Em Goiás, políticos agem com amadorismo

Quem não tiver um monitoramento profissional das mídias, quer as tradicionais ou sociais, bem como bons institutos de pesquisas e profissionais qualificados, só por uma zebra ganhará essas eleições. A observação é do pesquisador Ademir Lima. Para ele, o candidato precisa entender a melhor forma de tirar o máximo proveito das mídias sociais e comunicar com seus eleitores.
“É preciso ter uma visão das redes sociais e de sua linguagem, ter percepção de tendências, aplicações, estratégias e técnicas de marketing político digital”, defende.
Ademir alerta ainda que manter um perfil nas redes sociais não significa que você está presente.
“É preciso ter conteúdo e interagir. A simples presença do perfil nada significa, é um tiro no pé”, resume.

Luiz Signates: internet é um ambiente complexo
Luiz Signates: internet é um ambiente complexo

É fato que cada vez mais políticos ocupam os espaços virtuais. Na rede social mais popular, o Facebook, por exemplo, há perfis de praticamente todos pré-candidatos à prefeitura de Goiânia, vereadores e deputados estaduais. A questão é a forma com que a ferramenta tem sido utilizada.
“Ainda temos um quadro de certa ausência e um grande amadorismo no Estado de Goiás”, considera Luiz Signates, que salienta que, além de estar na internet, é preciso saber gerir o processo, pois trata-se de um ambiente complexo.
O especialista faz duas recomendações aos pré-cadidatos: não agirem sem pesquisa e profissionalizar a comunicação da campanha.

Itami Campos: maior interação entre candidatos e eleitores
Itami Campos: maior interação entre candidatos e eleitores

“A pesquisa eleitoral, especialmente as qualitativas, são instrumento imprescindível de posicionamento de imagem, qualquer que seja o contexto que se apresente e por mais que o candidato julgue conhecer por si próprio a realidade na qual atuará politicamente”, orienta.
Outro ponto fundamental é a profissionalização da comunicação da campanha, sobretudo a atuação nas redes sociais.
“O contexto de alta competitividade e escassez de recursos que marcarão as campanhas eleitorais este ano exige que se faça o melhor da maneira mais produtiva possível. Isso feito, o resto é definido tanto pela análise correta das conjunturas, quanto pelas consequentes ações acertadas de comunicação”, assinala Signates.
Enfim, quem não profissionalizar o uso das redes sociais na campanha, vai jogar com a sorte!

Ademir Lima, o Mago: baixaria correrá solta
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