Base aliada se fragmenta em Goiânia

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Luiz Bittencourt é o nome para prefeito do PTB este ano

Aliados acreditam que este fator é positivo, entretanto há quem discorde. Movimentações estão a pleno vapor

Marcione Barreira, repórter de política

Movimentação constante nos bastidores, troca de legenda, anúncio de pré-candidatura, prévias e diálogos são sintomas de que tem eleição por perto. É assim que se desenha o jogo político com as eleições municipais marcadas o dia 2 de outubro deste ano. A Base aliada ao governador Marconi Perillo (PSDB) tenta finalmente sair da fila de espera, enquanto PT e PMDB reinam absolutos na capital há quase de 20 anos.
Os opositores vêem nesse cenário a chance de conquistar finalmente espaço no Executivo da capital, entretanto, há muito que fazer para chegar a este patamar. Com índices favoráveis até aqui, o adversário a ser batido é Iris Rezende (PMDB) que, segundo indicam pesquisas internas dos partidos, está na frente na corrida pelo Paço Municipal.
Com a divisão entre PT e PMDB praticamente sacramentada, outros cinco partidos considerados esteio dentro da base aliada devem lançar candidatos. Com este cenário, os dois lados vão “rachados” para a disputa. Tanto oposição quanto situação disputa o caminho que pode os levar até o Paço.
Desde o inicio de 2015, o PSDB disse que não abriria mão de concorrer à prefeitura de Goiânia com nome próprio. Em anos anteriores, o partido apoiou outras candidaturas, no entanto, sem obter sucesso. É justamente este um dos argumentos dos tucanos: ter aberto mão da disputa para apoiar outro nome em outras campanhas.

Legendas
Com a definição de candidaturas do PSD, PTB, PR e PSDB é praticamente certa a fragmentação da base governista. Desses, apenas o PP do deputado federal Sandes Junior (PP) alimenta conversas frias em torno do assunto. Um dos principais nomes do partido, o deputado federal Roberto Balestra (PP) acha que a legenda não possui estrutura para entrar na disputa.
Entusiasta por Jayme Rincón enquanto este estava no páreo, Balestra orientava o PP a seguir o PSDB. Agora, no entanto, o parlamentar prefere esperar um pouco mais o desenrolar das ações. Certo é que ele não acredita que o PP tenha força para obter êxito. “O partido não está preparado. Nós temos que nos estruturar”, diz Balestra.
Convicto de sua força está o PSD, que já escolheu o seu pré-candidato e não tem volta. O partido vai mesmo disputar a eleição deste ano com Francisco Vale Júnior como cabeça de chapa. Na eleição passada, o ex-vereador e deputado estadual encabeçou a chapa governista como vice de Jovair Arantes (PTB).

Deputado Giuseppe Veci é o preferido de Marconi Perillo
Deputado Giuseppe Veci é o preferido de Marconi Perillo

Aliás, o PTB é outro partido que já tem pré-candidato. Trata-se do ex-deputado federal Luiz Bittencourt (PTB), que desde outubro do ano passado está forte na disputa e já faz movimentações para angariar apoio. “Nosso projeto está direcionado em cinco pontos: gestão e planejamento eficiente; saúde; segurança e cidadania; mobilidade, transporte e infraestrutura; educação e formação profissional”, explana Bittencourt.
O PR, que filiou o deputado federal Delegado Waldir Soares na nesta sexta-feira, dia 4, tem como certa a candidatura do parlamentar pelo partido. O presidente regional da agremiação, Flávio Canedo, disse que o nome do Delegado Waldir é definitivo. “Delegado Waldir é nosso candidato irreversível”, garante.
Vale lembrar que o deputado Delegado Waldir se indispôs com o PSDB, seu antigo partido, por discordar da forma com que vinha sendo conduzido o processo de escolha do candidato peessedebista. Sua vida para o PR fortalece a tese de que realmente sua postulação é irreversível. Os diálogos com a deputada federal Magda Moffato, representante da legenda no Congresso Nacional caminharam nesse sentido.

Deputado Delegado Waldir trocou o PSDB pelo PR
Deputado Delegado Waldir trocou o PSDB pelo PR

Por fim o PSDB, partido que tem como principal nome o governador Marconi Perillo (PSDB) e não abrirá mão de lançar candidato. O deputado federal Giuseppe Vecci foi aclamado pela legenda para ser o pré-candidato tucano à prefeitura de Goiânia.
O PSDB que nos primórdios da disputa contou com cinco nomes, teve três desistências ao logo do percurso, chegando no afunilamento apenas com o presidente da Câmara de Goiânia, vereador Anselmo Pereira, e com Giuseppe Vecci. Na véspera das prévias Anselmo desistiu e deixou a responsabilidade para Vecci.
Giuseppe Vecci já se movimenta tentando apoio dos parlamentares governistas na Assembleia. Na última semana, se reuniu com alguns deles para pedir apoio à sua candidatura.

Sem rachadura
O fato mostra que a base vai para o pleito completamente dividida. Segundo governistas, isso não significa, porém, que a base está rachada. Segundo eles, isso em nada abala as relações do governo com sua base. Eles acreditam que o fato contribuirá para o debate, o que beneficiará o eleitor.
Luiz Bittencourt acredita que as diversas candidaturas são salutar e em nada interfere na união da base. Segundo ele, o beneficio para o eleitor e para Goiânia são grandes. “Quanto maior o número de candidatos, melhor. Mais serão as chances de discutir os problemas de Goiânia e a resolução para os mesmos”, garante Bittencourt.
Ainda segundo Bittencourt, o primeiro turno será o espaço para apresentação de ideias e, no segundo, a base deve seguir com o projeto unificado. “Cada partido vai apresentar sua ideia. Nós vamos viver uma experiência eleitoral nova”, completou o ex-deputado.
O presidente do PR diminuiu o impacto sobre o fato de a base ir para o embate dividida. Segundo Flávio Canedo, até a própria situação está dividida. “Todos os partidos tem direito de crescer. Se a base vai com diversos candidatos o outro lado também vai dividido”, observou Canedo.
Outro pré-candidato que não enxerga prejuízo na fragmento no primeiro turno é Francisco Júnior. O parlamentar salientou que cada partido terá seu momento e que num segundo momento será a hora de mesclar as ideias. “Em primeiro turno é um espaço próprio para cada partido mostrar sua ideia. No segundo turno essa ideia ganha musculatura. Entendo que não haverá prejuízos”, opina Francisco Junior.

Deputado Francisco Júnior teve nome homologado pelo PSD
Deputado Francisco Júnior teve nome homologado pelo PSD

Companheiro de partido de Francisco Junior, o deputado Virmondes Cruvinel também enaltece o fato de haver diversas candidaturas. Para ele, experiências anteriores comprovam que esta é uma alternativa. “Todos os anos anteriores estivemos juntos e não conseguimos. Acho que é o momento. União só no segundo turno”, declara Virmondes.
Alheio a essa discussão, o deputado Roberto Balestra chama atenção para o discurso que poderá causar consequência em futuras uniões. Segundo ele, os partidos precisam ser cautelosos nos discursos e evitar ataques que possam atingir os governistas. “A união em segundo turno é a regra, mas vai depender de como cada um vai conduzir a campanha”, disse.

Deputado Roberto Balestra acha que o PP deve esperar
Deputado Roberto Balestra acha que o PP deve esperar

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