Sem Waldir, Vecci fica fortalecido

0
1727
Vecci é pré-candidato a prefeito de Goiânia pelo PSDB

Apenas o vereador Anselmo Pereira permanece no caminho do deputado na disputa pela preferência dos 9.436 peessedebistas de Goiânia. Consenso ainda pode acontecer  

Marcione Barreira, repórter de política

As discussões para seleção do candidato do PSDB à prefeitura de Goiânia sofreram uma baixa nesta semana. A desistência do deputado federal Delegado Waldir Soares de disputar as prévias do partido é evidência de que a vaga ficará mesmo com o deputado federal Giuseppe Vecci, que carrega favoritismo frente aos comcorrentes.
Quem ainda está na disputa é o vereador Anselmo Pereira (PSDB), presidente da Câmara Municipal de Goiânia. Em viagem, Anselmo dá mostras de que ainda permanece no páreo. Na última semana de janeiro, participou de evento promovido pelo partido nas zonas que englobam a região central de Goiânia defendendo seu nome.
Com a desistência do Delegado Waldir, ainda não é possível saber se Anselmo continua no pleito pela vaga. O presidente metropolitano do partido, Rafael Lousa, disse que as prévias estão confirmadas, mas as chances que envolvem o consenso sempre existem, entretanto, essa é uma questão que tem que ser resolvida entre os pré-candidatos, garante ele.
Marcada para o dia 21 de fevereiro, as prévias para a escolha do candidato já contam com diversos capítulos. Desde 2014, quando as conversas tiveram pontapé inicial, o favorito era o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), Jayme Rincón. Jayme desistiu da disputa logo após a deflagração pelo Ministério Público da Operação Compadrio e a possibilidade ficou entre o deputado federal Fábio Sousa, Vecci, Delegado Waldir e Anselmo.
O deputado federal João Campos chegou a ser cogitado, mas não demonstrou empolgação. Restavam, portanto, três nomes na disputa. No início desde ano, o deputado Fábio Sousa desistiu do processo alegando obrigações no Congresso Nacional. As prévias tiveram início e após isso O Delegado Waldir Soares resolveu abandonar a disputa.
O caso do Delegado Waldir é mais complexo. Além de sair das prévias ele vai deixar o PSDB. Segundo o deputado, ao optar pela realização das prévias o partido não lhe concede a devida importância. O parlamentar aguarda agora a bertura da chamada janela da infidelidade partidária que permitirá a troca de legenda para se desfiliar da sigla.

Oficialização
O parlamentar oficializou na tarde de sexta-feira, dia 12, no diretório metropolitano do PSDB, a sua desistência de disputar as prévias. Agora ele aguarda a abertura da janela para troca de partidos, que provavelmente se abrirá no próximo dia 18, para confirmar sua desfiliação do PSDB.
O presidente do diretório regional do PSDB, Afrêni Gonçalves, lamenta a saída do deputado, entretanto não concorda com os argumentos do DelegadoWaldir no que tange sua opinião sobre o método de escolha interna do partido. “É uma perda importante como de qualquer outro nome do partido. Eu só não concordo com a opinião dele de atribuir sua saída à falta de lisura das prévias”, disse Afrêni.
As duas maiores lideranças oficiais que acompanham mais de perto o imbróglio envolvendo Delegado Waldir são Rafael Lousa e Afrêni Gonçalves. Para eles, as razões do descontentamento de parlamentar ainda são obscuras.
Afrêni Gonçalves disse achar muito estranha a atitude do deputado que concordou com a realização das prévias no momento em que ela estava sendo discutida. Segundo ele, é preciso deixar mais claras suas razões. “Ele assinou e concordou. É mais uma questão pessoal. Respeito a opinião dele, ele tem suas razões, mas para mim ele tem que dizer quais são”, declarou.
Rafael Lousa também critica a postura do Delegado Waldir quando é colocada em dúvida a lisura das prévias do PSDB. Segundo ele, o partido deu espaço igual a todos os nomes, além de ser difícil manipular os 9.536 filiados com direito a voto para escolha. “Lamento a saída, mas nós respeitamos. Da nossa parte temos dado total transparência ao processo”, argumenta.
Segundo Rafael Lousa, já existem dois debates marcados para que os pré-candidatos exponham suas ideias. Já nesta segunda-feira, dia 15, o PSDB realiza seu penúltimo evento. O último está marcado para o dia 20, já na véspera da eleição. Rafael reforça ainda que o abandono do Delegado Waldir é ruim para o processo. “É ruim essa desistência. Teve espaço necessário para expor suas ideias”, informa.
Com apenas dois candidatos na disputa as chances de consenso crescem consideravelmente. Com o favoritismo de Vecci, daqui até o dia 21 de fevereiro um novo capítulo deve acontecer. Como Anselmo está fora de Goiânia ainda não foi possível aferir sua opinião sobre o momento atual. O deputado Giuseppe Vecci também não se pronunciou sobre o fato.


 Entrevista / Delegado Waldir SoaresP 4 f 3 delegado-waldir-soares

“É inadmissível você queimar um candidato que tem cheiro de povo”

Em entrevista à Tribuna do Planalto, o Delegado Waldir Soares expõe os motivos de abandonar o processo e o partido e critica a postura de palacianos que, segundo ele, interferem no processo de escolha. Na entrevista, ele cita interferência do vice-governador José Eliton, que até o fechamento da edição ainda não havia se pronunciado sobre as críticas do delegado-deputado. Para ele, há uma certeza além das duas supracitadas: ele vai ser candidato a prefeito de Goiânia por um partido ainda desconhecido. Acompanhe a seguir os principais argumentos do deputado:

A decisão de deixar o PSDB se deu após análise dos 9.536 nomes com direito a voto nas prévias?
Sim. Estou saindo, o PSDB preparou as prévias para rifar o meu nome e eu não vou concordar com essa situação. Nós estamos projetando alguns argumentos. Vimos, que dos filiados, 2,5 mil nomes são funcionários públicos, recebem dos cofres públicos e então eu não posso participar de um processo desses.

Há alguém do Palácio Pedro Ludovico Teixeira que tem interferido nas discussões e teria interesse em vê-lo de fora do processo em detrimento de outro nome?
Vi a interferência do vice-governador do processo. Então eu acho que a prévia não é justa. Ela é justa quando tem três candidatos com o mesmo espaço num governo de estado, com o mesmo percentual nas pesquisas eleitorais. Eu tenho aparecido nas pesquisas com 20%, 22%, 27% e meus adversários aparecem com 0,2%, 0,4%. Então, é inadmissível você queimar um candidato que tem cheiro de povo. Isso eu não vou permitir.

O PSDB já teria escolhido um nome?
Com certeza já tem um nome escolhido. O vice-governador, inclusive, assediou um eventual vice-candidato meu a ser vice-candidato oficial. Eles chegaram a pessoas próximas do meu relacionamento. Achei uma tremenda covardia, eu pago as contas do PSDB e tenho o olho furado dentro de casa.

O favorito do vice-governador seria o deputado federal Giussep Vecci?
Sim. Ele é parceiro do governador desde muito tempo. O governador também já tinha deixado bem claro isso quando nós tentamos disputar a presidência do PSDB. Os deputados federais fizeram um grupo para disputar a presidência do PSDB. Ele deixou claro que tinha uma fila. Ele falou isso literalmente e ela teria que ser cumprida. Essa fila tinha como primeiro o Vecci, o segundo seria o Célio Silveira, o terceiro João Campos, o quarto Fábio de Sousa, o quinto Alexandre Baldy e o sexto o Delegado Waldir Soares. Teria que esperar esse tempo, e eu não posso esperar todo esse tempo. Eu não sou mais um menino. Cada pessoa tem seu momento e o momento do Delegado Waldir é hoje.

O senhor chegou a conversar sobre a situação atual com o governador?
Conversei. A minha pretensão de ser candidato a prefeito eu coloquei pra ele logo depois do primeiro turno, quando eu já estava eleito com 179 mil votos em Goiânia. Esse número me avaliza a ser o candidato como o mais bem votado da história de Goiânia. Tendo deixado fora dois inimigos do governador, que são Iris Araújo e Jorge Kajuru, eu pedi ao governador naquele momento pra ser o candidato do PSDB. Na época eu pedi para ele. Ele me disse: ‘Waldir, eu vou te ajudar’. Só que depois nós tivemos outros momentos e essa retribuição da ajuda que eu dei para ele não aconteceu. Não acontecendo, eu procurei o senador Aécio Neves e ele pediu par eu aguardar um pouquinho e estou aguardando. Eu não me desfiliei do PSDB ainda, mas minha pretensão é buscar um novo caminho pra que eu possa ser candidato a prefeito de Goiânia.

O senhor já comunicou a ele sobre sua saída?
Eu estou comunicando ao partido. Eu comuniquei ao diretório municipal que não participarei das prévias. É o primeiro ato. Não posso comunicar ao partido que vou sair porque ainda não existe uma janela partidária para isso. A hora que houver um momento legal ai eu vou fazer essa comunicação formal ao partido. Considerando que eu não tive uma retribuição e o respeito do governador eu não tenho por que dar satisfação a ele da minha saída.

Depois de ter sido o mais bem votado em Goiânia e deputado mais bem votado no Estado e estar sendo, pelas considerações do senhor, preterido dentro do PSDB, qual é o sentimento do deputado Delegado Waldir Soares?
O sentimento de que posso ser mais útil e servir ao cidadão goiano. Hoje nós temos uma grande crise de segurança pública na capital, limpeza urbana, doenças que estavam desaparecidas e agora voltaram, crise no transporte coletivo, uma grave questão do adensamento urbano, um problema de alagamento na cidade, então o goianiense não tem mais orgulho de morar nessa cidade. Nós queremos mudar essa realidade. Eu sempre gostei de desafios. Para todo lugar onde eu fui mandado como pessoa pública a gente deu conta de resolver os problemas do cidadão. Minha pretensão é servir o cidadão.

Então, o senhor vai disputar a prefeitura de Goiânia este ano.
Sim. É certeza absoluta que eu vou disputar as eleições para prefeitura de Goiânia em outubro. Em outubro vai estar lá o nome do Delegado Waldir. Essa é uma pretensão, um sonho que eu tenho e o eleitor me deu esse carinho, essa autorização para disputar. Se eu não tivesse sido o mais bem votado em Goiânia eu não teria essa autorização. Se eu não tivesse aparecendo nas pesquisas com índices altíssimos, ao lado de um ex-governador, por duas vezes prefeito de Goiânia, ex-ministro da Justiça, uma lenda em Goiás, eu não seria candidato. Quem me deu essa vênia foi o eleitor.

Algum tempo atrás o senhor falou à Tribuna dio Planalto que vários partidos haviam lhe feito convites. Já possui conversas afuniladas com algum partido que possa dizer?
Eu tenho convite de diversos partidos, a exceção de PT, PSOL, REDE e do PCdoB. Praticamente todos os 35 partidos têm interesse. Existe um grande interesse nacional na cassação do Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT), na eleição do novo líder do PMDB também. Então, eu tenho sido assediado por vários deles. Não tomei essa decisão, não posso tomar essa decisão mesmo porque não existe ainda a janela partidária. Não posso nem falar que vou para partido A, B ou C. A única certeza é que abrindo a janela partidária eu me desfilio do PSDB e busco um caminho para que possa atender um sonho meu e o desejo do povo goianiense. (MB)

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here