Microcefalia faz mulheres adiarem sonho da gravidez

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Os três primeiros meses de gravidez representam o período de maior risco para o bebê, caso a mãe seja picada pelo Aedes aegypti e infectada pelo zika vírus

Médicos têm orientado mulheres que desejam engravidar a esperar no mínimo seis meses, até que a epidemia de microcefalia seja controlada no Brasil e diminuam os riscos de contrair a doença

Fabiola Rodrigues
e Manoel Messias

O Brasil vive o que já é considerada por especialistas a primeira epidemia de zika, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypt, também transmissor da dengue e da febre chikungunya. Identificado pela primeira vez no Brasil em abril do ano passado, o vírus causador da zika está relacionado com os recentes casos de microcefalia, doença grave que já foi diagnosticada, sem confirmação ainda, em mais de 4 mil bebês em praticamente todos os estados brasileiros. Como a microcefalia ocorre durante a gestação, muitas mulheres estão temerosas de engravidar. Muitas estão mesmo adiando o sonho da gravidez, com medo de eventualmente ser picada pelo mosquito transmissor da zika e acabar expondo o bebê a esta grave doença, que causa diminuição do perímetro cefálico e retardo mental. As grávidas infectadas pelo zika vírus passam a doença para o bebê e o vírus aloja no cérebro da criança, causando deficiências cerebrais para o resto da vida.
“Como este surto é um fato novo, não temos embasamento e estudos comprovados sobre, nós estamos aconselhando nossas pacientes para adiar o sonho de ficarem gravidas”, diz a ginecologista e obstetra Maria Consuelo, dona de consultório em Goiânia.
Para as mulheres que pretendem engravidar, a orientação médica é que esperem um pouco mais, pelo menos seis meses. A recomendação deve ser avaliada com rigor, já que o zika vírus age violentamente no processo de formação do bebê.
“Muitas mulheres chegam ao meu consultório querendo engravidar, mas, quando explico os riscos que elas correm, compreendem e, apesar de descontentes, preferem esperar”, lembra Maria Consuelo.

Ginecologista Maria Consuelo: “Meu dever é alertar  as mulheres dos riscos que podem corrrer se ficarem grávidas“
Ginecologista Maria Consuelo: “Meu dever é alertar as mulheres dos riscos que podem corrrer se ficarem grávidas“

Os três primeiros meses de gravidez representam o período de maior risco para o bebê. Caso a mãe seja picada pelo Aedes aegypti e infectada pelo zika vírus nesse período de gestação, a criança corre grandes riscos de nascer com microcefalia. Após o quinto mês, a criança corre menos risco de ser afetada, mas, ainda assim, está sujeita à doença.
Para Leilivânia Felix, de 27 anos, o sonho de engravidar do segundo filho nesse ano já foi por água abaixo. Ela já tem uma filha e o marido quer mais dois. O casal planeja ter outro filho e engravidar até no meio deste ano, mas o projeto vai ficar para 2017.
“Eu estava muito ansiosa para ter outra criança. Minha filha já está com três anos e o pai está cobrando. Mas decidi esperar para o próximo ano, pois estou com muito medo de pegar o zika vírus; sei o que ele pode fazer com um bebê”, comenta Leilivânia.
Assim como Leilivânia, muitas mulheres estão tomando a difícil decisão de adiar o sonho da gravidez. Leilivânia é chefe de um hospital e conta que tem visto casos de mulheres, como ela, desistindo de ter filhos. Sete entre dez mulheres que ela conversa dentro do hospital estão desistindo de engravidar no momento – relata.
A preocupação tomou conta até de mulheres que deixaram para ter filhos mais tarde. Segundo a ginecologista Maria Consuelo, mulheres entre 35 e 40 anos estão preocupadas, porque já decidiram ser mães mais maduras, porém, por causa da epidemia, algumas já pensam em não mais engravidar.
“Meu dever é alertar essas mulheres mesmo em idade já avançada para não arriscar. Algumas já pensam em nem ser mãe mais e saem do consultório tristes”, diz Maria Consuelo.


“Eu não parava de chorar de tanto medo”

A ginecologista Maria Consuelo dá dicas para mulheres que estão grávidas tentarem se prevenir, evitando ser picadas pelo mosquito Aedes aegypti. As dicas vão desde usar sempre roupas claras, calças compridas, blusas de manga longa, até fazer o uso do repelente de seis em seis horas nas regiões do corpo que estão descobertas.
Grávida de seis meses, Renata Grazielly já foi picada pelo mosquito da dengue antes de engravidar e está torcendo para que isso não aconteça nesse período de gestação. Para tentar se proteger, ela passa repelente no corpo o tempo todo.
“Meu medo é muito grande. Não quero que um mosquito prejudique a vida do meu filho”, comenta.
O mosquito Aedes aegypti está assustando futuras mães em qualquer fase da gravidez. Stefany Dias está grávida de oito meses e descobriu que estava com dengue. Ela conta que chorou muito, ao receber a notícia, com medo de ter sido infectada pelo zika vírus e ter afetado o bebê.
“Eu não parava de chorar de tanto medo; a minha médica pedia exames quase todos os dias e acabei ficando de repouso absoluto. Foi muito triste, mas passou. Estou melhor agora e sarei da dengue”, relata Stefany.


SAIBA MAIS SOBRE A MICROCEFALIAP 10 fofo 3 Microcefalia

O que é microcefalia
A microcefalia é uma doença em que a cabeça e o cérebro das crianças são menores que o normal para a sua idade, o que prejudica o seu desenvolvimento mental, porque os ossos da cabeça, que ao nascimento estão separados, se unem muito cedo, impedindo que o cérebro cresça e desenvolva suas capacidades normalmente. A criança com microcefalia pode precisar de cuidados por toda a vida, mas isso é normalmente confirmado depois do primeiro ano de vida e dependerá muito do quanto o cérebro conseguiu se desenvolver e que partes do cérebro estão mais comprometidas. A microcefalia pode ser classificada como primária, quando os ossos do crânio se fecham durante a gestação, até os 7 meses de gravidez, o que ocasiona mais complicações durante a vida, ou secundária, quando os ossos se fecham na fase final da gravidez ou após o nascimento do bebê.

Consequências da microcefalia
As crianças com microcefalia podem ter graves consequências como atraso mental, déficit intelectual, paralisia, convulsões, epilepsia, autismo, rigidez dos músculos. Cerca de 90% dos casos da doença estão associados com retardo mental.

Tratamento
Apesar de não haver tratamento específico para a microcefalia, podem ser tomadas algumas medidas para reduzir os sintomas da doença. Normalmente a criança precisa de fisioterapia por toda a vida para se desenvolver melhor, prevenindo complicações respiratórias e até mesmo úlceras que podem surgir por ficarem muito tempo acamadas ou numa cadeira de rodas. Todas estas alterações podem acontecer porque o cérebro precisa de espaço para que possa atingir o seu desenvolvimento máximo, mas como o crânio não permite o crescimento do cérebro, suas funções ficam comprometidas, afetando todo o corpo.

Causas da microcefalia
Além da zika durante a gravidez, especialmente no primeiro trimestre de gestação, as causas da microcefalia podem incluir, segundo a pediatra Beatriz Beltrame informa na página Tua Saúde, doenças genéticas ou infecciosas, exposição a substâncias tóxicas ou desnutrição. Algumas situações que podem provocar microcefalia são: infecções como rubéola e toxoplasmose; consumo de cigarro, álcool ou drogas como cocaína e heroína durante a gravidez; envenenamento por mercúrio ou cobre; meningite; desnutrição; HIV materno; exposição à radiação durante a gestação; uso de medicamentos contra epilepsia, hepatite ou câncer, nos primeiros 3 meses de gravidez.

Casos notificados
Segundo dados do Ministério da Saúde, foram notificados em todo o Brasil mais de 4 mil casos suspeitos de microcefalia, que estão sendo investigados, sendo que já são 508 casos de microcefalia confirmados. E pela nova classificação do Ministério, todos esses casos têm relação com o vírus da zika.

Fonte: http://www.tuasaude.com/microcefalia/

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