Jovens são obrigados a economizar

0
2294

Revelar hábito de economias não era rotina dos jovens, mas é possível economizar em tempo de crise e controlar as finanças também através de investimentos

A crise econômica que se instalou no país desde o ano passado deve continuar. Com a recessão, chega o desemprego, redução de salários e rendimentos. Esse cenário de degradação da economia tem alterado o comportamento dos jovens em relação às finanças pessoas. Aqueles que não tinham hábitos de economizar ou fazer algum tipo de investimento passaram a repensar sobre isso.
O Núcleo Brasileiro de Estágios realizou uma pesquisa em 2014 que revelou que a maioria dos jovens não tinha o hábito de economizar. Porém, na mesma pesquisa realizada em 2015 jovens entre 15 a 26 responderam de forma diferente: o lema agora é economizar e investir o pouco que tem.
O professor de Economia da Pontifícia Universidade Católica de Goiás Gesmar Vieira diz que é possível economizar em tempos de crise e, para o jovem, isso é uma forma de aprender a controlar as finanças mais cedo, o que, claro, é bom.
A preocupação do jovem com a vida financeira no último ano foi grande e a tendência é de aumentar, diz o professor de Economia. A crise econômica no país fez com que o desemprego aumentasse em 2015 para cerca de 16% entre jovens de 18 a 24 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Revelar hábitos de investimento nem sempre foi o alvo da maioria da juventude, fazer investimentos também não é o desejo deles, porém a crise financeira faz com que muitos passem a mudar o estilo de vida”, observa Gesmar Vieira.

Investimento, mesmo a longo prazo, que traga algum benefício para o jovem vale a pena
Investimento, mesmo a longo prazo, que traga algum benefício para o jovem vale a pena

Pagar as contas é o desejo de muitos jovens para isso alguns abrem mão até mesmo de algumas necessidades. O analista de sistemas Italo de Amorim, de 26 anos, mudou o estilo de vida para quitar uma divida.
“Comprei um apartamento, porém precisei alugar e morar em uma casa de aluguel junto com minha esposa. O valor que estou recebendo do aluguel do apartamento consigo pagar a casa onde estou morando e já estou quase quitando as parcelas do apartamento”, diz Italo.
O professor de economia lembra que a forma de economizar não é apenas juntando dinheiro. Investir em algum curso, imóvel ou bem são formas de pensar no futuro, de criar reservas. Um investimento, mesmo a longo prazo, que traga algum benefício para o jovem vale a pena.
Leandro Silveira, de 29 anos, não tinha o hábito de economizar. Ele trabalha consertando ar-condicionado de carros e diz que a demanda de serviços caiu muito e sua renda ficou bem menor.
“Já tem mais de seis meses que fui obrigado a fazer economias e agora vou começar a fazer faculdade. Não tive outra saída, já que a situação está muito difícil”, diz Leandro.
Fazer economias é sempre bom e quando isso começa mais cedo é melhor ainda. Com dinheiro guardado, fica muito mais fácil enfrentar uma crise como a de agora.
Previsões otimistas indicam que a crise atual deve durar pelo menos mais dois anos. Portato é fundamental que cada jovem neste momento encontre formas de economizar, seja saindo menos, fazendo cursos, guardando um pouco de dinheiro ou comprando menos.
O adolescente Eric Santana, de 14 anos, já reconhece que teve que se adaptar em meio à crise. Ele não se sente na obrigação de trabalhar, mas já gosta de ter o próprio dinheiro. Ele usa o que recebe do trabalho que faz eventualmente para comprar roupas, sapatos e eletrônicos, porém já se diz ciente da necessidade de não gastar muito.
“Na verdade em 2016 meu objetivo é não gastar. Ano que vem quero fazer quem sabe um intercâmbio ou uma viagem bem legal e preciso economizar para que isso aconteça”, diz Eric.


Cada vez mais eles buscam rendas alternativas

Em meio à crise econômica, jovens que ficaram desempregados estão criando suas próprias fontes de renda. O professor Gesmar Vieira observa que em época de crise é o melhor momento para buscar alternativas.
Após dois anos trabalhando como auxiliar de produção em uma fábrica, Ivanice de Souza, 24 anos, foi demitida recentemente e, como não encontrava emprego, passou a trabalhar vendendo bombons. É com o dinheiro das vendas que ela está conseguindo pagar as contas. Casos como o de Ivanice estão se repetindo por todo o país.
“Eu gostava do meu trabalho e não esperava ficar desempregado agora, mas um belo dia cheguei lá e me dispensaram. O motivo foi a bendita crise e eu acabei precisando de arrumar outro tipo de renda”, diz Ivanice.

Muitos jovens que não estão conseguindo emprego fixo acabam procurando outra maneira de conseguir renda
Muitos jovens que não estão conseguindo emprego fixo acabam procurando outra maneira de conseguir renda

Os jovens que não estão conseguindo emprego fixo acabam procurando outra maneira de conseguir renda. Uma saída é usar a criatividade e a energia própria da idade durante o dia e à noite. Com os rendimentos diminuídos, Daniel Ribeiro, de 23 anos, trabalha durante o dia vendendo travesseiros e à noite vende espetinhos.
“Estou buscando melhorar de vida. Sei que essa situação vai passar. Acabei precisando trabalhar nesta dupla jornada informal, mas até no meio do ano começo meu curso”, comenta Daniel.
A quantidade de jovens que estão trabalhando por conta própria está aumentando – diz o professor Gesmar Vieira. Segundo o estudioso, esta é uma forma de o jovem manter os gastos básicos, a final todos precisam atender suas necessidades mínimas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here